SAMBAMOR

O samba pede passagem.
A maestria está chegando.
O bom-humor está na avenida,
Viajando na alma do negro.
O ritmo flui com facilidade.
A batucada mexe com a gente sensível.
O povo natural está exposto,
Na santa alegria de sambar.

 

SAMBAMOR

O samba pede passagem.
A maestria está chegando.
O bom-humor está na avenida,
Viajando na alma do negro.
O ritmo flui com facilidade.
A batucada mexe com a gente sensível.
O povo natural está exposto,
Na santa alegria de sambar.
A passarela é o templo do sorriso
Onde os caminhos se abrem.
Toneladas de energia dominam os corações.
Reminiscências inconscientes afloram
Na alma do sambista.
Ecos do passado dançam
Perante o seu olhar interior.
Imagens da antiga África
São estereotipadas nos vibrantes movimentos.
Saudade de um tempo de liberdade,
Que é resgatado na alegria do samba.
Bailando na avenida,
A alma do negro relembra aos povos.
A alegria do movimento simples.
A pulsação da natureza humana.
O samba é o grande companheiro:
Que alegra o coração dos pobres,
Que tira o rico do marasmo,
Que faz o branco "cantar no pé",
Que lava a alma do negro,
Que faz o moleque interior se expressar.
O sorriso é franco e espontâneo.
O batuque rola solto pela noite.
Os pés rodopiam no balanço do samba.
A harmonia do movimento
Se instala nas mentes,
Destravando as tensões
Através do suor sadio.
Sob o efeito do batuque purificador,
O cansaço da labuta desaparece.
A dor não é permitida no recesso
Do verdadeiro samba.
A alegria é a sua verdadeira patroa.
O movimento, como autentica força da natureza,
É o seu veículo de expressão.
Sambar por amor ao samba
É homenagear o corpo com o movimento,
É varrer a tristeza do semblante,
É dizer: "Viva a vida!" com os seus pés.
Se o samba é tão gostoso,
Vamos purifica-lo gostosamente,
Retirando do sagrado recinto do batuque
A violência e a veleidade.
Refazer o samba como era antes:
Uma manifestação popular pura,
Sinônimo da alegria de um povo vibrante.
Resgatemos, pois, o verdadeiro samba,
Filho legítimo da brincadeira popular
E embaixador do bom-humor!
É hora de exonerar os péssimos sambistas,
E pôr em seus lugares
A vitalidade da alegre criançada,
"Cantando realmente no pé"!
O samba é arte popular.
Deve ser promovido com segurança,
Para sempre realçar o lado sadio
Da ginga do bom brasileiro.
Nós, os verdadeiros sambistas,
Que temos no samba nossa
Segunda natureza
(Já que a primeira natureza é Deus),
Mesmo na vida espiritual
Continuamos amando esse ritmo,
Desejando que ele seja
A expressão pura do sorriso
E a real alegria do povão brasileiro,
Pobre de dinheiro,
Porém, rico em movimento e espontaneidade.
Da pátria espiritual do Brasil,
Como sambistas do além,
Batucamos com o nosso coração,
Desejando que os sambistas encarnados:
Negros, brancos, amarelos e vermelhos,
Batuquem e sambem com amor.
A África-Brasil espiritual vos saúda,
Lembrando que o samba é universal.
Seja na Terra ou no Além,
Ele é a expressão do movimento no bem. *

- Monsueto -

"Cia. do Amor" - (A Turma dos Poetas em Flor)
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 11 de setembro de 1991.)

Para aqueles que acham que os textos são inventados a partir da cabeça e das características de um médium, fica aqui o registro de que gosto de rock, e nunca escreveria sobre samba.
Mas os espíritos da Cia do Amor, vários deles sambistas, gostam bastante.

ImprimirEmail