Conversando sobre Espiritualidade Celta, Xamanismo e Projeção da Consciência

 
(Entrevista com Wagner Borges no Jornal “Correio da Bahia” – ano de 2003)
 
- Pela jornalista Cássia M. Candra -
 
- O que o levou a elaborar um programa sobre os celtas?
- Wagner Borges: Há uns dois anos, escrevi um texto enquanto escutava um CD de música celta. O mesmo falava de um processo iniciático de dois amigos nas montanhas sagradas do povo celta. O seu título é “Tambores Celtas”.
Baseado nessa inspiração que tive ao escrever o texto, pensei em pesquisar melhor a tradição espiritual dos celtas antigos.
Ao longo dos anos tenho pesquisado bastante aquela Espiritualidade baseada no Oriente, sobretudo no Hinduísmo e no Taoísmo, além de coisas do Hermetismo oriundo do Egito. Depois, pesquisei bastante sobre o Budismo, notadamente o Tibetano.
Acoplei isso tudo ao Espiritualismo oriundo do Ocidente (Espiritismo, Teosofia, Ocultismo, Umbanda, e o Espiritualismo tradicional), e aos estudos das bioenergias (chacras, aura) e das projeções da consciência para fora do corpo físico (viagem astral, projeção astral, experiência fora do corpo).
Então, logo após a inspiração do texto, pensei que estava faltando uma abordagem moderna em cima da espiritualidade celta. Nada baseado nos rituais e na religiosidade celta, mas naquela espiritualidade espontânea que ficou meio que perdida após a chegada do Cristianismo entre eles.
Eu sempre soube que os celtas antigos valorizavam bastante o contato com o Invisível, principalmente em relação à mediunidade e às experiências fora do corpo. Daí  fui atrás e pesquisei diversas obras celtas. No entanto, não encontrei muita coisa a respeito desse lado mais espiritual deles. A maioria dos pesquisadores enfocava apenas o lado tradicional e ritualístico celta.
No meu caso, eu estava mais interessado em achar material mais espontâneo, com algumas coisas que eu pudesse aproveitar nos dias de hoje dentro do estudo da espiritualidade mais universalista. Além disso, ainda havia todo o lado da inspiração celta na música e na poesia.
A essa altura, li um excelente livro do pesquisador irlandês John O´Donohue chamado “Anam Cara” (Editora Rocco).
Nesse livro, o autor evocava muito dos ensinamentos espirituais celtas inseridos esotericamente dentro das poesias e canções. Depois, li uma segunda obra dele: “Ecos Eternos” (também da Editora Rocco).
Baseado em seu trabalho, fiz uma releitura espiritual desses ensinamentos. Isso porque o trabalho dele é baseado dentro de preceitos cristãos mesclados com os ensinamentos celtas que ele aprendeu desde a infância na Irlanda. Daí desenvolvi um trabalho espiritualista em cima dessa releitura.
Posso dizer que esse curso celta é uma viagem espiritualista cheia de poesia, música e espiritualidade mesclada com noções de percepções mediúnicas, de saídas do corpo e de contatos com o Invisível que circunda a todos nós.
 
- E sobre o Xamanismo?
- Wagner Borges: Há uns dez anos, surgiu um espírito pele-vermelha americano numa de minhas experiências fora do corpo e me disse o seguinte:
“Você tem o compromisso espiritual de fazer um trabalho de adaptação dos ensinamentos xamânicos com os seus estudos de saídas do corpo e chacras. Esse trabalho será feito como um resgate dos ensinamentos espirituais dos povos  indígenas de vários lugares para as pessoas de hoje.”
O tempo passou e eu sempre protelei de montar esse trabalho. Porém, sempre recebi diversas mensagens espirituais de xamãs ao longo dos anos (diversas delas estão em meu livro “Falando de Espiritualidade” – Ed. Pensamento).
No ano passado, resolvi montar esse material finalmente.
Inicialmente, fiz uma releitura da espiritualidade dos xamãs Tupi-Guaranis aqui do Brasil mesmo. Fiquei surpreso com a riqueza espiritual deles.
Ao pesquisar um excelente livro de Kaká Werá Jecupé chamado "Tupã Tenondé" (Editora Fundação Peirópolis), tive vários clarões intuitivos sobre esse povo que ocupava toda a área litorânea do Brasil antes dos portugueses chegarem por aqui.
Esse livro fala da criação do universo, da Terra e do homem dentro da cosmogonia Tupi-Guarani.
Estudando esse material fiquei surpreso com tanta sabedoria intuitiva desse povo. Em determinados trechos da obra parecia que eu estava estudando conceitos do Tao Te Ching (de Lao-Tzé) ou dos Upanishads (dos rishis da antiga Índia), tamanha era a correspondência entre eles.
Depois, fui acoplando diversos ensinamentos dos povos peles-vermelhas do  norte e centro das Américas. O resultado disso é esse curso “Viagem Xamânica”, que é uma releitura espiritualista desses ensinamentos adaptados às pessoas que vivem nas cidades.
Não é um material voltado para a tradição ritualística xamânica. É um estudo completamente espiritual voltado para os ensinamentos xamânicos dentro da área das experiências fora do corpo e os estados alterados de consciência.
 
- Qual o poder que os ensinamentos deles têm hoje sobre as sociedades contemporâneas?
- Wagner Borges: Os celtas antigos e os xamãs de todas as épocas tinham uma coisa em comum: o respeito pela Natureza. Muitos de seus ensinamentos são semelhantes em essência, notadamente no contato com o Invisível Imanente que rodeia a tudo e a todos.
Essa espiritualidade dos antigos vem sendo resgatada há tempos pelas doutrinas espiritualistas em geral. Além disso, os valores de preservação da Natureza e de respeito à vida que eles sempre ensinaram estão cada vez mais dentro das referências contemporâneas.
Um detalhe espiritual celta: Alan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail; 1804-1869), o codificador do Espiritismo, é um pseudônimo celta adotado por influência espiritual. Um dos espíritos que se comunicava com ele informou-lhe que, numa vida passada, ele havia sido um druida, um dos  sacerdotes do povo celta antigo, e que seu nome anterior era Alan Kardec. Daí, ele acabou adotando o nome, e assim ficou conhecido. Inclusive, acho que os espíritas não se aprofundaram quanto a essa ascendência espiritual celta de Kardec.
E como os celtas antigos trabalhavam bastante com a mediunidade, penso que muito do que ele estudou dentro dos fenômenos mediúnicos e das mensagens espirituais na França do século 19, baseou-se nos seus conhecimentos celtas anteriores, que lhe deram um cabedal intuitivo espontâneo na abordagem sistemática que ele adotou no estudo da espiritualidade.
Resumindo: ele afiou as “antenas espirituais” entre os celtas em vivência anterior, para depois utilizá-las nos estudos que o levaram à codificação espírita no século 19. O engraçado é que quando conto isso para alguns amigos espíritas, eles ficam  surpresos inicialmente. Depois se lembram de que o nome Alan Kardec é celta, e aí dizem:
“É verdade! Mas, como é que é essa espiritualidade celta? É verdade que eles acreditavam em reencarnação e praticavam a mediunidade de forma simples?”
 
- O tema de sua palestra é sobre viagem extrafísica?
- Wagner Borges: Sim. É uma palestra sobre os sintomas parapsíquicos que surgem por causa das experiências fora do corpo (sensação de acordar e não conseguir se mexer nem abrir os olhos; sensação de falsa queda logo no início do sono; sensação de que o corpo está inflando; sensação de que ondas energéticas varrem o corpo por dentro; formigamento; e ruídos intracranianos).
As experiências fora do corpo são chamadas por vários nomes, dependendo da doutrina ou do contexto aonde são abordadas: viagem astral, projeção astral, projeção da consciência, desprendimento espiritual, saída em astral, viagem da alma, projeção do corpo psíquico, e outros.
Essa experiência parapsíquica é potencial de todos os seres humanos, e permite o acesso espiritual direto a outros planos de manifestação, incluindo nisso aquelas paragens espirituais onde estão os entes queridos que foram morar “do lado de lá” da vida.
Enquanto o corpo físico permanece adormecido, a consciência se projeta para fora dele, temporariamente, e viaja aos planos extrafísicos e vivencia o contato direto com o Invisível.
Essa experiência é mais normal do que se imagina, mas muitas pessoas que passam por ela não sabem do que se trata e aí ficam apavoradas quando sentem alguns sintomas que não compreendem.
Nessa palestra explicarei a causa básica de alguns desses sintomas projetivos e como fazer para lidar tranquilamente com eles. Posso fazer isso porque experimento esses sintomas desde os meus 15 anos de idade, e os conheço muito bem.
E o legal disso tudo é que esses temas podem ser abordados de uma maneira bem simples, humana e universalista. Se adicionarmos a isso o bom humor, o amor, o discernimento e a vontade de crescer e se tornar um ser humano íntegro e interessante consciencialmente, então algo de muito bom acontece em nosso íntimo. Passamos a sentir a pulsação divina pulsando junto com o nosso próprio coração.
(Wagner Borges é pesquisador, projetor e sensitivo espiritualista, nascido no Rio de Janeiro em setembro de 1961; é conferencista e autor de vários livros, dentre eles a série de livros “Viagem Espiritual” - É  o fundador do Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas de São Paulo - IPPB - http://www.ippb.org.br).
É colunista de várias revistas dentro da temática espiritual e de vários sites da Internet. É instrutor de cursos de Projeção da consciência (viagem astral), Bioenergia
(aura e chacras), Hinduísmo, Taoísmo, Hermetismo, Mediunidade, Espiritualidade Celta, Xamanismo e temas espirituais em geral.)
 
(Entrevista publicada na seção Oráculo do Jornal “Correio da Bahia”, de Salvador, em 19 de janeiro de 2003).

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