QUANDO OS MORTOS VISITAM OS SEUS MORTOS

Dia de finados?
Tontice!
Ninguém morre.
Finados é tolice.

Na boa, sem julgamento:
Você visita restos mortais?
Você visita a tumba tal?
Mesmo você sabendo que é imortal?

Desculpe, é que não resisto.
E insisto.
Você ainda leva flores?
E elas representam suas dores?

Saudade?
Isso não tem idade.
No campo ou na cidade,
Vai para a cova toda vaidade.

Você é rei do espírito?
Ou é súdito da matéria?
O caixão é de mogno ou de madeira?
Tanto faz, isso tudo é besteira.

Você ainda chora a perda?
Mesmo estudando o astral?
Saudade não tem idade...
Vaidade, vaidade, vaidade...

O dia de finados vem aí...
E o cemitério ficará cheio de mortos.
Eles visitarão os cadáveres vazios.
Morto visitando morto, que dia torto!

Os mortos não pertencem a ninguém.
E os vivos também não!
Se não tem ninguém morto,
Por que existe esse dia torto?

O corpo é da Terra, o espírito é de Deus.
Cadáver não é pessoa, tumba não é lar.
Na Terra, os despojos; no Céu, a Matriz.
É isso que a Espiritualidade Maior diz.

Mas os mortos não escutam, só resmungam.
Dia de finados é pura lamentação.
Eles enchem o cemitério de flores
Para cobrir suas dores.

Pelo menos a floricultura fatura o dela.
Enquanto as pessoas "fraturam" a inteligência.
Mas a cova está pintada,
Mesmo que lá não tenha nada!

Finados, dia inútil, fútil...
Dia de coisas mortas andarem até o cemitério,
Como zumbis em procissão. É justo:
Que os mortos visitem os seus mortos!


- Vidigal -
Cia do Amor** - A Turma dos Poetas em Flor.
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 25 de setembro de 2004.)

* Expressão baseada num ensinamento de Jesus: “Deixe que os mortos enterrem os seus mortos!”

** A Cia. do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor.

Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.
Para maiores detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver o livro "Cia. do Amor - A Turma dos Poetas em Flor" (Edição independente - Wagner Borges), e sua coluna na revista on line do site do IPPB: www.ippb.org.br

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