Fora do corpo

A Dimensão Átmica

Esta dimensão parece ser o mundo do espírito. Aqui, espíritos aguardam por aqueles que amaram durante sua vida na Terra. Esse é um feliz local de encontro. É o lugar onde a reunião de almas acontece.

A luz nesse mundo é a mais pura, prata mais brilhante, mais brilhante que o piscar de um arco de solda. É tão brilhante que parece impossível olhar para ela, mas ela é - por tudo isso - uma luz supremamente gentil, macia e calmante. É a luz do amor divino. As pessoas aqui aparecem como elas eram no mundo físico, mas na sua maior magnificência. Elas brilham extasiadamente, flamejantes com o amor mais brilhante, felicidade e alegria imaginável. A atmosfera é elétrica e vital, mas ao mesmo tempo profundamente espiritual. Nesse mundo você pode sentir a presença de Deus como uma força palpável e penetrante.

A comunicação aqui, é feita pela transmissão de imagens telepáticas de alto nível, similar a clarividência de pessoa para pessoa apenas muito mais vívida e real. Ela deixa a conversação e o pensamento para os mortos. O tempo permanece absolutamente parado aqui. A realidade é mais real e sólida do que a realidade normal. Comparada a ela, o mundo físico é um sonho vago e cansativo cheio de pessoas quase mortas.

Eu entrei nessa dimensão apenas quatro vezes em minha vida. Todas as vezes da mais profunda, elevada, meditação consciente, com todos os meus chakras bem abertos e totalmente funcionais. Também havia uma atividade extrema do chakra coronário (sobre a cabeça). A sensação disso era como mil dedos vibrando, e massageando profundamente, toda parte superior de minha cabeça.

Nessas quatro ocasiões a minha energia aumentou para quantidades aparentemente impossíveis dentro de mim, carregando meu espírito e consciência com ela. No clímax dessa experiência profundamente mística, eu ouvi o som de uma longa, pura, nota musical aumentando lentamente em pitch. Eu senti essa nota no núcleo do meu ser, no meu coração, me chamando, me puxando para ela.

Eu enfoquei nessa nota. Com toda força e energia que possuía, eu enfoquei minha consciência nela e fiz projeção para ela. Separando-se de meu corpo físico, eu fiz a projeção diretamente nessa dimensão. Era igual a passar, deslizar, através de uma cortina pesada para dentro de outro lugar e outro mundo. Eu tinha a percepção da dualidade de meu corpo físico, durante toda a experiência.

Eu olho ao meu redor com admiração, a luz é tão prateada e brilhante, ela queima profundamente dentro da minh´alma e eu posso sentir seu toque curativo dentro de mim. Lá à minha frente está meu filho morto há longo tempo. Ele tinha oito anos quando me deixou, e parecia-se exatamente como da última vez em que o ví. Ele estava radiante de felicidade, seus olhos iluminados e brilhando. Eu o abracei e chorei com a alegria de revê-lo. Eu olhei para além dele e lá estava uma grande multidão de pessoas me esperando. Lá estavam todos os amigos e a família que eu havia conhecido e amado e perdido durante minha vida. Havia também muitas pessoas que eu não conhecia. Todas pareciam muito familiares, no entanto, e eu sentí que as amava a todas. Elas estavam batendo palmas e pulando para cima e para baixo, dando-me as boas-vindas. Havia muitas lágrimas de alegria e muitos abraços e beijos.

Olhando além delas, vejo que estamos num anfiteatro natural de pedra. O chão é de rocha polida e eleva-se até um cume a uns duzentos metros de distância que se curva em nossa direção. No topo desse cume estão os Anjos. Eles se pareciam exatamente como Michelangelo os pintou. Eram incrivelmente lindos, com grandes asas de penas brancas, cabelos dourados encaracolados e pele de alabastro. Estavam tocando longas cornetas douradas reluzentes, e o alto e puro som vinha delas.

Saindo fora da multidão, seguí em frente. Olho com admiração e aceno para esses anjos. O som foi-se diluindo enquanto eu assim fazia e os Anjos foram baixando suas cornetas. Fico por um interminável momento em silêncio, olhando tudo à minha volta. Então, tudo começou a tremeluzir e eu escorreguei, caí para dentro do meu corpo físico. Chorei. Eu não queria jamais ter voltado.

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