VIAGEM ASTRAL EM SINTONIA

O assunto "Viagem Astral" é fascinante, mas o enfoque de cada um em cima do estudo dessa capacidade parapsíquica varia de acordo com a tendência de cada pesquisador.

Há aqueles que se preocupam apenas com a parte fenomenológica da projeção; outros, apenas com a parte técnica e científica; e outros, como em meu caso, procuram mesclar os melhores valores das várias linhas espiritualistas com o estudo das saídas do corpo.

Nenhuma linha de raciocínio é superior a outra. Cada pesquisador tem suas características e o grande lance é sabermos conciliar pontos divergentes dentro de uma postura universalista, respeitando o enfoque de cada um e buscando sempre a ampliação de nossos potenciais rumo ao equilíbrio.

O estudo das experiências fora do corpo só faz o ser humano crescer, se for efetuado com alegria, discernimento e amor. De que adianta ser um projetor consciente fora do corpo se isso não melhorar a manifestação da pessoa no seu dia-a-dia?

O objetivo de uma experiência extracorpórea não é fazer turismo extrafísico ou dar uma voltinha pelo "Além". Trata-se simplesmente de acessar outras dimensões para aprender e trabalhar enquanto o corpo repousa no leito. É uma porta aberta para realidades transcendentais, desde que a pessoa esteja buscando a maturidade espiritual e deseje colaborar espiritualmente a favor da evolução de todos.

Como diz um espírito amigo meu: "Sair do corpo é fácil. Difícil é ficar em paz, dentro e fora do corpo!"

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As experiências fora do corpo são estudadas desde a antigüidade, principalmente pelos povos orientais. Os egípcios, hindus, tibetanos e chineses aprofundaram bastante o tema, mas sob um prisma esotérico. Aqui no Ocidente, os iniciados de várias linhas ocultistas aprofundaram seus estudos projetivos, mas, também sob conotação hermética. Isto é, iniciados do Oriente e Ocidente sempre buscaram uma transformação da consciência, a transmutação do velho homem de ferro em um homem de ouro, renovado, renascido (dwidja), pleno de consciência. Por isso, levando em conta a leviandade de muitos que buscam fenômenos, mas não a espiritualidade consciente, os antigos criaram vários processos iniciáticos para seleção dos interessados nas artes espirituais. Isso preservou o conhecimento iniciático das investidas do pessoal "oba-oba" da época.

Porém, o tempo passou e muitas coisas mudaram. Nos dias atuais esse mecanismo iniciático está ultrapassado mesmo. Milhões de pessoas têm experiências fora do corpo espontaneamente, sem saber como aquilo ocorreu. Elas não são iniciadas em coisa alguma. Devido a falta de informação, elas ficam apavoradas. Dependendo para quem narram sua experiência a situação poderá piorar. Um religioso cristão mais ortodoxo explicará aquilo como influência do "demo". Um materialista rotulará tal experiência como pura piração da pessoa. Um espírita dirá que é mediunidade. Um iogue pedirá a pessoa para estudar Ioga. Um ocultista mais ortodoxo alertará que saír do corpo é perigoso e só deve ser praticado por quem for iniciado.

Conclusão: - Há muitas pessoas passando por experiências fora do corpo no mundo todo. E há muitas pessoas falando desse assunto sem o mínimo de informação que possa ajudar seus semelhantes a entenderem isso de maneira natural.

O principal pré-requisito para uma pessoa sair do corpo não é que ela seja iniciada em alguma fraternidade esotérica ou que seja médium. Basta apenas que ela esteja dentro do corpo, pois só sai o que está dentro!

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As experiências fora do corpo são abordadas em várias linhas espiritualistas. Dependendo de época, local e influências culturais ou místicas, há nomenclaturas variadas para essa experiência.

Por exemplo: "Viagem astral" (Ocultismo); "Projeção astral" (Teosofia); "Experiência fora do corpo" (Parapsicologia); "Projeção da consciência" (Projeciologia); "Projeção do corpo psíquico" (Rosacruz); "Emancipação da alma", "Desprendimento espiritual" ou "Desdobramento espiritual" (Espiritismo); "Viagem da alma" (Ecanckar); "Viagem fora do corpo" (pesquisadores parapsíquicos).

Devido à grande variedade de nomes, há uma certa confusão em relação ao tema. Já ouvi dizer que viagem astral não é o mesmo que desdobramento espiritual, que , por sua vez, não é o mesmo que projeção. Na verdade, é tudo uma questão de nomenclaturas diferentes.

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As crianças têm a aura muito solta e sensível. Ainda não estão hipnotizadas pelas preocupações e seus chacras ainda não estão sujos com as vibrações densas de mágoas, desejos de vingança e mediocridades variadas. Por isso, soltam-se facilmente durante o sono para outras dimensões. Isto é, como estão há pouco tempo no plano físico, elas buscam seu plano de origem naturalmente. Vôam espontaneamente para a casa espiritual de onde vieram (e para onde irão após a experiência de vida no plano físico). Com o passar dos anos, os chacras ativam-se e conectam mais profundamente a consciência ao seu novo veículo de manifestação no plano físico. Isso ocorre mais intensamente dos 5 aos 7 anos. É quando a criança perde gradativamente suas percepções parapsíquicas e adapta-se literalmente ao plano terrestre. Na verdade, essas percepções apenas ficam amortecidas pelo novo processo reencarnatório da pessoa. Ao longo da vida, dependendo de fatores variados, essas capacidades latentes poderão vir a tona novamente.

Nos períodos da puberdade e adolescência (épocas de grandes transformações hormonais, psicológicas e energéticas), há uma forte efervecência das projeções novamente. Mas, a essa altura, podem ser interpretadas como sonhos ou pesadelos.

Comecei a ter projeções espontâneas aos 15 anos de idade. Como não tinha alternativa mesmo, aprofundei-me bastante no assunto. Hoje, aos 37 anos, continuo me aprofundando e descobrindo coisas incríveis nessas experiências. Posso dizer com toda segurança que melhorei muito como ser humano estudando tudo isso, na teoria e na prática. Ajudo muitas pessoas fora do corpo, mediante aplicação de passes extrafísicos em pessoas doentes e outras que não estão bem após a morte do corpo físico. Sinto-me útil! E isso faz meus olhos brilharem e meu coração tornar-se um sol.

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Comecei a dar palestras e cursos de projeção, aura , chacras e outros assuntos espirituais aos 19 anos de idade. De lá pra cá, conheci muitas pessoas dentro dessas áreas de estudo. Desde pessoas maravilhosas até pessoas absolutamente complicadas mesmo. Eis algumas reflexões sobre isso:

Conheci pessoas que aplicavam cursos de projeção, mas que não eram projetores conscientes. Normalmente, escoravam-se em um livro sobre o assunto ou em alguma suposta autoridade do assunto e a partir daí, ministravam cursos. Isto é, não sabiam nem para eles mesmos, e mesmo assim queriam ensinar aos outros. E pior: achavam-se grande craques no assunto!
Conheci sensitivos excelentes. Tinham grande potencial, mas não gostavam de estudar seriamente e nem se dedicavam a um aprofundamento de suas qualidades. Isto é, tinham grande prática de projeção, mas não tinham bom embasamento técnico de como elas aconteciam. Não conheciam bem o mecanismo de suas experiências. Portanto, não explicavam para os outros não é porque não queriam, era porque não sabiam mesmo!
Muitos pesquisadores e sensitivos "morrem de medo de ver espíritos". Isto é, falam desses assuntos com certo orgulho, mas "borram-se de medo" do invisível.
No último dia de finados, quantos espiritualistas (em suas várias linhas) foram ao cemitério visitar esqueletos e chorar desconsolados? É estranho! Estudam sobre imortalidade, corpos espirituais, reencarnação, carma, chacras e outras realidades. No entanto, basta a morte bater em suas portas para derrubar todo seu estudo teórico sobre esses temas.
Algumas pessoas fazem um curso de projeção e querem diploma. Engraçado! Trabalho com isso há tantos anos e não tenho diploma de projetor. Como eu mesmo não tenho um diploma, como posso dar diploma para alguém que mal começou a estudar? Que moral eu tenho para dar um diploma dizendo assim?: - Eu, Wagner D. Borges, atesto que fulano(a) de tal é formado em projeção da consciência! O atestado de qualidade de uma consciência é mostrado na prática pelo que ela pensa, sente e faz em suas manifestações, dentro ou fora do corpo. E quem lhe dá o diploma é a vida, mãe de toda experiência!
Para aqueles que estão ansiosos por uma projeção, sugiro que troquem a ansiedade por amor!
Amparadores (guias espirituais, mentores extrafísicos, protetores espirituais, etc.) não são babás de ninguém. Eles não são atraídos por preces ou invocações místicas. Eles vêm pela sintonia de bons propósitos que a pessoa manifestar.
É fundamental pensar no Bem de todos os seres na hora de deitar!
Mais importante do que uma viagem fora do corpo é viajar equilibradamente pela vida.
E mais legal ainda é estudar tudo isso e aumentar o bom humor.
Só conhecimento não é sabedoria. Só boa intenção não resolve. Mas, conhecimento equilibrado pelo amor leva ao equilíbrio!
Ninguém sabe tudo sobre projeção. Não somos craques nem em viver equilibradamente dentro do corpo, quanto mais fora dele.
Conheci pessoas que diziam-se altas iniciadas em grupos esotéricos. Contudo, as cores de suas auras estavam tisnadas pelas vibrações da arrogância. Elas eram iniciadas em diplomas místicos. Infelizmente, não eram iniciadas em compaixão. Elas tinham galgado altos graus de iniciação na arrogância. No entanto, faltava-lhes a iniciação do amor ao próximo. Faltava-lhes o essencial: a iniciação da lucidez, que mostra efetivamente que somos todos neófitos da vida!

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É muito comum ver imagens em nossa tela mental na hora de dormir. Principalmente, na hora em que estamos no estado hipnagógico (estado alterado da consciência fronteiriço entre a vígilia e o sono, conhecido popularmente como cochilo) podem surgir imagens clarividentes em nosso chacra frontal. Nesse momento, seres extrafísicos podem interagir com essas imagens e plasmarem certas cenas para a pessoa ver. Estas experiências já aconteceram comigo.

Mãos invisíveis podem abrir livros na tela mental de alguém e a pessoa lê em segundos tudo que está lá. A mente consciente pode não registrar isso no estado de vigília, mas aquele conhecimento está registrado no subconsciente, e de alguma maneira ele emergirá como idéias e intuições providenciais nos momentos apropriados.

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Há que se tomar um grande cuidado na interpretação de imagens durante as projeções, pois muitas vezes a própria mente produz formas mentais e processa inconscientemente várias coisas. Só com estudo e experiência se consegue identificar uma coisa da outra.

- Wagner Borges -

P.S: Este texto foi postado em partes originalmente na lista temática "Sintonia". Aqui, está sintetizado e adaptado para leitura completa.


Texto <70><03/12/1998>

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