Viagem Espiritual

(Por Alex Aprim e Gilberto Schoereder)
(Entrevista com o prof. Wagner Borges publicada na Revista Sexto Sentido número 14 - setembro de 2000)

O radialista e escritor Wagner Borges vem desenvolvendo excelente trabalho na pesquisa da chamada projeção astral, fenômeno que ocorre com ele desde a adolescência. Sempre com explicações claras e objetivas, Wagner já ensinou técnicas de projeção consciente a milhares de pessoas.

- Como você começou seus estudos na área espiritual?
Wagner: Eu tinha 15 anos quando comecei a ter experiências fora do corpo, mas não sabia como aquilo tinha acontecido e ficava muito apavorado. Achava que estava morrendo. Levei um ano para descobrir o que estava acontecendo.
Comecei a ter aquelas sensações, que muitos têm e não sabem identificar, e que são as seguintes: acordar sem conseguir se mexer, tentar abrir os olhos e não conseguir; tentar gritar para chamar alguém e não sair um som sequer; a sensação de que o corpo está inchado, ou aquela sensação de queda quando se está quase dormindo.
Isso foi na década de 70. Eu tinha apenas 15 anos e eram poucas as informações sobre o assunto. Depois de um ano, comecei a comprar livros sobre Espiritismo, Umbanda, Ioga, todas as áreas alternativas, o que me foi muito válido porque me manteve com a cabeça aberta desde o início. Eu lia de tudo. Nunca fiquei preso à coisa alguma, e fui descobrir que aquilo se chamava viagem astral e que várias filosofias falavam sobre esse assunto. Uma chamava de projeção astral, a Parapsicologia chamava de experiência fora do corpo, outros chamavam de desdobramento espiritual, mas o nome genérico era viagem astral. Hoje é conhecido como projeção da consciência.
Fui descobrindo sozinho o mecanismo de como funcionava uma saída do corpo. Por volta dos 18 anos, as experiências se intensificaram e eu comecei a ver seres extrafísicos, ou seja, aquilo que as pessoas chamam de espíritos, consciências extrafísicas, pessoas que viveram aqui e passaram para o lado de lá. E alguns deles começaram a me ensinar a aplicar energia. Eu aprendi a manipular energia fora do corpo e eles passaram a me levar em ambientes onde as pessoas tinham morrido e não estavam bem. Então, eu dava um passe nessas pessoas e elas, até então presas na Terra, passavam para o lado de lá e recebiam ajuda. A nossa energia fora do corpo é mais densa que a de seres mais avançados e, assim, somos usados para chegar às pessoas que às vezes morrem e ficam grudadas aqui. O passe muda o padrão vibracional do espírito e ele pode receber mais ajuda.

- Depois de obter conhecimento teórico você chegou a modificar as técnicas que havia desenvolvido ou apenas procurou adaptá-las?
Wagner: Eu procurei adaptar porque desenvolvi alguns recursos próprios, como qualquer pessoa que trabalha nessa área de maneira séria desenvolverá o seu mecanismo. Só que, lendo experiências de outros, você acaba adequando essas experiências às suas, fazendo uma mistura. Eu tenho um acervo muito grande de práticas, porque são vinte e poucos anos e o que passo para os outros hoje é uma mistura de tudo isso, mas principalmente calcado em experiências que desenvolvi e no que o pessoal do lado de lá me ensinou.

- Toda e qualquer pessoa pode fazer viagem astral? Por que alguns dizem que não conseguem, mesmo tentando diversas técnicas, enquanto outros apenas desejam e já estão fora do corpo?
Wagner: Essa capacidade é inerente a qualquer ser vivo, é um potencial humano, igual à capacidade de pensar no ser humano: alguns pensam mais, outros menos. Podemos dizer que uma pessoa tem 70% desse potencial desperto, enquanto outra tem 10%. É igual a qualquer outra capacidade humana. Basicamente, o principal pré-requisito para alguém sair do corpo é estar dentro do corpo.
Nós saímos de outra dimensão - vamos chamar de plano astral, espiritual - e viemos para cá reencarnados. Um dia a gente pode sair, e a morte é uma prova disso. Só que, durante a vida, nós podemos ter uma saída temporária, ainda ligados energeticamente ao corpo, o que envolve uma soltura energética maior na aura, uma abertura nos chacras da pessoa. Às vezes, a pessoa já traz esse potencial aceso de outra vida, já mexeu com isso em tempos antigos, foi iniciada nas artes espirituais e traz um potencial mais aberto do que a média, enquanto outras podem não se lembrar e, em um momento da vida, aquele potencial emerge e elas começam a ter experiências.
Têm certas coisas que bloqueiam, como o medo e a ânsia, que aceleram os batimentos do coração e impedem qualquer relaxamento. Pode ser que uma pessoa tenha a aura extremamente solta e saia do corpo com facilidade, mas não aproveita a oportunidade para aprender. Uma outra pessoa pode não ter a aura tão solta, mas está estudando com afinco, e pode ter uma experiência onde aprende tudo de que precisava. A aplicação prática e a abertura que isso traz vai da maturidade de cada um.

- Existe algum risco para a saúde da pessoa que está fazendo projeção astral?
Wagner: Existem muitas lendas sobre este assunto. Antigamente, o pessoal falava para ter cuidado quando saísse do corpo porque podia entrar um espírito e a pessoa não conseguiria voltar. Isso é lenda! Nem na mediunidade o espírito entra no corpo; ele interpenetra a aura, o campo energético e a mente da pessoa. Dizia-se também que, durante uma saída do corpo, poderia vir um ser das trevas e partir a ligação energética entre o corpo espiritual e o corpo físico, o chamado cordão de prata, o que também é uma lenda. O nome cordão de prata é simbólico: ele é uma extensão luminosa, um conduto energético e energia não nasce e nem morre, só é transformada. Não há como destruir o cordão de prata. Só na hora da morte a carga vital é desgastada e o espírito se desprende de vez.
Dizia-se até que muita gente morreu fazendo viagem astral. Até hoje, nunca se acordou alguém que morreu dormindo para perguntar se ela estava fazendo viagem astral. Isso é um mito que grupos antigos e conservadores projetavam para o público com a intenção de evitar o acesso das pessoas ao assunto.
Tecnicamente falando, não há nenhum perigo em uma saída do corpo, porque a pessoa está tendo uma experiência psíquica, em um corpo extrafísico, que não tem como causar impacto físico no corpo, na volta. O impacto pode ser psíquico, a partir do que a pessoa vê e do que ela percebe. Por exemplo, a pessoa sai do corpo e vê um acidente de avião ou de carro e vê as pessoas se desprendendo do corpo na hora fatal. Uma pessoa pode olhar aquilo friamente enquanto outra pode tomar um susto e ser puxada pelo cordão de prata para o corpo, porque o susto acelerou o metabolismo. A pessoa acorda e pode ficar meio agoniada, mas não foi a experiência que causou aquilo e sim a falta de maturidade ao observar um evento. Esse é um ponto a se considerar, ou seja, o que a pessoa vê e percebe pode trazer impressões psíquicas capazes de afetá-la emocionalmente.

- Segundo alguns relatos, dependendo das condições extrafísicas em que a pessoa se encontra - de repente ver-se num meio em que é supostamente atacada - ela psicossomatiza isso no corpo. Uma coisa desse tipo é impossível?
Wagner: É possível. Por exemplo: fora do corpo a pessoa pode sofrer um ataque espiritual. Quem ataca? Um espírito denso, pesado, à procura de energias pesadas, alguém ligado à pessoa de outras vidas, que tem uma encrenca com ela e aproveita que ela saiu do corpo para tentar um acerto de contas. Agora, tecnicamente falando, o que um ser extrafísico pode fazer com seu corpo espiritual projetado? O que um espírito pode fazer com o corpo espiritual de alguém? Ele pode enforcá-lo? Não, porque você não respira. Ele pode dar um tiro no seu coração espiritual? Não, porque você está em um corpo extrafísico, um corpo luminoso que trabalha em outra freqüência, ou seja, não há como provocar uma agressão como se faz com o corpo físico.
Mas uma coisa é certa: o corpo espiritual reflete o que a pessoa pensa. Se uma determinada entidade fala para alguém ´eu vou te matar, eu vou te bater´ e a pessoa entra nessa sugestão, ela cria um clima esquisito que a coloca na freqüência pesada daquele espírito. O espírito sabe que não pode afetar a pessoa, mas também sabe que ela não sabe disso. Então, ele usa da sugestão, que é arma de várias obsessões. A pessoa cria o medo, que baixa a freqüência do padrão vibracional e ela então pode perder energia ou receber uma descarga pesada na freqüência daquela entidade pesada. O cordão de prata vai tracionar, puxá-la de volta por reflexo e ela pode trazer essa impressão para dentro do corpo, sentindo-se mal por vários dias. Isso, sim.

- Você tem contato com extraterrestres no plano astral?
Wagner: O que vou falar é minha opinião pessoal a partir de minha experiência. O maior contato que existe é o contato espiritual com esse pessoal de fora. Na minha opinião, 80% dos contatos de seres humanos com criaturas de outros lugares é por meio da saída do corpo durante o sono. Eles também saem do corpo e interagem com as pessoas, dando orientações, lançando intuições e idéias, porque o objetivo deles é fazer a raça humana alavancar.
Eles não podem se intrometer diretamente, então ficam nos bastidores tentando injetar alguma coisa legal. Obviamente, isso não exclui o contato físico, de terceiro grau. Eu só estou dizendo que existem contatos espirituais e que eles são a maioria.
Não foram muitos contatos, mas eu já vi vários seres, de vários lugares - seres iguais a nós, humanóides, bem parecidos, mas com grau de consciência um pouco melhor. Já vi outros que não têm aparência humana, aqueles tipos clássicos, com a cabeça grande, os olhos oblíquos. Eu nunca esqueci a frase que uma dessas criaturas falou para mim: "Nós estamos aqui na Terra para fazer um saneamento básico das mentalidades humanas". Saneamento básico é tirar esgoto, ou seja, dar uma renovada, uma regenerada que possa alavancar um crescimento maior.

- O que você pensa sobre as notícias que mostram os extraterrestres como seres do Mal?
Wagner: Acho que existem muitos casos mal explicados e alguns governos estão fazendo uma espécie de terrorismo ufológico para esconder a verdade e espalhar o temor. Não se esqueça que a gente vive em um mundo onde, principalmente os EUA, comandam a mídia mundial, e 80% dos americanos são evangélicos que não vão admitir de jeito algum uma outra raça que chega à Terra sem qualquer evangelho, sem ser cristã. Além do mais, eles não admitem sequer a reencarnação, porque não admitem ser negros na próxima. Então, penso que muitas dessas coisas são fabricadas, mas não excluo que possa existir uma raça que tenha desenvolvido tecnologia sem ter obtido maturidade emocional e que olhe o ser humano como uma cobaia, sem nenhum sentimento ou amor. É provável que existam. Só acho que deve haver muito exagero por parte dos relatos.

 

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