SAINDO DA GOSMA PSÍQUICA E ENTRANDO NA LUZ DO SORRISO

Houve uma época em que eu era muito triste.
Havia uma enorme fenda em minha alma, por onde eu perdia muita energia.
Por isso, passei a ver a vida de forma cinzenta e macambúzia.
Nada me agradava, e em tudo eu via alguma coisa para criticar.
Como efeito de tal estado de consciência melancólico, projetei minhas amarguras nos textos que escrevia.
De forma ácida e contundente, joguei nos meus escritos a minha dor e o meu vazio interior.
Movido apenas pelo intelecto cabuloso, tornei-me arrogante e pedante em excesso.
Qualquer coisa era motivo para irritação e desmandos emocionais diversos.
Disparei muitas setas ácidas, por meio dos meus escritos, e tudo era o alvo.
Nada e ninguém escapavam do meu escrutínio devastador.
Em minha ilusão, eu era o pensador, e o mundo era a escória.
Fiz muitas inimizades com essa minha postura arrogante e considerava tal coisa como absolutamente natural, num mundo que eu julgava cheio de mentecaptos.
Como eu disse no início, eu era muito triste e enfadonho.
O tempo passou, e eu envelheci, como todos, pois ele não perdoa!

No entanto, em lugar da idade me trazer sabedoria, eu me tornei mais amargo ainda.
Na verdade, torcia para que a morte viesse logo!
Por fim, o momento fatal chegou, mas não da maneira como eu imaginara.
Em meu pessimismo crônico, eu esperava que houvesse uma espécie de anulação da consciência, mas tal não aconteceu.
Não deixei de existir nem de pensar; pelo contrário, pensava mais do que nunca.
E isso me assustou muito!
O desligamento do mundo, propiciado pela morte, só me alijara do corpo físico, mas não destruíra minha mente.
E ali estava eu, ser pensante, assustado igual criança no escuro, no desconhecido do além vida...
Abduzido irremediavelmente para fora do ergástulo terreno, vi-me imerso num mar de formas mentais cinzentas.
Eu flutuava no meio do lixo mental que acumulara em torno da mente, por uma vida inteira de amargura.
Eu era prisioneiro de um verdadeiro calabouço psíquico, formado pelos meus próprios pensamentos negativos.
Estarrecido, eu descobri que era prisioneiro de uma gosma psíquica engendrada em minha própria mente.
Então, fiz o impensável: gritei, gritei e gritei... E não era contra ninguém.
Pela primeira vez, o alvo de minha frustração era eu mesmo!
Mergulhei numa profunda melancolia pós-morte, e eu era o único responsável por ela.
De tanta acidez emocional, terminei atolado no meu próprio vômito psíquico.
Por um tempo que não sei determinar exatamente, fiquei nesse estado de consciência obscuro, ruminando minha mesquinharia mental.
Todavia, apesar de minha imensa petulância, recebi uma ajuda providencial.
Alguém rompeu o meu casulo psíquico e dispersou as energias cinzentas em torno.
Era um homem alto e magro, de cerca de 60 anos de idade, meio calvo, com cabelos brancos nas laterais, vestido de branco e com uma expressão simpática.
Ele me tirou daquela gosma terrível e me disse, de forma bem humorada:
“E aí, meu chapa! Está na hora de você arrotar sua amargura.
Chegou o momento de abrir as portas de seu coração, para que outros ares ventilem suas emoções. Eu faço parte do grupo de escritores e poetas da Companhia do Amor.
E, como você também escrevia lá na Terra, sobrou para o nosso grupo atendê-lo.
Mas não esquente a cuca, não! Está na hora de melhorar, meu chapa!”
Guiado por esse novo amigo, desprendi-me daquele clima psíquico ruim.
Fui tratado e energizado. Tomei banho de luz e fiz terapia por um tempo.
Mas o que me curou mesmo foi o bom humor desses fantásticos amigos da Companhia do Amor. Eles me ensinaram a rir e levar as coisas na esportiva.
Respeitaram-me, mas não fizeram concessões ao meu ego.
Falaram-me tudo que eu precisava ouvir, na cara, sem dó nem piedade.
E, ao mesmo tempo, fizeram-me rir demais; fizeram-me ver o meu papel cinzento de ser amargo. Então, só me restou cair na lábia deles e rir junto do meu ridículo.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti rir e assim desafoguei os meus dramas internos. Como eles dizem por aqui, “desopilei o fígado”.
Agora estou numa nova etapa, sem desavenças comigo mesmo ou com o mundo.
A fenda em minha alma foi fechada por uma massa de luz e sorrisos.
Aprendi que há muita inteligência na simplicidade de quem sabe levar a vida de um jeito alegre. E que arrogância é doença psíquica séria.
De que adianta ser cheio de cultura e estudo, se isso não iluminar suas emoções?
O que mais quero agora é ser simples; quero falar e escrever sobre novos temas, mas sem críticas literárias ou intelectualismo escabroso.
Quero ser feliz! Quero rir igual aos amigos da Companhia do Amor.
Que se inicie uma nova etapa, sem apertos no coração ou conversa mole.
Que haja luz e risos, para preencher as fendas que separam o ser de si mesmo.
Como aprendi por aqui, “todo tempo é tempo de aprender”.


- Um Novo Amigo e Calouro da Companhia do Amor -

Nota de Wagner Borges: esses escritos são a transcrição de uma conversa extrafísica (enquanto eu me encontrava fora do corpo durante o sono), que tive com um espírito que foi assistido há algum tempo pela turma da Companhia do Amor.
Registrei mentalmente o seu depoimento e logo em seguida voltei para o corpo. No entanto, só consegui me lembrar de parte da conversa. Porém, horas mais tarde, quando eu me encontrava dentro de um avião (no trajeto entre São Paulo e a cidade de Ribeirão Preto), veio o resto do papo na mente e aí anotei tudo rapidamente nas páginas do livro que estava lendo no momento, ali mesmo, durante o vôo, enquanto uma aeromoça me observava atentamente, talvez pensando como é que eu conseguia me concentrar e escrever de forma tão rápida.
Outro detalhe: este texto será inserido no novo livro da Companhia do Amor, que será lançado aqui em São Paulo, logo no início do mês de dezembro.

* A Cia. do Amor é um grupo de cronistas, poetas e escritores brasileiros desencarnados que me passam textos e mensagens espirituais há vários anos. Em sua grande maioria, são poetas e muito bem humorados. Segundo eles, os seus escritos são para mostrar que os espíritos não são nuvenzinhas ou luzinhas piscando em um plano espiritual inefável. Eles querem mostrar que continuam sendo pessoas comuns, apenas vivendo em outros planos, sem carregar o corpo denso. Querem que as pessoas encarnadas saibam que não existe apenas vida após a morte, mas, também, muita alegria e amor.
Os seus textos são simples e diretos, buscando o coração do leitor.
Para mais detalhes sobre o trabalho dessa turma maravilhosa, ver o livro "Cia. do Amor - A Turma dos Poetas em Flor" - Edição independente - Wagner Borges, e sua coluna no site do IPPB (que é uma das seções mais visitadas no site): www.ippb.org.br

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