SEXO E CONSCIÊNCIA

(Resposta a um e-mail com as seguintes questões:

Wagner,

Gostaria que você enviasse um texto sobre sexualidade na sua visão espiritual. Seria interessante...

Alguns tópicos que poderiam ser abordados:
- O casamento é uma prisão?
- Como agir com o instinto sexual, quando passa aquela mulher de fechar o comércio ao seu lado? Isso pode trazer assédios?
- Por que o mundo não poderia estar vivendo uma realidade poligâmica?
- Nós devemos "desgenitalizar" nossos prazeres, para evoluir? (libertar-se do sexo).
- Ou praticar tanto sexo até que não se pense mais nele?
- Como fazer para que a rotina do sexo com a (o) parceira (o) fixa(o) não "perca a graça" e se banalize ? (como acontece com a maioria dos casamentos, segundo as próprias pessoas)
- As doenças como AIDS estão transformando o sexo em algo "proibido”?
- Você é contra ou a favor de filhos no casal? Eles não seriam um "divisor" da atenção dos pais, que não teriam tempo integral para dedicação à vida e a programação existencial?
- O apetite e prática sexual é uma "patologia" no caminho da evolução consciencial?

Wagner, gostaria de que você comentasse esses pontos e acrescentasse suas idéias em relação a sexualidade, casamento, filhos, rotinas de casais, relação com o desenvolvimento espiritual etc.
Obrigado pela atenção.)
Resposta:

Olá.

Desculpe a demora em responder o seu e-mail, mas é que nossa correspondência é muito volumosa.

Vamos responder as suas questões:
- O casamento não é uma prisão. A não ser quando você está casado com uma pessoa que você não ama.
- Se você ama alguém, desaparece a necessidade psicológica de estar com outra pessoa. Mas o instinto de predador sexual, muito mais forte no homem, até pela questão dos séculos de machismo e da conotação mais yang de sua energia, poderá levá-lo a ter certos pulsões sexuais instintivos. A maneira como cada qual interage com esses pulsões é que varia segundo a constituição psíquica e física da pessoa. As mulheres também têm esses pulsões, mas a maneira como elas lidam com isso é diferente, mais sutil. Entretanto, há algumas delas que são mais ousadas do que muitos caras.
- Os pulsões sexuais instintivos não são bons ou ruins, são apenas a natureza e seu jeito energético. Mas a maneira como cada pessoa lida com isso é que poderá ser boa ou ruim, dependendo das circunstâncias.
- O sexo não pode ser supervalorizado nem diminuído em sua importância. É uma energia da natureza, não pode ser menosprezado nem valorizado em excesso. O ideal é o equilíbrio, de acordo com as condições de cada um.
- O prazer sexual é uma benção da natureza e não atrapalha em nada a evolução espiritual de alguém. O que nós vemos em muitas opiniões, principalmente por parte de religiosos mais ortodoxos, é aquela velha história de pecado ou de mundanidade na questão sexual. Por outro lado, também é um exagero a opinião de que você precisa fazer sexo diariamente para manter-se equilibrado, a não ser em casos isolados, pura exceção no gênero. Aqui, como em qualquer área, é preciso saber separar a opinião pessoal de cada um sobre isso e a realidade íntima dos outros. O que pode relaxar um poderá tensionar o outro.
- Dependendo para quem você pergunte sobre a atividade sexual, você receberá respostas diferentes, de acordo com o interesse de cada um. Por exemplo, o tarado lhe dirá que sexo é tudo. Já a pessoa reprimida sexualmente (seja por educação equivocada, traumas, ignorância ou a velha lavagem cerebral religiosa que nega o prazer sexual) lhe dirá que sexo é perigoso, sujo e contrário à evolução espiritual.
- Olha, não existe uma técnica padrão para a felicidade de um casal. Um relacionamento evolui naturalmente. Uma das maneiras de não deixar o tesão esgotar-se no casamento é você gostar muito de sua parceira. A outra é você manter suas energias sempre desbloqueadas e ser feliz no que faz na vida. Além disso, se você e sua parceira evoluírem com o relacionamento, sem dramas e emoções pegajosas, ficará difícil perder o interesse por ela, pois a cada ano ela estará mais interessante, sempre com um nível de consciência legal. É isso que dá tesão num relacionamento: saber que o cônjuge está sempre indo em frente e tornando-se uma pessoa cada vez mais amada e cheia de luz. Obviamente que isso terá reflexos sadios no relacionamento do casal. Mas, ainda aí "cada caso é um caso".
- Doenças como a AIDS não tornam o sexo proibido, apenas expõem as pessoas a uma carga de risco maior ao fazerem sexo sem proteção. Digo carga maior porque não é só a AIDS que é um risco. Atualmente há um aumento bem grande das DST - Doenças Sexualmente Transmissíveis - (clamídia, HPV, herpes genital, sífilis e outros). Usando camisinha você estará livre desses riscos.
- A questão dos filhos é muito relativa. Criar um dá bastante trabalho. Sei disso na prática, tenho duas filhas pequenas (uma de nove e a outra de cinco anos). Agora, quanto à questão de atrapalhar os estudos consciencias e a programação existencial da pessoa, isso é um dos radicalismos de muitos pesquisadores. Há pessoas fazendo um belo trabalho e ao mesmo tempo criando seus filhos. Tenho a opinião de que todo ser humano deveria ter pelo menos um filho. Explico: ganhamos um corpo físico para vivermos essa vida atual. Ganhamos acesso a mais uma etapa de aprendizado terrestre por intermédio de um casal, nossos pais. É justo que nós também possamos prover o acesso de outras consciências extrafísicas ao plano físico. O outro aspecto é que ter um filho abre um canal de sentimentos muito profundo e faz o chacra cardíaco brilhar muito. Esse é o verdadeiro motivo de muitos intelectuais falarem contra a maternidade. Eles têm um imenso medo das emoções! Nessa questão nunca leve em consideração a opinião de quem não tem filhos. Só quem tem um é que sabe desse canal de sentimentos de que estou falando. Aliás, certa vez em São Paulo, um casal estava dando um curso de como educar os filhos. Tudo corria bem e a turma (constituída em sua maioria por vários casais com filhos) estava gostando do que os palestrantes diziam. Mas em dado momento uma pessoa resolveu perguntar quantos filhos o casal tinha. Eles responderam que ainda não tinham filhos. O impacto na turma foi até engraçado. O comentário geral era: como é que eles podem falar de filhos se eles não tem nenhum? Eles não sabem o que é acordar de madrugada com o filho chorando. Não têm idéia de como é brabo acordar domingo às 5 horas da manhã com o seu filho na sua cama querendo brincar e abrindo os seus olhos com aqueles dedinhos. Não têm a prática de sentir o próprio coração pulsando em ressonância com o coração do pequenino no colo adormecido. E, principalmente, não sabem o que é perceber o brilho dos olhos curiosos desses pequenos que Deus nos envia como parceiros de evolução. Alguns pesquisadores falam que a presença de um filho atrapalha a execução da programação existencial da pessoa, mas vários deles têm filhos também. Foram obrigados pela natureza (e pelos seus amparadores extrafísicos durante o sono) a terem o filho por motivos de débitos cármicos. Considere outra coisa: não estou falando de ter muitos filhos. O controle da natalidade é vital para o equilíbrio populacional no planeta e a conservação dos seus recursos naturais.
- Na questão sexual o melhor ainda é uma relação estável com alguém, onde haja um crescimento real do casal nas ondas do amor e do equilíbrio.
- Espero ter respondido com clareza as suas perguntas. Contudo, atente para uma coisa: isso são só as minhas opiniões sobre esse tema e não constituem verdade absoluta nenhuma. Não sei tudo nem pretendo ser guia ou conselheiro de ninguém. Filtre as informações e aproveite o que lhe parecer justo. O que não for, desconsidere. Não fique preso à opinião de ninguém, seja quem for, inclusive eu mesmo. Ainda mais em questões de foro íntimo que necessitam sempre de bom senso e discernimento e que só dizem respeito a própria pessoa. Você é jovem e ainda aprenderá muito sobre tudo isso. Mas quem irá ensiná-lo é a própria experiência prática da vida. O tempo lhe ensinará, com certeza! Mais um detalhe adicional: Se você sente tesão por aquela mulher de fechar o comércio que passou ali em frente, não se preocupe. Isso é apenas tesão e só acontece com quem gosta de mulher. É algo "testosterônico!" Agora, a maneira como você lidar com isso é que poderá ser normal e simples ou condicionada e complicada. Tudo aquilo que é benéfico traz energias saudáveis e melhora a sintonia consciencial. Tudo aquilo que é deletério e suscetível de manipulação negativa traz energias pesadas e egrégoras (holopensenes) densas na freqüência das pessoas. É aí que começam os assédios extrafísicos. Eles não acontecem por causa de tesão, mas pela distorção dos pensamentos que as pessoas colocam na mente por causa da questão sexual mal resolvida em suas consciências. Encare essas questões com naturalidade e a devida responsabilidade e faça do sexo um manancial de alegrias e de equilíbrio vital, não um poço de complicações.

Tenho recebido alguns e-mails com questões parecidas às suas. Por isso, postarei essa resposta que estou lhe enviando lá no site para todo mundo, naturalmente preservando seu nome e e-mail.

Paz e luz pra você!

- Wagner Borges (ser humano com qualidades e defeitos, que também sente a testosterona pulsando nas veias - graças a Deus! -, mas mantém uma relação afetiva estável e por isso está tranqüilo e podendo pensar em outras coisas).

Salvador, 31 de janeiro de 1999.

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