SAVITRI - A LUZ DO ETERNO EM NÓS MESMOS

O Eterno que habita em nossos corações, saúda o Eterno que mora em seus corações, pois Ele é o mesmo!
Há uma mesma Luz em todos nós.
Ela brilha mais do que bilhões de sóis juntos.
Não pode ser percebida pelos sentidos convencionais, mas pode ser sentida nas dobras secretas do espírito, na casa do
coração, o templo real do Divino.
Ela não apresenta tamanho ou forma que possa ser enquadrada pelos parâmetros humanos; é sutil, pura essência espiritual.
Muitos a simbolizaram como uma semente espiritual, ou um ponto luminoso, ou mesmo uma pérola sutil.
Todavia, que forma poderá simbolizar o Amor Universal que mora dentro dessa Luz?
Os olhos não podem vê-la nem os dedos podem tocá-la; no entanto, Ela é o brilho secreto do olhar e a causa que anima o movimento.
Ela é intensa, mas não ofusca.
Ela é poderosa, mas é serena.
É Dela que os rishis de outrora falavam.
Ela é a inspiração dos poetas do espírito e das canções dos Gandharvas.
Ah, essa Centelha Eterna em nós!
É fogo estelar que crepita dentro de nossos corações.
Não tem raça, sexo ou idade, apenas entra e sai dos corpos perecíveis.
Ah, essa Luz que somos todos nós!
Ah, esse Amor dentro dela, que nos faz escrever, mesmo que bem poucos compreendam o porquê, mesmo que as palavras não expressem bem o que toca no coração...
Esse Eterno em nós saúda o Eterno em cada um de vocês, pois Ele é o mesmo!
Não importam nomes e formas transitórias... importa apenas ter consciência do fogo estelar crepitando em si mesmo.
É a Luz! Dentro Dela, o Amor!
Tudo em nós e Brahman em tudo!
E, nas linhas desses escritos, o toque fraterno dos companheiros espirituais, eternos, como todos vocês!


Paz e Luz.

- Os Amigos de Ramakrishna -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 31 de maio de 2006.)

Nota de Wagner Borges:

Esses escritos foram recebidos um pouco antes do início da segunda aula do curso de autodefesa psíquica (desobsessão), realizada no “Grupo Espírita Dever, Amor e Disciplina” (situado no bairro de Santana, zona norte da cidade de São Paulo). Enquanto eu aguardava a turma chegar (cerca de 130 pessoas), sentei-me e fiquei relaxado, escutando um CD do músico austríaco Gandalf no aparelho de som do Centro. Em dado momento, percebi a presença de vários amparadores do grupo extrafísico dos Amigos de Ramakrishna dando suporte espiritual para as atividades da noite. E, ali mesmo, no salão do Centro, um deles me passou esses escritos como uma saudação para a turma de estudantes presentes.
Mais um detalhe: durante a aula, por diversas vezes tive que tocar no tema da sobrevivência da consciência para além da carne, bem mais do que havia previsto, por causa das perguntas do pessoal e por causa de um monte de espíritos desencarnados apegados que estavam ali para ouvir os devidos esclarecimentos a respeito.
Então, compreendi o motivo do recado desses escritos dos amparadores naquele contexto. Como o mesmo poderá ser útil para a reflexão de outros estudantes dos temas espirituais, estou disponibilizando-o em aberto para todos.
E, antes que eu me esqueça: mais uma vez agradeço a essa turma de amigos extrafísicos tão legal e com a qual aprendo muito.


Notas das expressões do sânscrito no texto:

* Savitri: Raio solar ou feixe destes raios; célebre hino de Visvamitra em homenagem ao sol. Sobrenome de Uma ou Parvati, a Mãe Divina, esposa de Shiva; nome próprio da mulher de Satyavan no épico “O Mahabaratha”; e também nome de um épico escrito pelo sábio Sri Aurobindo.

* Rishis: sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads.

* Gandharvas: cantores celestes, devas (divindades) da música, anjos da música. Nos Vedas, essas divindades revelam aos mortais os arcanos espirituais do Céu e da Terra.

* Brahman: O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.

* Os Amigos de Ramakrishna: são um grupo de amparadores extrafísicos ligados aos ensinamentos universalistas de Paramahamsa Ramakrishna. Na verdade, são meus amigos de outras vidas e, de vez em quando, aparecem para matar a saudade e dar uns toques espirituais legais.
Certa vez, um deles me disse: "Sair do corpo é fácil. Difícil é ficar em paz, dentro ou fora do corpo."
Eles também me ensinaram essa verdade: "Dias ruins não são aqueles de tempestade, que até limpam a atmosfera de fora, mas aqueles dias em que permitimos as pesadas nuvens da mediocridade toldando o céu do coração, dentro de nós mesmos".
Agradeço a esse grupo de amigos pela amizade e pelos toques conscienciais pertinentes, que sempre me ensinam muito.
- Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século 19 e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século 20 se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.

* O CD do Gandalf que eu estava ouvindo é o maravilhoso “Sacred River” (importado – gravadora Real Music – www.realmusic.com), seu mais recente lançamento na Europa e na América. É um trabalho excelente para práticas meditativas, massagem, aplicação de Rei Ki, cura prânica, passes, práticas projetivas, e descanso da mente. As músicas “Flow, Water, Flow” e “Where the River Joins the Ocean” (nona e décima do disco, respectivamente) são altamente inspiradas.

* Para melhor compreensão dos leitores em relação a expressão Savitri (muitas vezes usada por iogues e estudantes espirituais como mantra), reproduzo na seqüência um texto antigo exatamente sobre esse tema.

SAVITRI (1)

Se seus olhos brilharem como o Sol, as portas do templo da sabedoria se abrirão para você. Esse é o segredo da grande iniciação do discernimento, da compaixão e da energia. Isso possibilita grande alegria no serviço espiritual e torna o espírito flexível; limpa as manchas do apego e acende as melhores possibilidades da consciência presente.
Verta Luz pelos olhos, e que eles sejam como estrelas do Senhor, brilhando nas trilhas da humanidade.
Faça seu caminhar diário com o Sol como companheiro de seus olhos (2).

OM A TODOS!


- Os Iniciados (3) -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Texto extraído do livro “Viagem Espiritual III” – Ed. Universalista – 1998).


Notas:

1. Savitri (do sânscrito): Raio solar ou feixe destes raios; célebre hino de Visvamitra em homenagem ao sol. Sobrenome de Uma ou Parvati, a Mãe Divina, esposa de Shiva; nome próprio da mulher de Satyavan no épico “O Mahabaratha”; e também nome de um épico escrito pelo sábio Sri Aurobindo.

2. Sugiro ao leitor uma pequena prática: de olhos fechados, concentre-se mentalmente numa forte luz branca dentro da testa (chacra frontal). Ao mesmo tempo, pense firmemente no nome de SAVITRI. Faça isso por alguns minutos e sinta uma agradável sensação de pacificação emocional.

3. Os Iniciados: Grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente. O grupo é composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos. Eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são "iniciados" em fazer o bem sem olhar a quem.

Obs.: Ao passar esses escritos a limpo, lembrei-me da sabedoria do mestre hindu Sry Aurobindo, com o seu belo poema místico “Savitri”. Para deleite do leitor sensível as coisas do espírito (certamente, de boa índole e ciente de que ninguém de fora poderá saber o que rola em seu coração), deixo na seqüência alguns de seus versos inspirados.

SAVITRI
(A Certeza de Um Dia Espiritual)

- Versos do poema SAVITRI, de autoria de Sri Aurobindo -

O Absoluto, o Perfeito, o Só,
Evocou sua Força muda do Silêncio,
Onde ela repousa na quietude sem forma e sem feições,
Resguardando do Tempo, por seu sono imóvel,
A potência inefável de Sua solidão.

O Absoluto, o Perfeito, o Só,
Entrou com seu silêncio no espaço:
Ele modelou estas incontáveis pessoas de um único Si;
Ele que viveu sozinho em seu vasto, vive em todos;
O Espaço é Ele mesmo e o tempo é só Ele.

O Absoluto, o Perfeito, o Imune,
Aquele que está em nós como nosso Si secreto,
Assumiu nossa máscara de imperfeição;
Ele tornou Dele esta morada de carne,
Sua imagem moldou na medida humana
Para que à Sua Medida Divina pudéssemos subir;

Aí, uma figura de Ser Divino,
O Criador irá remoldar-nos e impor
Um plano de Divindade ao molde do mortal,
Erguendo nossas mentes finitas à Sua infinita,
Tocando o momento com eternidade.

Esta transfiguração é o tributo da Terra para com o Céu.
Uma dívida mútua prende o homem ao Supremo:
Temos de assumir Sua natureza, assim como ele assumiu a nossa;
Somos filhos de Deus e devemos mesmo ser como Ele:
Sua porção humana, temos de fazer-nos divinos.
Nossa vida é um paradoxo tendo Deus como chave.
A beatitude de uma miríade de miríades que são só UM*.

(Compilador dos versos: Rolf Gelewski, da Casa Sri Aurobindo no Brasil).


Nota de Wagner Borges:

Sry Aurobindo (Aurobindo Ghose - Índia, 1872-1950) foi um dos maiores mestres da Índia. O seu trabalho tornou-se conhecido como “O Yoga Integral”, porque, como ele dizia, “Toda vida é Yoga”. Para mais detalhes sobre os seus escritos inspirados, ver o excelente livro “Sabedoria de Sry Aurobindo” – Editora Shakti, e o site da Casa Aurobindo no Brasil: http://br.geocities.com/casa_sri_aurobindo/
- Mais uma nota: Não resisto e deixo na seqüência mais dois textos desse notável mestre hindu. Peço desculpas ao leitor pela extensão desses escritos, mas não é todo dia que se lê algo tão inspirado quanto os textos desse grande rish (sábio) Aurobindo, a quem admiro muito, de coração.





A SABEDORIA DE SRY AUROBINDO

...Levanta teus olhos em direção ao Sol.
Ele está lá nesse maravilhoso coração de vida e luz e esplendor.
Observa à noite as inúmeras constelações cintilando como outras tantas fogueiras solenes do Eterno no silêncio ilimitado, que não é nenhum vazio, mas pulsa com a presença de uma única existência calma e tremenda.
Olha lá Órion com sua espada e cinto brilhando como brilhou aos antepassados Arianos há dez mil anos atrás, no começo da era Ariana, Sirius no seu esplendor, Lyra percorrendo bilhões de milhas no oceano do espaço.
Lembra-te que estes mundos inumeráveis, a maior parte deles mais poderosos que o nosso próprio, estão girando com velocidade indescritível ao aceno desse Ancião dos Dias, a quem ninguém, exceto Ele, conhece e contudo, são milhões de vezes mais antigos que teu Himalaia, mais firme que as raízes de tuas colinas e assim permanecerão até que Ele, à sua mercê, sacuda-os como folhas murchas da eterna árvore do Universo.
Imagina a perpetuidade do Tempo, considera a incomensurabilidade do Espaço; e então lembra-te que, quando estes mundos ainda não existiam, Ele era ainda o Mesmo.
Observa que além de Lyra, Ele está. E no longínquo Espaço onde as estrelas do Cruzeiro do Sul não podem ser vistas, ainda assim Ele lá está.
E então volta à terra e considera quem é este Ele. Ele está bem perto de ti.
Repara naquele homem idoso que passa perto de ti, abatido e curvado, apoiado em seu bastão?
Imaginas tu que é Deus quem está passando?
Há uma criança rindo e correndo ao sol.
Podes tu ouvi-lo nesse riso?
Não, Ele está ainda mais próximo de ti.
Ele está em ti, Ele é tu mesmo.
És tu quem ardes lá longe, há milhares de milhas de distância, nas infinitas extensões do Espaço, és tu que caminhas com passos confiantes sobre os turbulentos vagalhões do mar etérico.
Foste tu que colocaste as estrelas em seus lugares e teceste o colar de sóis, não com mãos, mas por este Yoga, esta Vontade silenciosa, impessoal e inativa, que te colocou hoje aqui, ouvindo a ti mesmo em mim.
Olha para cima, oh filho do Yoga antigo e não sejas mais medroso e cético; não temas, não duvides, não lamentes, porque em teu aparente corpo está Aquele que pode criar e destruir mundos com um sopro.


- Sry Aurobindo -
(Texto extraído do livro "Sabedoria de Sry Aurobindo" - Editora Shakti).





É ISTO O FIM?

É isto o fim de tudo o que fomos,
E tudo o que fizemos ou sonhamos?
Um nome não lembrado e uma forma desfeita.
É isto o fim?

Um corpo apodrecendo sob a laje de pedra
Ou transformado em cinza pelo fogo.
Uma mente dissolvida, perdidos seus esquecidos pensamentos.
É isto o fim?

Nossas poucas horas que foram e não mais são,
Nossas paixões outrora tão elevadas,
Sendo zombadas pela terra tranqüila e a calma luz do sol.
É isto o fim?

Nossos anseios de elevação humana em direção a Deus
Passando para outros corações
Iludidos enquanto o mundo sorri para a morte e o inferno.
É isto o fim?

Caída está a harpa, ela jaz despedaçada e muda;
Está morto o invisível tocador?
Por que a árvore tombou onde o pássaro cantava,
Deve o canto também emudecer?

Aquele que na mente planejou e desejou e pensou,
Trabalhou para reformar o destino da Terra,
Aquele que no coração amou e suspirou e esperou,
Também chega ele ao fim?

O imortal no mortal é seu Nome;
Aqui uma divindade artista
Em formas mais divinas, sempre se remodela,
Sem vontade de cessar.

Até que tudo seja feito, para o que as estrelas foram criadas,
Até que o coração descubra Deus
E a alma se conheça. E mesmo então
Não há nenhum fim.

(Texto extraído do belo livro "Sabedoria de Sri Aurobindo"; Editora Shakti).

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