CANTANDO COM O ETERNO NO OLHAR DE UM RISHI

(A Canção do Profundo na Senda dos Iniciados) - Por Wagner Borges - Ele chega bem de mansinho, no meio da noite da segunda-feira de Carnaval, enquanto estou em casa de molho, abatido por uma forte gripe. Mesmo com uma forte congestão nasal e o corpo dolorido, eu o vejo espiritualmente. Ele está dentro de uma aura dourada e rosa e me saúda à moda iogue. Seus olhos parecem dois faróis acesos pela graça do divino. A luz do discernimento e do amor brilha neles. Sua presença é portentosa e, ao mesmo, doce. Ele é a serenidade celeste feito homem. Ou o homem que se fez céu pela ascensão espiritual.
Ele me olha com amizade e eu me sinto tímido diante dele. Ele é um gigante do espírito e eu sou um anão que tropeça. Mas Ele me trata como igual, pois vê o divino em todos. Ele sabe que o Todo está em tudo! Ele é antigo na senda espiritual. Em seu olhar vejo milênios de aprimoramento e sinto a experiência que vem das estrelas. Ele conhece canções profundas, que falam da glória do Eterno e do porvir dos homens ao longo dos eons... Ele foi hierofante* de muitos iniciados nas terras quentes do antigo Egito e ascendeu espiritualmente pela força de sua consciência desperta. Depois, foi um dos sábios espirituais (rishis) que inspirou vários dos ensinamentos contidos nos Upanishads**. Ali, nas plagas da velha Índia, Ele cantou a glória de Brahman*** para os iogues e amantes do Senhor de todas as vidas. Sim, milênios de ensinamentos sublimes da senda espiritual brilham em seu olhar pacífico. Ele não precisa me dizer nada, pois eu sinto seu coração no meu e, aí, o poderoso fluxo do rio de sua consciência causa a cheia do espírito no pequeno lago do meu ego. Então, a luz explode dentro de mim! A cheia de amor dEle faz a luz transbordar de dentro do meu corpo, por todos os poros... E a noite nublada torna-se estrelada. O peso silencioso da noite é preenchido por muitas vozes sutis, dentro do coração, e elas falam de amor, união, paz, paciência, consciência, serenidade, e honra na jornada humana e espiritual. Sim, nenhuma palavra é dita no plano físico, mas eu escuto as vozes dos iniciados de todas as eras e linhas espirituais ecoando nas dobras do meu coração. Eu reconheço suas vibrações. Eles também estão na cheia de amor e transbordantes de luz. Estão em vários planos de manifestação, na Terra e além... No entanto, estamos unidos na senda do Eterno, pelos laços sagrados dos sentimentos que viajam pela graça do Todo e unem os corações. Ao meu lado, Ele apenas me observa tranqüilamente, como o pai olha o filho crescendo nas lides da vida e sabe que há muito a viver e aprender... Sim, Ele conhece muitas canções profundas, que aprendeu com as estrelas. Mas Ele não vibra ondas sonoras pelo ar, só canta de coração a coração, na sintonia do espírito. Suas canções só se propagam pela luz sutil... E, agora, também canto, em silêncio, o amor que palavra alguma poderá definir. Eu sei que outros irmãos de senda escutam o som sutil que brota de dentro do coração, em espírito e verdade. Nas asas do espírito, eu me junto aos iniciados de todas as eras e linhas e faço uma prece ao Grande Arquiteto Do Universo, pelo bem de todos os seres. Eu sei que os pensamentos e os sentimentos viajam pelo espaço... Eu sei que há canções profundas... Eu sei que muitos outros corações as escutam... Eu sei que outros também sabem e compreendem... E sei que há coisas que não têm preço, como o olhar sereno dEle. Esse olhar dos milênios de senda espiritual, cheios da luz do Eterno... Esse olhar, como de um padrinho sutil, que faz o meu coração transbordar de amor e a luz fluir de cada poro, até mesmo dos corpos sutis. Esse olhar que me lembra dos ensinamentos estelares, de ontem e de hoje. E que sempre guiarão os iniciados nas jornadas, pelo eons e eons de tempo, até que tudo seja feito, para o que as estrelas e as canções foram criadas, até que o coração se revele a Deus e o espírito se conheça. Até que sua canção seja profunda e linda, como deve ser. P.S.: No meio da noite de Carnaval, eu fui visitado pelo silêncio celeste. E, mesmo alquebrado fisicamente por causa de uma gripe, fiquei feliz. Porque escutei a canção profunda dos iniciados espirituais. E elas falam de amor, união, paz, paciência, consciência, serenidade, e honra na jornada humana e espiritual. Aqui e agora, agradeço a Ele, o amigo espiritual de olhos brilhantes e serenos, que, com sua luz dourada e rosa, encheu-me de amor. Como sempre, Ele não quer que eu revele o seu nome. E eu respeito isso. Segundo Ele, no mundo dos homens, o nome e a forma têm sua importância relativa, mas, no extrafísico, isso não tem importância alguma. O que vale é a qualidade do que a consciência pensa, sente e realiza em seus atos. O que vale é a luz que cada um apresenta e o que Deus lê na verdade de seu coração. Ele, que um dia inspirou vários tratados herméticos e os ensinamentos contidos nos Upanishads, inspirou minha noite, mais uma vez. E agora, eu só quero ficar em silêncio, para me unir à canção profunda dos iniciados de todas as eras e linhas espirituais, nos mesmos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.**** Paz e Luz. São Paulo, 04 de fevereiro de 2008. - Notas: * Hierofante – dentro das tradições herméticas de outrora, era o mestre que testava os neófitos – calouros – nos processos iniciáticos. ** Upanishads – a parte final dos Vedas, síntese da sabedoria espiritual dos sábios (rishis) da velha Índia. *** Brahman – do sânscrito – O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos. **** Para facilitar a compreensão dos leitores, reproduzo na seqüência dois textos (ambos postados no site do IPPB há anos) que apresentam fortes correspondências com esses escritos de hoje. UMA MONTANHA DE SABEDORIA NUM GRÃO DE MOSTARDA - por Wagner Borges - Quem poderá mensurar a profundidade da sabedoria contida no olhar de um Rishi? Miríades de estrelas dançam no brilho de seus olhos, que mais parecem dois sóis. Quem pega carona nesse brilho mergulha na consciência cósmica. Em seu silêncio, um oceano de compaixão! Alguém assim vê uma montanha de sabedoria num simples grão de mostarda. Vê o Todo em cada ser! Vê o Multiverso em uma simples partícula de luz. Vê o eterno no transitório. Alguém assim vê o sopro vital do eterno animando os corações e impulsionando a vida. Por isso, apenas olha, em silêncio. E, quem viaja em seu olhar, também vê o eterno em tudo. E compreende que um universo de bem-aventurança pode habitar a casa secreta do coração. Compreende que é um grão de mostarda despertando a sabedoria da montanha em si mesmo. Agradece ao Todo, por tudo! P.S.: Não dá para mensurar a profundidade do olhar de um Rishi, mas dá para ver um Himalaia de sabedoria em seu brilho. Essa sabedoria que um dia inspirou a realização dos Upanishads. A mesma sabedoria, que, até hoje, encanta meu coração. OM!* - Nota: Escrevi essas linhas logo após ter estudado alguns capítulos dos Upanishads, a parte final dos Vedas, síntese da sabedoria espiritual da velha Índia. Agradeço aos Rishis** pela inspiração contida nessa obra maravilhosa, que sempre enche o meu coração de admiração e contentamento, e me faz pensar em Brahman, A LUZ das luzes; O SOL dos sóis; O AMOR do amor; O Pai-Mãe de todos. São Paulo, 25 de novembro de 2006. - Notas do sânscrito: * OM – a vibração interdimensional do Todo que está em tudo! O verbo divino; no contexto hinduísta clássico, é o maior dos mantras. ** Rishis – sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads. UNIÃO Quando escuto a voz do meu coração, emana de mim um sentimento intenso, fruto maravilhoso da compaixão. Por trás de mim há milhares de vozes, todas falando de amor, espiritualidade e união. América, Europa, África, Ásia e Oceania, Ocidente e Oriente de mãos dadas. Há hindus reencarnando no Brasil, chineses nascendo na América, europeus vivendo na África, africanos nascendo no Japão, americanos nascendo no Egito, extraterrestres reencarnando na Terra e Deus vivendo em nós todos. Cristo, Buda, Krishna, Maomé, Fo-Hi, Lao-Tsé, Hermes Trismegisto, Bábaji, Lahiri Mahasaya, Paramahansa Yogananda, Ramana Maharishi, Francisco de Assis, Ghandi, eu e você, caro leitor, cantando juntos a mesma canção de estar em paz. Buscando, na mesma proporção, a sabedoria de unir o peito e a cabeça (coração e consciência) por uma manifestação melhor na existência. Na natureza, há estágios variados de aperfeiçoamento e estamos inseridos em um deles aqui na Terra, em algum continente, buscando a experiência. Mas, na verdade, não existe Ocidente ou Oriente, só há uma grande bola azulada, chamada Terra, viajando pelo espaço rumo à Evolução e precisando de algo chamado UNIÃO. - Rama* - (Recebido espiritualmente por Wagner Borges - Texto extraído do livro ´Viagem Espiritual I´; Editora Universalista - 1993). - Nota: * Rama – sábio mentor espiritual que durante anos me passou diversas mensagens espiritualistas profundas. Seus textos estão contidos no primeiro volume da série de livros “Viagem Espiritual”.

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