NO OCEANO DO GRANDE ANÔNIMO

- Por Wagner Borges - Quando o lótus do coração se abre, tudo muda. Antigas dores são curadas na florescência do Ser na luz. O pequeno eu se curva ao Grande Imanente que permeia a tudo. Então, o Grande Amor faz a canção da alma acontecer, naquela inspiração que homem algum poderá perceber com os sentidos da carne. A gota do pequeno eu da personalidade se funde no oceano do Grande Anônimo. E aí, as pequenas coisas da vida se tornam eventos extraordinários, plenos de contentamento. Ver uma florzinha na beira da estrada se torna um momento maravilhoso. Assistir um pôr-do-sol é um deleite...
Rir sem compromisso, igual criança arteira, é tornar-se uno com Krishna! Ver o Supremo em tudo e amar a vida é tornar-se uno com Jesus! Pensar na paz e na fraternidade é tornar-se uno com o Buda! Ah, o coração que se abre na luz do Grande Amor, jamais será o mesmo! Ele escuta a canção do Grande Anônimo e se encanta com a pequena flor, o pôr-do-sol e o sorriso. Ele compreende o sorriso de Krishna, o amor de Jesus, e a serenidade de Buda... Ele sabe que o tempo das mágoas e das dores se foi... Ele sente o abraço do Inefável! Ele escuta as vozes dos espíritos no vento da vida, que sempre falam da imortalidade da consciência. Ele não vê vácuo algum, em nada, mas a plenitude do Todo em tudo! Não há vacuidade nem idéia de morte em seus caminhos... Ele vê o mesmo Imanente Invisível em cada olhar e em cada flor. Ele sabe que o Supremo vive em cada ser, moço ou velho, alto ou baixo, branco ou negro. Isso porque ele escuta a canção em seu coração... Isso porque o seu pequeno eu se curvou ao Grande Anônimo e mergulhou no oceano de estrelas. E quem poderá compreender tal coisa, a não ser alguém que também abriu o lótus do coração e diluiu suas mágoas e dores no abraço secreto do Supremo? Talvez, alguém que também escute as vozes dos espíritos de luz no vento da vida, que sopra por onde quer... Talvez, apenas alguém que ame a vida... Ou, aquele que também se admira com o pôr-do-sol, o sorriso e a florzinha na beira da estrada... Ou, simplesmente, alguém que consegue sentir, de coração, a luz secreta que viaja nas linhas de um texto... (Dedicado a Huberto Rohden e Sry Aurobindo). São Paulo, 20 de outubro de 2007.

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