O DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO - (Folhas de Outono) – Parte IV

Toda matéria resulta de estados vibratórios, portanto toda matéria produz vibrações. Qualquer impressão objetiva ou subjetiva que realizarmos como percepção, resulta de receber vibrações. A causa de todos impulsos e impressões é vibratória, logo o efeito resultante também é vibração.
O efeito vibratório da ação da Inteligência, como qualidade do Espírito, através de enfoques em nível mental objetivo é o que chamamos raciocínio ou pensamento.
O raciocínio de um homem de estrutura mental primitiva, bem como o de uma criança de hoje em dia, é bem semelhante, predomina a dedução e na maioria das vezes há incapacidade de análise. Possivelmente tais pessoas correspondam ao Homem Natural mencionado por Paulo, e ao Homem Instintivo na classificação de Louis Lambert.
Todo processo de raciocínio começa com a chegada de impulsos, gerados pelos estímulos, com freqüências vibratórias que podem ser já conhecidas, ou, ainda não conhecidas pelo cérebro. Se as freqüências vibratórias são semelhantes àquelas já existentes no banco de memória, podem ser reconhecidas e comparadas, mas se forem diferentes, as novas impressões estimulam a consciência para percepção e decodificação.
Portanto, ter consciência é ter capacidade de perceber estímulos vibratórios e decodificá-los. Se forem gravados no banco de memória, poderão ser reconhecidos posteriormente. Similaridade ou dessemelhança leva ao processo de análise e ao exame por comparação. A isso denominamos raciocínio lógico.
Todas as impressões que a Mente realiza por enfoque mental no cérebro, produzem um efeito definido na Consciência, mas isto depende do grau de atenção dispensado.
Reforçando a idéia anterior, há dois tipos de enfoques, os objetivos e os subjetivos. Os enfoques objetivos são feitos pela recepção de vibrações através dos órgãos dos sentidos. Os enfoques subjetivos, pela percepção de estímulos feitos diretamente sobre o conjunto do sistema nervoso (cérebro a cérebro), ou ainda, na maior parte das vezes por estímulos procedentes do banco de memória (endógenos), na medida em que se diminua a atenção ao plano objetivo.
A Consciência de existir e a Inteligência podem ser consideradas como atributos do Espírito Humano. O nível da consciência e o nível de inteligência são atributos da Alma e caracterizam a individualidade e a personalidade. A Consciência e a Inteligência se manifestam através do aspecto mental da vida. A Mente, como instrumento da inteligência, permite que se faça enfoques inteligentes no cérebro. Cada enfoque, como idéia, é um aspecto Mental da Vida e pode compreender pensamentos relativos à percepção de sensações, de realizações, de classificação, ou de conclusão de raciocínio. Os princípios que ativam o aspecto raciocínio são aquilo que se deseja, mas, a imaginação criativa que mostra o caminho, é a inspiração. De acordo com o grau de imaginação que a pessoa tenha, assim se inspira em como alcançar os seus objetivos. Os estímulos para desencadear a imaginação podem ser externos ou internos, objetivos ou subjetivos, ou ainda, de ordem material ou de ordem espiritual.
O processo da elaboração de um pensamento, pela associação e pelo arranjo coerente de idéias, é dificilmente explicável. No entanto, associando-se os pensamentos produzidos em função das impressões procedentes do ambiente e canalizados por órgãos dos sentidos, dá para ter uma idéia do nível de consciência que temos em relação a esse ambiente exterior. Assim vamos tomando consciência de um ambiente na medida em que vivenciamos no mesmo e somamos impressões. O mesmo processo se dá quando trabalhamos em meditação nos dados do banco de memória relativos ao mundo subjetivo.
A Consciência, como centro da vida humana, está situada em dois mundos, o material e o imaterial. A consciência lógica é um enfoque mental de um dado momento entre o mundano e o Espiritual. A consciência pode lembrar por enfoque de um momento anterior e imaginar por dedução o momento que virá. A ligação com a memória pode transportar a consciência para o passado e a ligação da mesma consciência com a imaginação, pode transportá-la para o futuro. Assim estabelecem-se os conceitos abstratos de passado e de futuro, dando-nos a noção de tempo e o conceito de tempo.
O homem que consegue raciocinar com esses conceitos abstratos (Homem Carnal), é superior ao homem natural (Instintivo), mas fica devendo ao que tem Visão (espiritual). O desenvolvimento superior do psiquismo se dá a partir da Visão. Depois vem Kala, Maquia, Manawa, e outros, no dizer dos kahunas havaianos (Kahuna: o dono do segredo).
O aqui e agora da existência, que é enfatizado na Análise Transacional, é um momento de transição entre o porvir e o passado a cada instante que passa, a cada momento de consciência. A nossa consciência, em relação ao tempo, não pertence nem ao passado nem ao futuro, mas é um momento de proximidade entre os dois. Podemos, a cada momento, perceber o passado como causa de momentos futuros.
A razão primária da consciência é ser um fator para o conhecimento. Muitas vezes serve para gratificação dos sentidos, a qual é coisa passageira e se deixa lembrança, também não é alicerce para construir um futuro sólido. O conhecimento evolui na medida em que apreciamos suas lembranças e acrescentamos experiências e habilidades adquiridas nessa memória. Assim o conhecimento passa a ser um aspecto realizado e concreto da imaginação.
A consciência, percorrendo a memória do passado, e impulsionando a imaginação para o futuro, poderia percorrer a trilha do tempo, desde os casos mais simples e imediatos até os casos de percepção de encarnações passadas e fatos de um futuro distante.
Recordar acontecimentos até o momento presente, recordando sucessos, pode trazer satisfação, mas não impulsiona para frente até o momento em que decidimos mudar. Ao decidirmos alterar a condição atual, a imaginação permite avaliar as possibilidades de futuro. Sem dúvidas, toda mudança traz dificuldades que podem ser avaliadas e superadas.
Dependendo do grau de expansão de consciência, a imaginação poderá estar limitada às coisas materiais, mais próximas da individualidade, ou, poderá abranger o interesse de terceiros, expandindo-se a ideais, conceitos e sentimentos, tendo como limite as possibilidades relativas a imortalidade, eternidade, ou ainda relativas a Divindade.
Em outras palavras, o homem se caracteriza ou pelas limitações da imaginação com fantasias infantis (homem natural), ou com a imaginação que se relaciona a pensamentos e conceitos concretos (homem carnal), ou ainda raciocinando de modo a produzir abstrações (homem espiritual). Percebemos isso quando damos a várias pessoas um tema como estímulo, por imagem ou conceito e deixamos que cada um siga os seus processos de imaginação.
Quando o indivíduo está livre de lembranças das más ações e de imagens de más intenções, e não há tensão na consciência, a imaginação criadora flui em ação mais próxima do que seria a ação do Supremo Criador.
Perdoar a si mesmo e aos demais pode ser uma saída, mas esquecer o passado pode ser o caminho para errar e se aborrecer de novo. “Virar a página” implica em tirar de foco, mas “Voltar à página” pode ser o livramento de novas enganações. A plena confiança sempre é requerida por alguém que possa falhar, talvez por essa razão encontramos em Jeremias Cap. 17; vs. 5:
“Maldito é o homem que confia no homem.”
A boa educação pela vontade pessoal, cultiva a memória e a imaginação criadora. Cada um de nós tem uma Consciência, e cada Consciência tem seu nível de percepção e entendimento, em extensão de memória e de imaginação.
Cada um de nós tem uma pequena luz de entendimento. Sempre podemos escolher o caminho que leva a um entendimento maior, ou o que leva à ignorância.

(Continua)

- Prof. Alberto Dias -
Atibaia, 27 de agosto de 2003.

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