CÉU LEGAL

- por Wagner Borges - O Céu não escuta lamentações egoístas nem cede às pressões e chantagens emocionais dos homens. Há muita ilusão na maneira como os homens tentam se ligar ao Divino. Há preces que mais parecem evocações de climas violentos contra os outros – principalmente se o alvo mental da pessoa é alguém de outra religião ou ideologia. Neste mesmo instante, em lugares variados do mundo, há pessoas orando com bombas amarradas na cintura; e outras, vigiando e condenando a conduta alheia – de preferência, olhando aqueles “infiéis” e materialistas que pensam de forma diferente.
Porém, o Céu não compactua com qualquer espécie de radicalismo, seja de que tipo for. O Céu só escuta aquilo que brota diretamente do coração, em espírito e verdade. Pois só aquilo que é verdadeiro e luminoso é que sobe aos planos celestiais. Preces e evocações radicais, de nível egoístico, somente criam formas mentais cinzentas* que, em lugar de subir aos céus, apenas gravitam em volta da aura** da própria pessoa. E isso é o óbvio: como se elevar aos céus carregando, ao mesmo tempo, o peso das intenções escusas? Como falar com o Divino, se os pensamentos estão cheios de cargas psíquicas projetadas ocultamente contra os outros? Como falar de paz, sem ter paz em si mesmo? A Luz do Céu não se degrada atendendo aos pedidos engendrados pela arrogância dos homens. A Luz procura a Luz! O discernimento dissolve as ilusões, e o amor transforma tudo e todos, sem violentar ninguém. O Céu não força a barra, pois o Divino conhece bem o que se passa em cada coração. A Luz respeita o momento de cada um. Por isso, o Céu não segue essa ou aquela doutrina criada pelos homens da Terra. “Lá em cima”, quem manda é o Amor incondicional, que ama todos, naturalmente. E esse Amor está em tudo. Sim, o Céu é infinito, mas conhece cada partícula que faz parte do Todo. É eterno, mas compreende o transitório e o interpenetra completamente. A manifestação celeste é silenciosa; é pura compreensão serena e lucidez amorosa; é luz e amor integrados. O Céu é de onde viemos e para onde vamos... Que esse Céu inspire a jornada de todos nós, na Terra e além... São Paulo, 17 de maio de 2007.

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