CURVO-ME AOS PÉS DE MEU GRACIOSO PAI, MARPA! - por Jetsün Milarepa

No interior do templo do Monte Bodhi, meu corpo.
No interior de meu peito, onde está o Altar,
No interior da câmara superior e triangular dentro de meu coração,
O Cavalo da Mente, movendo-se como o vento, salta.
 
Que Laço pode ser usado para prender esse Cavalo?
Em que Poste deve ele ser amarrado?
Que Comida se lhe deve dar quando faminto?
Que Bebida se lhe deve dar quando sedento?
Em que Estábulo se deve colocá-lo quando enregelado?

Para prender o Cavalo, utilizai, como Laço, a Unidade de Propósito;
Deve-se amarrá-Lo, quando agarrado, ao Poste da Meditação;
Deve-se alimentá-Lo, quando faminto, com os Ensinamentos do Guru;

Deve-se dar-lhe de beber, quando sedento, do Fluxo da Consciência;
Deve-se recolhê-lo, quando enregelado, ao Estábulo da Vacuidade.

Como sela, utilizai a Vontade; como Brida, o Intelecto;
Prendei Nele, como Cilhas e Rabichos, a Fixidez Imóvel;
Passai-lhe, como Cabresto e Focinheira, os Ares Vitais.

Seu cavaleiro é o Jovem de Intelecto [a Aguda Vigilância].
O Elmo que ele porta é o Altruísmo Mahayânico;
Em suas costas carrega a Concha da Paciência;
Segura nas mãos a longa Lança da Aspiração;
E em seu flanco empunha a Espada, a Inteligência;

O polido Bambu da Mente (ou Causa Universal),
Endireitado pela ausência de raiva ou ira,
Farpado com os Tufos das Quatro Virtudes Ilimitadas,
Pontilhado com a aguda Cabeça da Flecha do Intelecto,
E armado no flexível Arco da Sabedoria Espiritual,

E aí fixado, na Abertura do Sábio Caminho e do Método Correto,
Ele se lança à plena compreensão da Comunhão Total;
E assim arremessadas, as flechas caem sobre todas as Nações.
Elas atingem os Piedosos e matam o Duende do Egoísmo.

- Milarepa -

- Nota de Wagner Borges: Jetsün Milarepa nasceu em 1052 d.C.; Santo budista e iogue Tibetano, ele é reverenciado como um dos grandes mestres espirituais do Oriente.

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