OS UPANISHADS

(A Mensagem dos Rishis)


Quem é o conhecedor real? Quem vê realmente? Quem é a essência espiritual de todos? Por qual misterioso poder Ela se manifesta no Atman?

Qual é o motivo de sua maya (ilusão)?
Na falta de respostas intelectuais ou afetivas para essas questões espirituais, os rishis (sábios) da velha Índia se retiraram para as florestas e meditaram profundamente no eu real, além das aparências.

Na verdade, eles não saíram da vida, apenas mergulharam o foco de suas consciências em outros planos. Descobriram conhecimentos grandiosos nos planos extrafísicos.

Mas as suas realizações mais profundas ocorreram nos planos internos de suas próprias almas.

A síntese dessas descobertas espirituais deu vida e brilho aos Upanishads.

Trata-se da quinta-essência da pesquisa do Atman nas dimensões incognoscíveis de Brahman.

Contudo, nenhum tratado pode descrever a magnitude espiritual de tal pesquisa. Por isso, os rishis usaram de linguagem simbólica, poética, além dos sentidos do intelecto e muito além das densas emoções.

Brilha nos Upanishads a luz real da alma, que dissolve as brumas de maya e ilumina a viagem do Atman pela consciência de Brahman.

O seu conhecimento glorioso está exposto nas folhas do livro, mas a sua inspiração é invisível e silenciosa, além da pobreza de percepção dos sentidos comuns.

Os seus ensinamentos são “Brahmavidya” (conhecimento divino) e “Atmanjnana” (conhecimento do espírito).

A chave espiritual que abre a porta real do entendimento dos Upanishads está na inspiração que mora no lótus do coração e na intuição que mora no Brahmarandra (portal de Brahma).

A função dos Upanishads é inspirar o Atman a perceber em si e em todos os seres o Brahman manifestado; é formar uma ponte espiritual silenciosa entre os rishis e a humanidade.


* * *


Os Upanishads são raios de Brahman cortando a noite escura da ignorância!

Que o Atman saiba valorizar a quietude interior!

Que as chamas de jnana (conhecimento) queimem as imaturidades do coração!

Que o amor de Brahman seja o amor do Atman na vida cotidiana.

Que a viagem do Atman seja serena.


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E que esteja bem claro ao estudante espiritual, que Brahman e Atman são apenas nomes do mesmo “Um”, do mesmo poder incognoscível que sustenta os infinitos planos, universos e dimensões e que é a luz do coração, a paz da alma, a alegria da compreensão, o silêncio que trabalha, a virtude da consciência, o jnana dos rishis e a alma dos Upanishads.


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Apenas o estudo de um dos capítulos dos Upanishads dá ao Atman a força necessária para diluir a angústia e enfrentar com paciência as agruras do mundo.


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Os rishis são minúsculos diante do Amor de Brahman!


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Tonto é aquele que lê, mas não entende;

Escuta, mas não ouve;

Fala, mas não explica. Está morto e não sabe.

É escravo, mas pensa que é senhor.

Estuda, mas é tolo.

Vive nas luzes do mundo, mas está perdido nas trevas da ignorância.

Apaixona-se facilmente, mas seu coração está ressecado pelo ego.

Que Brahman o ilumine!





- Alguém que ama a todos vocês no silêncio da paz imperecível -


(Recebido espiritualmente por Wagner Borges; São Paulo, 17 de setembro de 1997).

- Nota de Wagner Borges: O mestre espiritual que me passou esses escritos não deseja nenhuma ostensividade em relação à sua presença invisível no mundo. Ele prefere o anonimato e sempre lembra que o conteúdo é mais importante do que a forma das coisas.

Notas do sânscrito:
1. Brahman: O Supremo, O Absoluto, O Todo Que Está em Tudo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus.
2. Atman: o espírito imortal, a centelha divina, o ser eterno, o ser de luz imperecível.
3. Rishis: sábios espirituais, mestres espirituais.
4. Maya: a ilusão.
5. Os Upanishads: a parte final dos Vedas, as sagradas escrituras da Índia antiga. Trata-se dos ensinamentos inspirados dos grandes rishis da Índia antiga, compilados e colocados ao final dos Vedas.
6. Brahmarandra: portal de Brahma. Esotericamente é uma abertura situada bem no centro do chacra coronário (chacra da coroa, em sânscrito: “sahashara”, o lótus das mil pétalas), por onde o espírito entra e sai do corpo.
7. Jnana: conhecimento espiritual.

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