CONVERSANDO SOBRE DHARMA, SAMSARA E IMPERMANÊNCIA

(Esclarecimentos Espirituais dos Iniciados Sobre o Tempo e a Jornada da Vida)


Caros irmãos de dharma, a roda da vida gira sem cessar...

Muitas coisas acontecem, tudo muda, tudo gira... logo, tudo passa!

A característica principal da vida terrestre é a impermanência!

Nada é para sempre, tudo muda, a roda gira, e tudo passa...

Muitos buscadores, de várias linhas espirituais, costumam dizer que é necessário vencer a roda reencarnatória, pois estar preso em seu giro é uma limitação à consciência cósmica.
No entanto, só ficam limitados aqueles iludidos da própria natureza espiritual, que confundem a personalidade transitória e carnal com o espírito universal, que é sempre o mesmo, em essência sutil, por baixo das vestes do corpo e da identidade temporária.

Só os incautos são passivos e permitem que o giro os leve às paragens do ilusório.

A verdade é essa: “A roda só esmaga os fracos de espírito, que se deixam levar pelas engrenagens cármicas limitantes.”

Porém, para os iniciados e as pessoas conscientes do vasto potencial espiritual guardado por Brahman no templo secreto de seus corações, a roda não é inimiga, é aliada!

Rodar consciente em seu giro é uma coisa, mas girar inconscientemente e ao sabor das ligaduras cármicas é sofrer e se iludir.

O iniciado é amigo da vida, pois sabe que ela é a mesma em todos os planos de manifestação. Ele sabe que o Todo está em tudo, mesmo dentro da roda. Ela gira, mas Ele é a causa de todos os movimentos. Ele é a Causa Primária, o Absoluto, mesmo dentro do giro relativo das coisas e dos seres.

O iniciado aprendeu a respeitar o valor da vida, onde ele é eterno aprendiz. Ele também gira, mas compreende a natureza do movimento e o respeita. Ele desce e entra na roda reencarnatória, mas compreende os motivos e sabe que isso é necessário ao seu burilamento espiritual.

Por isso, não considera a roda como inimiga limitadora, mas como sua professora.

Mesmo na roda, ele conhece a consciência cósmica, pois estuda e vive sob os princípios espirituais da retidão e da inteligência aliada ao amor e à luz.

E ele sabe que os mestres invisíveis o guiam no giro, mesmo quando nem ele mesmo os percebe diretamente.

Ele gira, gira, gira... mas sabe! Fugir da roda da vida não leva à sabedoria!

Porém, aprender com ela a arte da paciência e do equilíbrio leva à consciência cósmica, no momento certo. Mas, no coração do iniciado das artes espirituais, já existe um contentamento, um entendimento feliz, um conhecimento de que tudo passa; e, no entanto, sua consciência permanece.

O iniciado não foge do dharma e o cumpre no giro da roda da vida, onde ele aprende e trabalha.

A roda gira, e os fracos se lamentam e choram, como se estivessem abandonados à própria sorte, sem recursos internos e sem esperança na jornada, que, para eles, é sempre dolorida e cinzenta.

Dentro de seus corações o jogo emocional é denso, e há um emaranhado de contradições e desditas fibrilando o seu equilíbrio vital.

Mágoas, crendices descabidas, desejos de vingança e muito mais vedam os potenciais secretos do espírito, submetendo-o às engrenagens cármicas e corretivas, da roda de Samsara.

Logo, quem é fraco, gira ao sabor do carma...

Quem é iniciado, em qualquer linha espiritual, luta, aprende e se esforça por climas melhores, dentro e fora, na Terra e além...

E quando os que se lamentam não entendem como o iniciado mantém as esperanças, mesmo sob o peso de duras provas retificadoras, ele se cala e se escora na prece silenciosa e na meditação serena.

Ele sabe mergulhar no eterno, em seu próprio coração. Ele sabe que o Todo está ali!

Ele sabe que é imortal! Ele sabe que as coisas passam, como sempre.

Ele conhece e respeita a vida, por isso a roda da vida o respeita, ela também a conhece!

O iniciado e a roda são irmãos, filhos da mesma expressão da vida que está em tudo. Ela gira, e tudo passa... ele gira junto, mas só os seus corpos perecíveis é que passam...

Ele sabe que é consciência imperecível, o atman puro, a essência que sempre existirá, eterna neófita do Todo.

Por isso, o iniciado jamais perde as esperanças. Ele sabe... Ele sabe... Ele sabe...


P.S.:

“Brahman é o senhor de todos os movimentos.
Ele é o mestre de todos.
Ele é o fim da saudade do amor!”

* * *

Saudações, meus irmãos de dharma!

O céu agora está nublado, não é mesmo?

Contudo, vocês sabem que acima das nuvens cinzentas está o céu azul.

E, mais além, a vastidão sideral e o brilho de zilhões de estrelinhas pontilhando o negrume da tapeçaria cósmica.

De forma semelhante, muitas vezes o horizonte do céu de seus corações fica nublado e carregado de emoções cinzentas. Pois é nessa atmosfera plúmbea que se formam as tempestades cármicas, necessárias para limpeza do clima soturno instalado pelo espírito invigilante e esquecido do clima real do samadhi.

Apesar do clima sombrio, quem labora no dharma sabe que acima das densas nuvens de maya está o azul do céu e, mais além, a vastidão da consciência cósmica.

Portanto, elevem a consciência para além das nuvens cinzentas.

Batam as asas do discernimento e dispersem as emoções nebulosas.

Voem pelo azul do céu do coração!

Vão lá em cima, além do horizonte das pequenas emoções, e encontrem o amor real.

Basta olhar para além dos apegos e dramas ilusórios, que são nuvens de maya, e sentir-se feliz na consciência cósmica, no próprio céu do coração.

Vamos para além das nuvens... Para além do céu... Para além das estrelas...

A consciência cósmica chama!

Irmãos de dharma, operários do céu na terra, colegas de jornada sattvica, companheiros de ideais sublimes, fiquem com Brahman, sempre!

A todos vocês, o nosso respeito pela dedicação na senda do dharma.



Paz e Luz!


- Os Iniciados -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges; São Paulo, 29 de novembro de 2005).


- Nota de Wagner Borges: Esses escritos foram recebidos no quadro de aula durante uma prática espiritual com os 40 alunos do curso Om Sattva, realizado no IPPB.


- Notas do sânscrito:

* Dharma: dever, mérito, trabalho, programação existencial, ação virtuosa, atitude correta, retidão, meta elevada, benção.

* Samsara: a roda da reencarnação.

* Carma: é a lei universal de causa e efeito.

* Atman: a centelha divina, o espírito imperecível.

* Samadhi: expansão da consciência, consciência cósmica.

* Maya: ilusão.

* Brahman: O Supremo, O Absoluto, Deus, O Grande Arquiteto Do Universo, O Todo que está em tudo!

* Sattvica (do sânscrito “sattva”: “pureza”, “equilíbrio”, “bondade”): pura, equilibrada, bondosa.

* Curso Om Sattva: curso realizado quatro vezes por ano (a cada trimestre), desde 1997. Atualmente encontra-se em sua 35ª fase (contando com a maioria dos alunos presentes desde a 1ª fase). Trata-se de um curso baseado nos ensinamentos espirituais dos antigos rishis da Índia, dos Upanishads, do Bhagavad Gita, do Ramayana e de diversos clássicos do Hinduísmo. Além disso, é o curso que contém mais práticas do IPPB, várias delas realizadas com os alunos deitados em colchonetes apropriados. Muitas pessoas pedem para que eu realize o mesmo desde a 1ª fase, para que possam começar nesse estudo, mas não há condições disso, pois o que rola em cada fase é impossível de repetir. Esse é o curso em que deixo a intuição fluir sem regra alguma, diretamente com os amparadores extrafísicos, que sugerem coisas de última hora (impossíveis de serem repetidas em outro contexto). Como a turma continua acompanhando cada fase desde 1997, transformei esse curso num evento regular do IPPB, trimestral, sempre com uma fase mais à frente, priorizando a qualidade da turma que vem junta há quase nove anos.

* Neófito (Hermetismo): dentro das tradições herméticas, é o calouro que se submetia às provas iniciáticas.

* Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.

* Enquanto eu digitava esses escritos, lembrei-me de três textos antigos sobre o conceito de impermanência (também considerado no Budismo), ventilado pelo grupo dos Iniciados aqui nesse texto atual.

Seguem-se os mesmos logo abaixo.

I
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IMPERMANÊNCIA
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- Por Wagner Borges -

Há pensamentos que vêm e vão.
Há amores que vêm, ficam e passam.
Na vida, tudo é transitório, nada é fixo.
Há coisas que ficam por um tempo, outras por um tempinho, e outras mais por um tempão.
Porém, tudo passa.
O traço característico da existência terrestre é a impermanência.
Logo, o apego a algo é uma ilusão, pois nada nos pertence para sempre.
As pessoas dão muita importância a coisas que não valem a pena.
Na verdade, nada é importante, a não ser a experiência da vida que passa.
No Universo só há três coisas permanentes:
Deus, o Amor (que faz a magia da luz acontecer) e os espíritos (que também somos nós).

Paz e Luz!
São Paulo, 28 de julho de 1995.

II
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AULAS DO DR. TEMPO
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- Por Wagner Borges -

O que dizer para alguém com o coração ferido?
Nada! Quem dirá alguma coisa é o Dr. Tempo.
Ele é craque nisso!
Sob sua ação, os parâmetros mudam, e as feridas cicatrizam.
É ele quem ensina que tudo é impermanência!
Quando as brumas da ilusão se desvanecerem, despontará na linha do horizonte do céu do coração o sol da bem-aventurança (ananda) de Brahman.
Preenchido pelo Divino, o coração voltará a sorrir.

Agradecerá ao Dr. Tempo pela oportunidade da experiência, e dirá para todos:
"Nas ondas da consciência cósmica, mais do que a alguém em particular, amo o amor. É por isso que abraço espiritualmente a todos!"
É nas luzes do coração que a sintonia acontece e os caminhos se abrem...

PS: Nos bastidores interdimensionais, Brahman diz ao Dr. Tempo:
"Grande Tempo! O que seria dos homens sem seu concurso?
Haja Tempo! Pois em qualquer tempo é tempo de aprender e crescer..."

Paz e luz!
São Paulo, 10 de março de 1999.

P.S.: "Quando a luz da manhã surge, as trevas da noite se retiram.
No campo da consciência também é assim:
Quando o discernimento e o amor surgem, as trevas do ego se retiram.
A Mãe Divina recomenda:
"Abram o olho espiritual no chidakasam (campo espiritual onde a consciência se manifesta) e percebam o sol divino permeando a alma."

- Vivekananda –


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PALAVRAS DO TEMPO
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- Por Wagner Borges -

Deslizando pelas areias do Tempo, ao longo de trilhões de experiências, dentro da ampulheta do universo, descobri que o Tempo odeia nosso ego.

Ele soterra nossas ilusões sob o peso de toneladas de realidades relativas.

O TEMPO É O GRANDE IRMÃO!

Ele rasga nossos enganos e diz: "Entre na jangada do crescimento e siga..."

Olho o passado e o futuro e só vejo Ele.

Então, percebo-O no presente, chamando-me para a vivência do eterno agora da vida.

Deslizo por suas trilhas... sabendo que Ele não espera, mas transmuta tudo.

TUDO PASSA!

Teoricamente, Ele é relativo, mas, na prática, as rugas estão surgindo, e as coisas passando e renovando-se.

Dizem que Ele não existe, mas estamos viajando com Ele, por um tempo (não resisti ao trocadilho, mas isso passa).

ELE ODEIA O EGO! Por isso, as rugas e experiências que decepam nossa arrogância e tonteira.

Não O conhecemos direito, mas Ele nos conhece profundamente, há muito tempo.

Ele diz: "Nada é fixo, tudo é movimento. A principal característica da existência terrestre é a impermanência das coisas e seres".

TUDO SEGUE!

O cadáver vira pó, o espírito volta para casa, só por um tempo, entre vidas.


No entanto, a Terra formará novo corpo à frente e chamará o espírito novamente, por um tempo, entre períodos extrafísicos.

Ao longo do Tempo, entre entradas e saídas de corpos, o espírito perceberá o óbvio:

É um viajante da Eternidade!

Daí, o Tempo lhe dirá: "Pois é, leva tempo para aprender isso!"

HAJA TEMPO!

Certa vez, ele disse a um peregrino espiritual:

"Continue andando, mas sorria mais.

Enquanto você caminha, Eu vou ensinando-lhe algumas coisas.

Uma delas, é que as flores desabrochando são mais espontâneas e sagradas do que os livros que você lê.

A Natureza ensina mais do que os gurus, pastores e sábios do mundo.

Você já notou o sorriso de uma plantinha à luz do sol?

Já percebeu a alegria da mamãe-urso vendo seu filhote todo lambuzado de mel pela primeira vez?

Já conversou com o suave brilho da lua em noites de poesia nos momentos mágicos de amor?

O rugido do tigre, as ondas do mar, seu coração e todos os seres, de raças, religiões e países diferentes, são irmãos planetários.

Em sua caminhada e em seus estudos espirituais, você percebe a UNIÃO?

Seja simples e sorria mais!"

Essas foram as palavras do tempo, O GRANDE IRMÃO.

No devido tempo, entenderemos...

(Este texto é dedicado a todos os meus amigos, físicos e extrafísicos, companheiros de viagem no tempo das experiências e parceiros de evolução, seja nas ondas da música, no trabalho, em casa, no boliche, nas brincadeiras, nos livros, nas piadas, no amor, no discernimento, nos estudos espirituais e na arte de viver simplesmente).


Paz e Luz!

São Paulo, 16 de julho de 1999.

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