CONSIDERAÇÕES SOBRE A ATIVIDADE ESPIRITUAL EM GRUPO

(Ou, Guinchos e Vôos na Senda Espiritual)

(Texto Postado Originalmente na Lista da Internet do Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB)

MORCEGO: animal noturno que guincha estridentemente e que gosta de lugares sombrios. Algumas espécies são vampiras. Não suportam a luz e seu habitat natural é cheio de excrementos bolorentos. É soturno.

ÁGUIA: animal portentoso que alça grandes vôos. Gosta dos espaços claros e abertos. Possui visão excelente. É carinhosa com os filhotes, mas não hesita em bicá-los quando eles passam dos limites. É forte e altaneira.

Usando esses dois animais como exemplo de comparação, podemos dizer que dentro das atividades espirituais não há como misturar morcegos com águias. Tais atividades são baseadas na claridade e na expansão dos horizontes conscienciais. Pela própria natureza de seus princípios não admitem trevas em suas energias. Não admitem "excrementos bolorentos" afetando a egrégora (1) do trabalho espiritual. Não permitem esquemas obscuros em seus procedimentos. Não permitem "guinchos egóicos" emitidos por pensamentos tortuosos.

No plano espiritual há uma hierarquia óbvia: as energias é que mandam.

Naturalmente que energias repletas de amor têm suas vibrações baseadas nos parâmetros superiores da Luz incondicional para todos os seres. Obviamente que quem apresenta maior grau de serenidade e equilíbrio em suas manifestações, demonstra cabalmente pela irradiação de suas energias o nível de sua consciência.

Logo, diante de objetivos maiores e calcados na assistência espiritual aos homens, que opinião pessoal poderá prevalecer? Quem questionará se os procedimentos espirituais são democráticos quando alguém grita de dor nos bastidores de um trabalho espiritual?

Nesses momentos, os amparadores extrafísicos (2) usam de sua natural autoridade, oriunda de seu equilíbrio, e sempre priorizam os objetivos coletivos da assistência efetuada.

Isso não permite questionamentos, da mesma forma que o cirurgião envolvido em operação de alto risco não dá trela para os residentes que o acompanham nos procedimentos.

Às vezes, pode até parecer que o cirurgião é duro com os seus parceiros de sala cirúrgica, mas sua responsabilidade sempre foi com o paciente, e isso não permite questionamento. E se os residentes vacilarem na sala em momentos cruciais dos procedimentos e ainda perturbarem o cirurgião, com certeza ele chamará a atenção de todos veementemente. E se algum dos parceiros se sentir ofendido, isso é problema de seu próprio ego que não soube mensurar a tarefa na qual estava envolvido e não teve humildade para aprender com o erro cometido em momento vital.

E se os residentes apresentarem novamente o mesmo padrão em outra cirurgia, o cirurgião terá todo o direito de não querer mais conviver com o mesmo problema, pois trata-se de atividade importante e que não é compatível com o ego infantil das pessoas e nem sujeita a melindres ou opiniões pessoais.

Os amparadores funcionam assim, também. E eles estão corretíssimos em sua postura. Diante de tarefas vitais desaparece o individual e prevalece o coletivo. Isso é básico na via espiritual e somente a vaidade das pessoas é que as impede de curvar a cabeça diante de tal responsabilidade.

Um grupo espiritual é uma sala de aula interdimensional e uma oficina espiritual ao mesmo tempo. Dependendo do dia e das circunstâncias, poderá haver uma aula excelente ou uma assistência espiritual trabalhosa. Os participantes precisam sempre estar atentos às duas possibilidades e precisam de bom senso para separar o joio do trigo, sempre (3).

Uma reunião espiritual não é para encontros corriqueiros ou para comentar sobre a festa do fim-de-semana com os amigos. Não é um ponto de encontro banal, é uma sala de aula e de cirurgia, dependendo do momento.

Mas esses encontros podem ser agradáveis, amistosos, alegres, porém, sem perder a sintonia com os objetivos, sempre maiores do que as opiniões pessoais.

Pela qualidade das energias e da assistência realizada em um lugar, pode-se mensurar a qualidade da cobertura espiritual que sustenta a atividade. Assim, também é com as pessoas: pelas suas irradiações (mais do que pelas suas opiniões exteriorizadas) é possível mensurar a sua qualidade. A energia revela o que as palavras não expressam.

Voltando ao exemplo da águia e do morcego, pode-se dizer que são animais incompatíveis em seus meio-ambientes.

Da mesma forma, como conciliar estudos espirituais misturando águias e morcegos?

Nessa analogia, o quiróptero é o ego estridente, e a águia representa a possibilidade de altos vôos. Um gosta de guinchos e escuridão. O outro gosta de espaços claros e abertos.

Uma reunião espiritual sadia, seja onde for, precisa de pessoas-águias com asas abertas pelo discernimento e pelo amor. Pessoas dispostas a alçarem vôos espirituais profundos, de forma aberta e clara, sem mistura de ego no vôo. Pessoas dispostas à busca de horizontes iluminados pela luz do sol do samadhi.(4)

Muitas vezes, o cirurgião irá chamar a atenção de seus residentes quando eles vacilarem na atividade importante. Porém, isso é porque ele quer treinar residentes-águias e não admite bobeiras nisso. Ele não quer residentes-morcegos e nem excrementos bolorentos cheirando mal dentro da sala.

Não há nenhuma escolha nisso, é qualidade mesmo. Não permite questionamento, pois é tão básico e evidente, que quem questiona é porque está "guinchando" em lugar de estar estudando e aprimorando suas qualidades.

O questionamento do estudante espiritual sadio é esse: "O que está mais forte: o meu guincho ou o bater das minhas asas em altos vôos, claros e abertos?"

P.S.: Se você fosse um cirurgião ou professor de alguma área, você gostaria de ter alunos-águias ou alunos-morcegos? E se alguns alunos misturassem as bolas e quisessem mesclar águia e morcego em suas posturas e fizessem isso em sua sala e ainda chamassem isso de universalismo, você agüentaria? E se você chamasse a atenção deles e eles ainda saíssem da sala guinchando contra você?

E, o principal: e se você fosse cobrado pelos diretores do hospital sobre a conduta dos residentes? E se chamassem a sua atenção para as vaciladas dos residentes e lhe cobrassem uma postura mais firme para não deixar a bola quicando em tarefas tão importantes?

Finalizando esses escritos, lembro-me de um ensinamento antigo e muito legal:

"Não é o mal que me fazem que me faz mal. Me faz mal o mal que eu faço."


Paz e Luz.

- Wagner Borges -
São Paulo, 22 de maio de 2002.

- Nota: Na natureza nada é bom ou ruim, tudo é natural e ocupa o seu devido espaço dentro do ecossistema em que está inserido. Portanto, a associação das idéias com as características dos animais é apenas analógica, e não objetiva dizer que um animal é bom e o outro é ruim.
Um animal gosta do escuro e o outro gosta de claridade. Isso não é bom ou ruim, é apenas natural.
Antinatural é alguém carregar as trevas do ego em si mesmo e deixar de voar bem por causa disso.

- Notas do texto:
1. Egrégora (do grego "Egregorien", que significar "velar", "cuidar"): É a atmosfera coletiva plasmada espiritualmente num certo ambiente, decorrente do somatório dos pensamentos, sentimentos e energias de um grupo de pessoas voltado para a produção de climas virtuosos no mundo.
É a atmosfera psíquica resultante da reunião de grupos voltados para trabalhos e estudos baseados na LUZ. Pode-se dizer que toda reunião de pessoas para a prática do Bem e da Virtude (independentemente de linha espiritual) forma uma egrégora específica, uma verdadeira entidade coletiva luminosa, à qual se agregam várias outras consciências extrafísicas alinhadas com aquela sintonia espiritual para um trabalho interdimensional.
Provavelmente foi por isso que Jesus ensinou: "Onde houver dois ou mais em meu nome, aí eu estarei."
Muitos dizem que não se deve misturar egrégoras de trabalhos diferentes, porém, quando o Amor se manifesta, desaparece qualquer ideologia doutrinária, e só fica o que interessa: a LUZ.
O dia em que os homens despertarem para climas mais universalistas e cosmoéticos, com certeza esse mundo será melhor para se viver.
Viva a LUZ, pouco importa o nome, o grupo ou a doutrina que fale dela. E viva os mentores espirituais que ajudam todos, independentemente de credo, raça ou cultura esposada.
2. Amparadores Extrafísicos: Guias espirituais, Mentores extrafísicos, Benfeitores astrais, Orientadores extrafísicos, Protetores espirituais.
3. Sobre esse trecho específico, favor ver o texto "Oficinas" (postado na seção de textos periódicos de nosso site - www.ippb.org.br - É o texto 215).
4. Samadhi (do sânscrito): "Consciência cósmica"; "Expansão da consciência"; "Satori"; "União cósmica".

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