Conversando com Nascimento, um Amigo Extrafísico

Como vai, meu rapaz?
Faz tempo que não conversamos.
Também, com tantas atividades de trabalho e estudo em ambos os planos, não sobra muito tempo para uma boa conversa. Mas, sempre me lembro de você e de nossa amizade e brincadeiras.
Convivemos por poucos anos de estrada terrestre, mas o nosso breve convívio foi produtivo demais. Afinal, fui eu que lhe apresentei os livros do mestre Aivanhov e insisti para que você se aprofundasse em seus estudos.
Valeu a pena e gerou desdobramentos muito criativos em seu trabalho à época.
Lembra-se?... Você via um espírito de barba branca e não sabia quem era.
Eu logo desconfiei que tratava-se do mestre Aivanhov (1) e, depois, tudo se confirmou.
Quero dizer para você que ler é bom demais, mas a experiência prática é o que realmente ensina e dá a segurança necessária em cada situação.
Você sabe que eu era bem tapado em relação a sentir as coisas e secretamente invejava você e os outros que sentiam e viam tudo o que eu não percebia no invisível.
Pois, agora, a situação é bem outra. Aprendi a trabalhar as energias e aplico passes que é uma beleza.
Tenho ajudado muitas pessoas na hora de seus desprendimentos espirituais finais.
Auxilio-as a desprenderem-se de seus corpos e a desembaraçarem-se das energias remanescentes do cordão de prata e dos chacras (2).
Estou fazendo o mesmo que você e, agora, estou bom nas percepções das coisas.
Meu negócio é mexer com as energias, e assim tenho me desenvolvido muito.
Meu chacra frontal (3) está tinindo, e me sinto tão bem que até tenho que controlar um pouco a minha alegria. Porque, às vezes, eu fico muito eufórico e me deixo levar um pouco sem pensar. Isso é bom - e ruim, ao mesmo tempo.
Bom porque me impulsiona e dinamiza meus processos energéticos, me faz querer crescer mais... Por outro lado, se eu não me cuidar direitinho, posso ultrapassar os limites e exagerar na dose, se é que você me entende.
Em alguns momentos, a inércia espiritual das pessoas me impacienta, e dá vontade de bater em algumas delas (digo isso com muita boa vontade e sem nenhuma intenção esquisita), e chacoalhá-las um pouco, só para ver se mudam algo.
Trabalhando no desprendimento final de muitas pessoas (não gosto do termo "desencarnar", sempre achei horrível), tenho visto muitas coisas e aprendido bastante sobre Psicologia.
É que escuto tantas reclamações e conversa fiada que, só com muito bom humor para não bater em algumas delas. E olha que o pessoal apronta muito em vida e, na hora final, quer um tempo a mais – ou, então, barganhar um lugar no Astral com suas quinquilharias religiosas e cheias de mofo e hipocrisias acumuladas.
Nos meus plantões, eu não quero nem saber: nem escuto o que eles dizem mentalmente, ou o porquê de seus dramas. Vou lá e manipulo as energias para desligar o cordão de prata (4) e soltá-los para o plano astral correspondente.
E, depois, que os seus guias espirituais resolvam o bolo e os despachem para os caminhos que eles precisarem. Meu negócio é ir lá e "descosturar" os filamentos energéticos do cordão de prata e dispersar suas energias para o pessoal cair fora da carne.
Agora entendo o que você me dizia anos atrás, que trabalhar com as pessoas é muito difícil, e só levando na esportiva é que se aguenta o tranco de perceber o que elas aprontam.
O pessoal daí reclama para sair do corpo na hora final. Já o pessoal daqui reclama na hora de reencarnar e ter que aturar as provas da vida na carne.
São muitas reclamações e pouca maturidade para compreender as leis da natureza e seus processos de evolução.
Você estava certo: só fazendo piadas e rindo muito é que se aguenta este trabalho espiritual.
Como vão os livros?
Você sabe que precisa publicar mais coisas e se organizar para fazê-las circular e chegar às pessoas que precisam de informação espiritual descomplicada e leve na abordagem.
A prática é o que ensina mais, porém, a leitura adequada ajuda a compreender as coisas e dá cancha para pensar e refletir em cima do que se lê.
E no mundo, do jeito que está, com muito lixo sendo jogado na cara das pessoas pela mídia da comunicação em seus vários segmentos, ler é um santo remédio contra a mesmice e a sandice vigente, desde que o tema da leitura seja criativo e interessante sob o ponto de vista da saúde mental de quem lê.
Lembra-se daquela brincadeira que você sempre fazia, de dizer que eu tinha sido um editor de livros pornográficos na outra vida?... E que por isso eu tinha o compromisso cármico de trabalhar com livros espiritualistas nessa última existência?
Pois é, não vou dizer que você tinha razão total nisso, mas é quase isso. Nada tão desabonador, se é que me entende, mas também não é algo de que me orgulhe.
De qualquer jeito, é passado - e dane-se mesmo! Já fiz a minha parte e resgatei o que tinha que resgatar.
Sei que você não sabe de alguns detalhes da minha passagem final por aí, mas posso dizer-lhe que a mistura da fumaça do cigarro e muita gordura rodando no meu corpo não me fizeram muito bem e acabaram me tirando de circulação.
Eu não me cuidava direito mesmo, e essa indolência com o corpo tinha a ver com os resquícios da existência anterior, sobre a qual não interessa muito comentar com você no momento.
Sabe por que você ontem ficou-se lembrando tanto daquela nossa amiga em comum?
É que eu não conseguia acessá-lo espiritualmente (entenda, isso não é uma crítica, sei de suas atividades e do desgaste que elas acarretam) e, por isso, projetei o nome dela na sua mente por um tempo.
Fiz isso e fui embora, sabendo que hoje você já estaria mais receptivo à minha presença. Somos amigos, mas estamos em planos diferentes, por isso esse meu recurso para chamar a atenção do seu subconsciente e direcioná-lo para a minha vibração espiritual específica.
Que bom vê-lo novamente e notar que sua luz aumentou e que você continua trabalhando espiritualmente sem se perder. É um prazer ver que um amigo está bem e fazendo o que ama.
Aí na Terra, muitos pensam na passagem entre planos como algo embaçado. No entanto, esse raciocínio é equivocado.
Olhando essas pessoas do plano onde estou radicado no momento, elas é que me parecem embaçadas de todos os jeitos.
Para a minha visão espiritual, cada ser humano da Terra está envolvido em uma espécie de biombo enevoado (5) cheio de formas mentais flutuando a sua volta.
Se algumas delas me percebessem, diriam: "Que estranho, vi um espírito."
Porém, eu não sou estranho só porque vivo em um corpo espiritual livre da carne, elas é que são estranhas, pois vivem iludidas em relação a muitas coisas. E, depois, ainda reclamam quando é hora de serem despejadas do corpo para fora.
De minha parte, posso dizer que sou o mesmo homem de antes, um pouco melhorado, é verdade. Não me sinto nem um pouquinho morto nem estranho.
Não carrego nenhum biombo cinzento à minha volta nem sou zonzo quanto às muitas realidades espalhadas pelos infinitos planos de manifestação.
Você está vendo o meu sorriso e sente o meu abraço, mesmo em planos diferentes.
Pareço estranho ou uma alma penada?
Pareço um cascão astral (6) - ou coisa do gênero?
Uma forma-pensamento poderia lhe abraçar assim?
Na vida das pessoas, há muitas coisas estranhas, mas sair do corpo definitivamente não é uma delas. Viver com o corpo espiritual é mais natural do que viver com o corpo físico, mera vestimenta terrestre que só dura uma vida.
Adaptando uma linguagem da época da minha infância, digo o seguinte: "Estranho é a vovozinha!"
Agora que já matei minha saudade de você e passei o recado (quem diria, hein?... Você pegando um recado meu. Eu que sempre lhe pedia um recado espiritual, agora estou passando um), vou fazer umas coisas por aí e, talvez, se tudo correr de acordo, assistir à sua palestra mais tarde.
Continue com seu trabalho e seu bom humor em tudo na vida.
E nunca se sinta ferido pelo que as pessoas aprontam de complicado, pois o problema é delas mesmas - e as consequências espirituais também.
E vê se não enrola muito com os livros, edita logo!
Um abraço apertado desse seu amigo que gosta muito de você.
 
- Nascimento -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 06 de abril de 2001.)
 
- Nota de Wagner Borges: Nascimento era meu amigo e "descascou" em 1992, aos 62 anos de idade. Tinha uma livraria espiritualista no centro de São Paulo, onde eu comprei muitos livros e que era muitas vezes um ponto de encontro para um bom bate-papo espiritual. Fiz muitas amizades lá.
Na época que o conheci (1989, ano em que eu mudei-me do Rio para São Paulo), houve uma simpatia mútua, e daí nasceu uma amizade que durou apenas três anos, pois logo depois ele se mandou do corpo e foi morar do "lado de lá".
Em uma outra hora, contarei sobre a primeira vez que ele apareceu para mim uns meses depois de ter ido embora, e os detalhes da sua passagem final e chegada no plano extrafísico.
 
- Notas do Texto:
1. Omraam Mikael Aivanhov (1900-1986) - mestre espiritualista búlgaro, que morou a maior parte de sua vida na França, onde fundou a Fraternidade Branca Universal (não confundir com a Fraternidade Branca do Himalaia). É um dos mentores espirituais dos trabalhos do IPPB.
A partir do ano de 1988, comecei a vê-lo durante algumas projeções fora do corpo e ele começou a me passar informações destinadas ao esclarecimento espiritual.
Foi através do Nascimento que consegui descobrir os detalhes sobre a vida dele.
Mais informações sobre o seu trabalho podem ser conseguidas em nosso site - www.ippb.org.br -, no seguinte endereço específico:
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&;view=article&id=6570&Itemid=258  - e também na coluna que contém as suas mensagens espiritualistas:
2. Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi -, do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.
3. Chacra frontal: vórtice energético situado no campo energético da testa.
No caso do Nascimento, pelo fato dele estar "descascado" e manifestando-se pelo corpo espiritual (também chamado de corpo astral, perispírito, psicossoma, corpo sutil, ou corpo de luz), trata-de do chacra frontal (parachacra) do corpo extrafísico.
Há chacras no duplo etérico (temporários e apenas por uma vida), e chacras no corpo espiritual (parachacras, mais sutis e relacionados às funções de um corpo sutil no plano astral).
Quando a pessoa está encaixada no corpo físico, os chacras e os parachacras estão interpenetrados e funcionando em conjunto. No entanto, quando ela se desprende do corpo, seja numa projeção da consciência, ou na morte (projeção final), e manifesta-se no plano extrafísico, ela está se utilizando do corpo extrafísico e seus parachacras, que podem ser considerados os centros energéticos desse veículo de manifestação - mais sutilizado que o corpo físico.
Os chacras do campo energético do corpo permanecem ligados a ele, pois suas funções são relacionadas ao plano mais denso. Entre os chacras do corpo e os parachacras do corpo extrafísico, há os filamentos energéticos do cordão de prata, elo de ligação vibracional entre os corpos durante a projeção extrafísica.
Obs.: Para mais informações sobre o duplo etérico, ver o texto “Diferenças Entre o Duplo Etérico e o Psicossoma”, no seguinte endereço específico do site do IPPB:
4. Para mais informações sobre os mecanismos energéticos do cordão de prata nas projeções extrafísicas, favor ver o texto "Descrições do Cordão de Prata", no seguinte endereço específico do site do IPPB: http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&;view=article&id=4275&catid=62:wagnerborges&Itemid=174.
5. O biombo enevoado ao qual ele se refere aí é a aura, o campo energético que envolve o corpo. No caso dele, "descascado" em boas condições espirituais e livre de corpo, ele apresenta uma aura que reflete apenas o corpo espiritual e suas emoções - e o corpo mental e seus pensamentos.
No caso das pessoas no plano físico, elas portam uma aura que expressa maior densidade, devido às energias do próprio corpo físico, veículo de manifestação mais denso, e o duplo etérico (corpo vital, holochacra), campo energético de ligação dos corpos sutis com o corpo denso, onde estão situados os chacras e o cordão de prata e que pertence ao plano físico também, desagregando-se junto com o cadáver.
6. Segundo a Teosofia, o cascão astral seria uma espécie de agregado extrafísico contendo uma forte carga psíquica do desencarnado que passou para o plano mental e despojou-se definitivamente do corpo espiritual. Seria algo parecido a um cadáver astral e que poderia ser atraído para a aura de um médium, despejando nele toda a carga psíquica das memórias do desencarnado de outrora. Pelo menos essa foi a explicação arranjada no século 19 para tentar dizer que os espíritos não podem se comunicar após a morte.
Na verdade, isso era puro jogo de cena para tentar negar a comunicação interplanos. E posso dizer isso com conhecimento de causa, pois conheço profundamente as obras teosóficas e sou grande admirador da Blavatsky e aprendi muito com as descrições clarividentes de Leadbeater, Anne Besant e outros. Mas, essa questão do cascão astral é um dos furos teosóficos. O que se vê mesmo são espíritos, bem vivos e atuantes. E isso não tem nada a ver com doutrina alguma, é a realidade.
Por exemplo, o fato de eu perceber o meu amigo extrafísico não me torna espírita, ocultista ou pertencente a qualquer doutrina da Terra. É apenas a realidade extrafísica das coisas e dos seres.
Agora, é possível um sensitivo enganar-se e ver uma forma-pensamento e achar que é um espírito. Como é possível, também, o contrário: um sensitivo ver um espírito e achar que é uma forma-pensamento devido aos seus condicionamentos doutrinários. Além disso, ainda há aqueles que acham que tudo que aparece é o diabo.
Bom, isso é problema da falta de discernimento espiritual de cada um. Por aqui, eu sou real e o Nascimento também. Irreal, talvez, seja a interpretação das pessoas segundo seus condicionamentos limitantes para algo tão comum quanto dois amigos de planos diferentes se comunicarem exatamente por causa da afinidade que os liga.
A morte não mata a consciência e muito menos o Amor de ninguém. Na sintonia certa e com discernimento e responsabilidade é possível comunicar-se pelo pensamento e pelo coração, pois o espaço e o tempo são limites apenas para o corpo físico.
Mesmo dentro do corpo ainda somos, todos nós, espíritos imortais e contendo capacidades conscienciais infinitas. Estar dentro ou fora do corpo são apenas detalhes interplanos. O importante é estar bem, dentro ou fora do corpo, e fazer o melhor possível nesse vasto universo interdimensional de Deus.
Obs.: Finalizando essas notinhas de rodapé do texto, nas quais eu aproveitei para explicar alguns mecanismos dos veículos de manifestação da consciência, reproduzo um trecho do ótimo livro "Pérolas No Fio", do iogue extrafísico Yogashrishinam (recebido espiritualmente pelo espiritualista baiano Elzio Ferreira de Souza - edição do Círculo Espírita da Oração):
"O discípulo acostumara-se a sentar aos pés do mestre e absorver, no seu silêncio, as lições de vida.
Um dia, resolveu questioná-lo diretamente sobre os espíritos.
- Senhor, os espíritos se comunicam conosco?
- Por que não? Não te esqueças de que somos espíritos e há muito nos comunicamos com ou sem palavras. Por que seria diferente se um de nós já tivesse alcançado o outro lado da praia?"
 

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