O DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO - (Folhas de Outono) - Parte I

À medida que recebemos informações e percebemos o significado das mesmas, percebemos também que há necessidade de ordená-las, inserindo-as entre outras de mesma natureza que se encontram em nossa memória. Cada informação nova passa a ser uma nova idéia a ser conotada com as idéias anteriores.
Ao produzirmos pensamentos pela associação de idéias, percebemos que o senso de lógica nos permite estabelecer raciocínios em mais do que um sentido, sendo que há possibilidade de que os raciocínios sejam em sentidos opostos em relação a uma mesma premissa. A percepção dos raciocínios que se contrapõem nos leva à consciência da percepção das abstrações possíveis, isto é, aos raciocínios abstratos. Em conseqüência disso, é possível que se façam análises diferentes de vidas aos diferentes entendimentos subjetivos, partindo de um mesmo fato objetivo. É evidente que com as análises surjam dúvidas, e mais as indagações que são conseqüentes dessas dúvidas.
Depois de um período de repouso em relação a esse processo mental consciente, possivelmente o indivíduo tome consciência de respostas que surjam do nível subconsciente como um clarão de introspecção. Este fato sugere que algum outro aspecto da consciência que, pode ou não estar ligado ao nível consciente, continuou processando os dados no cérebro, enquanto o nível consciente da consciência repousava. As respostas tidas como intuição, são válidas na maioria das vezes, mas, devem passar pelo crivo de novas análises para maior segurança. Aceitar a intuição como uma revelação e estabelecer conceitos sem crítica, pode ser a causa do desenvolvimento do fanatismo observado nos diferentes fundamentalismos religiosos.
Todo o ciclo de processos mentais que vai da tomada de informações e passa pela ordenação e análise, indagação e intuição, representa o desenvolvimento do psiquismo na medida em que o processo continue. A continuidade se dá pela tomada de novas informações, nova ordenação e análise que se somam às anteriores, mas também prosseguindo com novas indagações. O desenvolvimento da psique afeta o espírito, e este, como um campo de energia que se modifica, do mesmo modo que é afetada a energia de um chip em um computador. Lembremo-nos de que todos têm espírito como uma forma de energia com “consciência de existir” e de que a psique (1) é o espírito modificado em sua essência pela percepção e pelo ganho de conhecimento, atuantes no cérebro.
Assim, progressivamente, o conhecimento e o entendimento tornam-se mais e mais abrangentes. A cada vez há formação de uma idéia global que encerra o entendimento de muitas outras idéias anteriores que tenham sido conotadas. Na medida em que uma pessoa se dá por satisfeita em algum nível de entendimento, estaciona. Passa então a desenvolver um arrazoado que defenda essa sua posição, e quanto mais a defende, mais a pessoa se cristaliza no seu nível de conceituação, não dando abertura a um entendimento maior.
É evidente que a psique determina as reações aos diferentes estímulos, fixando-as como reflexos automatizados. São as respostas bem sucedidas e que fazem parte da experiência. A Personalidade da Alma se manifesta pelas atitudes e pelos arrazoados que o indivíduo consegue fazer, mostrando assim o nível de consciência que a pessoa tem.
Aceitando a idéia de que a pessoa em sua essência é uma psique, ou seja, um campo de energia inteligente e consciente que atua através de um corpo material, dá para entender a necessidade metafísica da existência de Deus. De outro lado, os problemas materiais que decorrem da existência de um físico a ser preservado, dos reflexos de sobrevivência e de preservação de espécie, bem como as emoções e sentimentos que acompanham as descargas glandulares como conseqüência imediata desses reflexos, permitem entender a predominância das visões materialistas e imediatistas que entram em colisão com a possível visão espiritual de uma psique em desenvolvimento.
(Continua)

- Prof. Alberto Dias -
Atibaia, 09 de junho de 2003.

1. Psique (do grego): Alma.

Imprimir Email