VIVENDO, MORRENDO E APRENDENDO... (Ou a morte não é de nada!)

Lembra como era incrível antes?... Nós brincávamos tanto. O tempo parecia não existir e nada nos separava. Meus brinquedos espalhados pelo chão do quarto e vocês brigando/rindo comigo, por causa da bagunça.

Mãe, pode crer, eu era feliz aí com vocês e, se pudesse, ainda estaria morando com você. Só que Deus resolveu me puxar para fora do corpo de uma vez. A princípio relutei e não quis seguir aqueles homens-espíritos-legais que estavam ali na UTI para me ajudar. Mas daí, apareceu meu vô no meio de uma luz bonita e me explicou que meu corpo estava bastante detonado pela doença e que eu não podia mais ficar dentro dele.

O vô me pegou no colo e flutuou comigo por cima da cama onde meu corpo estava. Foi aí que apareceu um túnel de luz à nossa frente e o vô mergulhou dentro dele comigo agarrado. O túnel era radical e eu gostei de seguir dentro dele, pois havia uma "luz viva" nos envolvendo e ela parecia nos acariciar suavemente. A luz era gostosa, mas acabei dormindo no colo do vô.

Quando acordei, estava deitado numa cama super cheirosa e macia. O lençol que me cobria era super branquinho e o mais incrível é que a medida que eu respirava, ele soltava uma luz que me penetrava e me fazia um bem danado. Uma moça vestida de branco entrou no quarto onde eu estava e me disse que eu tinha desencarnado, mas que eu estava bem. Pô, achei isso muito estranho, mas a moça estava falando sério mesmo. Daí, me lembrei do que o vô tinha falado comigo na hora de flutuar e fiquei quieto esperando ele chegar. Quando ele chegou, me deu um abração e logo me botou no seu colo novamente. Nem adiantou dizer para ele que eu já estava grandinho demais para ele me segurar igual criança. Para falar a verdade, eu estava era com vergonha daquela moça me ver no colo dele. Sabe como é, a gente tem de mostrar firmeza.

O vô me levou para um jardim fantástico que tem aqui e me explicou tudo direitinho. Disse-me que eu tinha desencarnado mesmo e que precisava de um tempinho para me adaptar ao fato. Disse-me também que só era para eu ter vivido mesmo na Terra por onze anos. Fiquei super ligado em tudo o que ele me contava. Daí ele me disse que havia a chance de um rapaz sensitivo sintonizar o pensamento comigo e escrever uma carta por mim e entregar para vocês.

Segundo o vô, vocês até que aturaram bem a minha partida, mas parece que sobrou uma ponta de dor quando vocês lembram da minha doença. É por isso que ele arranjou esse rapaz sensitivo para eu escrever através da mente dele. E lá vou eu:

Estou bem!
Vocês fizeram tudo o que podiam por mim. É que a minha hora tinha chegado mesmo.
Amo vocês e sei que continuam me amando.
Não me visitem no cemitério, pois não estou lá!
Não incomodem Jesus com preces lamentosas em minha intenção. Pô! Estou vivo e bem, e não quero nenhuma lamentação vindo em minha direção!
Parem de falar com os outros sobre a minha morte; falem sobre a minha vida. Foi uma vida curtinha, mas foi uma vidinha legal!
Quando o vô olha pra mim, sai luz dos olhos dele.
Olhem, tenho que parar de escrever agora. O vô está me dizendo que o rapaz sensitivo ainda tem de escrever um monte de coisas de outros caras que estão aqui com ele. Quando der eu volto!

Um beijo.

- Vitinho -

* * *

Muitos filhos perdem pais, muitos pais perdem filhos; irmãos perdem irmãos; amigos perdem amigos; e mulheres perdem maridos e vice-versa. Enfim, há gente perdendo gente para a morte a toda hora. Aliás, isso é óbvio: quem está vivo, um dia morre!

É de espantar, então, por que é que as pessoas não sacam que a vida na Terra é por demais transitória. Se a vida é curta, por que as pessoas não aproveitam o tempo que tem para crescer, amadurecer, sorrir mais, enfim, para fazer algo de bom?

Eu não sei dizer qual é a causa que leva as pessoas a serem tão complicadas. Mas de uma coisa eu sei: como diz o ditado popular, "a morte não tem hora para chegar!" E ela chega mesmo. Isso é tão certo quanto a existência do sol, da lua e da gravidade.

- Anônimo -

* * *

Nós sabemos que a maioria das pessoas não gosta de pensar nesses assuntos, mas sabemos também que agora mesmo, em vários cantos do planeta, tem gente perdendo gente querida. E sabemos que amanhã, depois e depois, mais gente vai perder gente amada. Por isso, ainda a pouco, acompanhando o garoto passar a sua mensagem aos pais e amigos, nós da "Companhia do Amor" também resolvemos escrever alguma coisa dedicada a todos aqueles que perderam um ente querido. Contudo, não queremos escrever para consolar ninguém. Nossa intenção é aguçar o pensamento do leitor, para que ele pondere sobre algumas questões ligadas a morte e ao morrer. Com essa intenção, alinhavamos, então, os seguintes conceitos sintéticos para a reflexão do leitor:

Natureza: não é burra!
Morte: passagem para outra dimensão.
Suicídio: a maior babaquice de todas.
Cemitério: lixeira orgânica gigante (bacteriolândia).
Espíritos: gente desencarnada.
Gente: espíritos encarnados.
Dia de finados: o dia mais inútil do ano.
Sonho com ente querido desencarnado: muitas vezes um encontro espiritual fora do corpo.
Cadáver: casa abandonada.
Viver: aprender, aprender, aprender...
Morrer: viver em outra dimensão e também aprender, aprender, aprender...
Vela: quando você acende uma, a primeira coisa que se ilumina é a aura da conta bancária do fabricante de velas.
Vela II: no lugar de vela acesa, acenda seu coração e irradie seu amor para todos.
Criogenia: esqueça! É melhor congelar sua falta de espiritualidade.
Velório: ótima oportunidade para sentar quieto e ler um livro sobre vida após a morte.

- Cia. do Amor -
(A Turma dos Poetas em Flor)

* * *

Certa vez, perguntaram ao mestre Aïvanhov por que, às vezes, gente cruel demora tanto a morrer e tanta gente boa morre logo cedo. Ele sorriu e disse o seguinte: - As pessoas cruéis são como ervas daninhas: difíceis de arrancar do solo. Já as boas pessoas desencarnam cedo, muitas vezes, porque o Senhor fica com saudade delas e chama-as de volta para o paraíso de onde elas vieram.

- Wagner D. Borges -
(Textos recebidos espiritualmente por Wagner D. Borges; Salvador, 28/01/96)
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