OS BRUXOS E A PAZ

A visão fragmentada no cenário mundial hoje nos leva a parar para refletir a nossa compreensão do mundo neste momento histórico.

Um dos principais erros que cometemos ao falar de paz é processá-la sempre como algo externo ao homem. Alguma coisa a ser alcançada em algum lugar ou através de uma determinada ação, adquirir alguma coisa ou mesmo conquistar um efeito mágico. E pensamos: se não estamos em guerra, naturalmente estamos em paz...

Se enxergarmos a paz sob este prisma, estaremos direcionando e condicionando a nossa paz e a Paz do planeta sempre a algo que independe de nós. Consequentemente os conflitos nas suas mais intensas formas e adversidades se concentrarão, e a solução naturalmente dependerá de tratamento especifico, como é uma situação de guerra entre povos. Independente de que motivo os levou a guerrear, guerra é guerra.
A toda ação corresponde uma reação. Essa é uma da mais puras verdades correspondente à sabedoria humana. E porque ela continua ainda no terceiro milênio sendo ignorada? Para onde foi a consciência da lei da causa e do efeito?

Os perigos desta negligência, ignorância, desprezo à vida, seja lá o que for, são catastróficos. Esses seres se comportam como se tivessem salvo-conduto para destruir o Grande útero que nos abriga, sem que o Universo nos puna por isso.

Essa visão fragmentada é o que podemos chamar de “emoção mecânica” ou “emoção tecnológica”.

E aí? E nós Bruxos, que dedicamos as nossas vidas em prol da preservação da sanidade do homem e do seu habitat sagrado, o que podemos fazer diante de tamanha aberração? Vamos cruzar os braços e simplesmente entregar aos Deuses?

Que “a paz está dentro de nós” já virou apenas frase de efeito, todos nós que refletimos e buscamos o centramento interior temos consciência disso. Mas está sendo suficiente para a paz da humanidade? Os fatos provam que não.

A violência, de maneira geral, que está instalada no planeta neste momento histórico em que vivemos, é prova mais do que evidente de que é chegado o momento do despertar consciente e verdadeiro. É chegado o momento da nova ordem da compreensão humana de que, onde não houver ódio, aí estará a paz.

O ódio é um estado de enfermidade interior; assim, se faz necessária com urgência uma campanha contra esse mal que assola a humanidade: o ódio.

É necessário se educar o homem desde a infância para a prevenção deste mal. O ódio é desenvolvido na alma e no coração do homem como qualquer outro sentimento, pessoal e interior. É a partir da prevenção desta epidemia psíquica na infância que formaremos homens em paz.

A criança perdeu o referencial da paz interior com os próprios brinquedos, uma fórmula dantesca de incentivar o ódio e a guerra, através de meros brinquedos de tecnologia avançada. Do descaso nos relacionamentos, da desesperança e da falta de religiosidade. De uma formação cultural direcionada para o inter-relacionamento étnico.

Que mais que depressa, vacinemos nossas crianças contra o ódio, o preconceito e o desamor.

Se as guerras, conflitos e violências, de maneira geral, começam na alma e no coração do homem, é ele que tem que ser desarmado para evitar conseqüentemente ações conflituosas e violentas. E esse desarmamento tem que ser revisto de imediato com mais firmeza, empenho e amor.

A paz tem que ser vista como resultado da harmonia interior. É a integração harmônica da alma humana com as ciências. Fator que foi praticamente esquecido na formação cultural humana no último século, ao dar prioridade somente à razão.

É comum hoje a confusão entre educar e ensinar. Ensinar é meramente direcionar conceitos intelectuais pré-determinados de conhecimentos. Ao passo que educar é abranger os conhecimentos de forma ampla, buscando meios e formas coerentes com a realidade e as necessidades dos que buscam aprender, visando o crescimento, individual e coletivo de forma que a visão de mundo e de vida seja harmônica em função de um bem comum; a humanidade.

Paralelamente está a família, grupo esse que deve tomar para si a formação do caráter, hábitos e atitudes interiores e exteriores. Pois o que se percebe em grande escala hoje é exatamente a acomodação. Transferindo assim as funções que seriam da família para a escola. Resultando daí uma grande confusão no referencial da criança, escola-família-escola.

É chegado o momento de tirar o homem do absolutismo do mundo exterior, e educá-lo para encontrar seus caminhos para o mundo interior.

A Natureza é a maior demonstração de respeito e harmonia, expressão maior da energia do Universo. O homem é parte dela, assim como ela é parte do homem. Em simbiose perfeita, um compõe o outro. Assim, viver em paz consigo mesmo, significa viver em paz com o meio ambiente e consequentemente com tudo que o planeta abriga. É prioritário que esse objetivo se instale na raça humana como forma de sobrevivência.

Lembrando que é a única saída para a preservação da Grande Mãe Terra, tendo em vista a escalada de destruição que assolou o planeta pela desorganização moral, consciência egoísta, deslumbramento tecnológico e cientifico, passando pela desagregação social e atingindo o circuito natural das leis que regem o universo.

Poderá ser tarde demais, quando a humanidade se der conta do que fizemos com o nosso habitat, e com todos os seres que integram o nosso espaço sagrado, a Terra.

Assim, resta-nos orar a um Ser Superior, a uma Deusa, ou Deus, independente da forma como Os concebemos, mas orar a energia da criação. Pedir, clamar com veemência para que se instalem em nós, em forma de luz, que nos faça vislumbrar o caminho da paz, do equilíbrio, e do respeito humano.

Que as leis dos homens, que estabelecem o respeito aos direitos humanos, não se resumam em um monte de folhas amareladas, queimadas e levadas ao vento sobre os escombros de uma civilização destruída.

Que os nossos descendentes possam passar adiante, para as gerações futuras, o respeito e o exemplo de como a raça humana foi capaz de se transformar, em prol da harmonia no mundo.

Que este terceiro milênio seja inserido nas paginas da história do homem, como o século que desenvolveu a unicidade da paz entre os homens do planeta terra.

Que assim seja e assim se faça!

- Graça Azevedo / Senhora Telucama -
(Suma Sacerdotisa do Templo Casa Telucama)

"O universo é meu caminho; o amor, a minha lei; a paz, o meu abrigo. A experiência, a minha escola; a dificuldade, o meu estímulo; o obstáculo, a minha lição; a Sabedoria, meu objetivo; a compreensão, minha benção; o equilíbrio, minha atitude, a perfeição, minha meta, a plenitude, meu destino."

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