TOQUES ESPIRITUAIS DO SÁBIO VYASA

Enquanto eu escutava música e pesquisava um material sobre Vedanta*, senti vontade de acender um incenso e tomar um chá. Fui para a cozinha e coloquei água para esquentar. Escolhi um incenso, acendi e fiquei esperando o chá ficar pronto.
Fechei os olhos para apreciar melhor o aroma do incenso e também para escutar os belos toques de piano do músico new age americano Michael Jones (CD "Sunscapes", que estava tocando no quarto do apartamento).
Subtamente, surgiu em minha tela mental a figura serena do sábio Vyasa sentado na posição de lótus. Pelo seu olhar, notei que ele queria passar-me uma mensagem.
Então, peguei o chá e o incenso aceso e sintonizei minha consciência com a dele.
O resultado dessa união interplanos são esses escritos que se seguem.
 
                                               * * *
 
"São poucos os novatos nos estudos espirituais. A maioria dos estudantes já estudou tais temas no passado, seja em outras vidas - ou mesmo nos períodos extrafísicos, entre as vidas -, apenas não se lembram conscientemente.
Os estudantes espirituais são semelhantes ao incenso que está aceso em seu ambiente neste momento: à medida em que vão queimando as diversas etapas de seu desenvolvimento, exalam o aroma do direcionamento que estiverem dando em suas vidas...
Alguns exalam o aroma do trabalho e do esforço consciente e determinado a que se propuseram. Outros, exalam o aroma da inércia e desperdiçam as chances de desenvolvimento que Brahman** concedeu-lhes na longa travessia dos mares das vidas sucessivas.
Alguns são como o chá quente e saboroso: são agradáveis e fazem bem a todos.
Outros, são semelhantes ao chá frio e sem sabor: sua insipidez consciencial não tem carisma, e carecem de calor espiritual.
Transitar pelas vias espirituais sem amor e determinação na caminhada é o mesmo que andar de olhos vendados por uma estrada cheia de pedregulhos e espinhos. Significa desvalorizar o quinhão de luz que o Supremo guardou em seus corações.
Alguns trabalhadores espirituais são protegidos por luzes secretas - que são projetadas em seu trabalho de forma sutil -, pelos mensageiros celestes que lhes protegem na jornada. Elas não são percebidas pelo mundo e, muitas vezes, nem mesmo pelos próprios companheiros de ideal espiritual.
Esse é o motivo pelo qual cada trabalhador envolvido seriamente em atividades espirituais, muitas vezes sofre as agruras da solidão. Sente-se carregando o peso de uma tarefa invisível que não pode dividir. E tem consciência de que é apenas um ser espiritual evoluindo por meio do trabalho e do estudo nos sítios da Terra.
O compromisso espiritual é valor interno de cada um. A lealdade é a guardiã de tal responsabilidade. O trabalho é o esforço, e a Luz é sua qualidade. Sem disciplina e organização, os melhores talentos se perdem.
Lucidez é fruto do esforço em despertar a consciência da inércia causada pela forte compressão de Maya***. E o Amor é o Sol do Samadhi****, que desponta no horizonte brilhante de quem espanta a escuridão do ego com o serviço digno na crosta do mundo insensato. 
Pela qualidade do aroma exalado escolhe-se o incenso. Da mesma forma, pela qualidade do aroma espiritual exalado pelo esforço do estudante, determina-se qual é o valor das luzes secretas que velarão por sua jornada.  
A leitura edificante, a meditação serena, a reflexão profunda e os bons objetivos são os companheiros ideais. O bom senso é vital.
Benditos sejam aqueles que caminharem com as luzes secretas projetadas em suas jornadas... O mundo não as verá, mas os mensageiros celestes conhecem a verdade oculta em todos os corações e sabem quem é leal aos compromissos assumidos perante a Espiritualidade. 
Que Brahman fortaleça aqueles que são dignos de portarem a Luz do Céu em sua viagem de serviço pela Terra.”
 
Om Tat Sat!*****
 
- Vyasa****** -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges.)
 
- Notas:
* Vedanta - é um dos principais sistemas filosóficos da Índia. É baseado no Monismo (em sânscrito, Advaita), onde se afirma, categoricamente, que "TUDO É UM! TUDO É BRAHMAN!"
Os ensinamentos vedantinos são inspirados principalmente nos estudos dos Upanishads (a parte final dos Vedas, onde estão compilados os ensinamentos dos sábios hinduístas), e no Viveka Chuda Mani (célebre trabalho de Shankara - publicado no Séc. IX d. C.) 
** Brahman – do sânscrito - O Supremo; O Todo; Deus; O Pai-Mãe de todos.
*** Maya – do sânscrito - ilusão; tudo aquilo que é mutável, que está sujeito à transformação por diferenciação.
**** Samadhi – do sânscrito - expansão da consciência; estado de consciência cósmica.
***** Om Tat Sat – do sânscrito - tríplice designação de Brahman. É um mantra evocativo dos três aspectos do divino na cosmogonia hinduísta: Brahma, Vishnu e Shiva. Pode ser usado como um mantra ativador dos chacras e também pode ocasionar estados alterados de consciência profundos durante a meditação.
****** Vyasa - é um iogue extrafísico que me orienta há muitas vidas. É um sábio espiritual que usa o nome iniciático do grande Vyasadeva, o autor do “Mahabharata”, célebre épico da antiguidade hindu. Os seus ensinamentos sempre priorizam o bom senso e o discernimento em todas as situações. Ele mesmo é um mestre sereno e sempre ensina que Brahman é o fim da saudade do amor.


* * *

Ao final desses escritos, deixo para os leitores uma mensagem que tem forte correspondência com esses toques do Vyasa. Trata-se de uma mensagem que recebi há cinco anos atrás e guardei por considerá-la complexa demais para repassá-la. Agora está na hora de compartilhá-la.

OS UPANISHADS

(A Mensagem dos Rishis)
Quem é o conhecedor real? Quem vê realmente? Quem é a essência espiritual de todos? Por qual misterioso poder Ela se manifesta no Atman?
Qual é o motivo de sua maya (ilusão)?
Na falta de respostas intelectuais ou afetivas para essas questões espirituais, os rishis (sábios) da velha Índia se retiraram para as florestas e meditaram profundamente no eu real, além das aparências.

Na verdade, eles não saíram da vida, apenas mergulharam o foco de suas consciências em outras dimensões. Descobriram conhecimentos grandiosos nas dimensões extrafísicas.

Mas as suas realizações mais profundas ocorreram nas dimensões internas de suas própria almas.
A síntese dessas descobertas espirituais deu vida e brilho aos Upanishads.

Trata-se da quinta-essência da pesquisa do Atman nas dimensões incognoscíveis de Brahman.
Contudo, nenhum tratado pode descrever a magnitude espiritual de tal pesquisa. Por isso, os rishis usaram de linguagem simbólica, poética, além dos sentidos do intelecto e muito além das densas emoções.

Brilha nos Upanishads a luz real da alma, que dissolve as brumas de maya e ilumina a viagem do Atman pela consciência de Brahman.

O seu conhecimento glorioso está exposto nas folhas do livro, mas a sua inspiração é invisível e silenciosa, além da pobreza de percepção dos sentidos comuns.

Os seus ensinamentos são "Brahmavidya" (conhecimento divino) e "Atmanjnana" (conhecimento do espírito).

A chave espiritual que abre a porta real do entendimento dos Upanishads está na inspiração que mora no lótus do coração e na intuição que mora no Brahmarandra (portal de Brahman).
A função dos Upanishads é inspirar o Atman a perceber em si e em todos os seres o Brahman manifestado; é formar uma ponte espiritual silenciosa entre os rishis e a humanidade.

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Os Upanishads são raios de Brahman cortando a noite escura da ignorância!
Que o Atman saiba valorizar a quietude interior!
Que as chamas de jnana (conhecimento) queimem as imaturidades do coração!
Que o amor de Brahman seja o amor do Atman na vida cotidiana.
Que a viagem do Atman seja serena.
 
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E que esteja bem claro ao estudante espiritual, que Brahman e Atman são apenas nomes do mesmo "UM", do mesmo poder incognoscível que sustenta os universos e dimensões, e que é a luz do coração, a paz da alma, a alegria da compreensão, o silêncio que trabalha, a virtude da consciência, o jnana dos rishis e a alma dos Upanishads.

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Apenas o estudo de um capítulos dos Upanishads dá ao Atman a força necessária para diluir a angústia e enfrentar com paciência as críticas do mundo.

                                               * * *

Os rishis são minúsculos diante do Amor de Brahman!

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Tonto é aquele que lê, mas não entende;
Escuta, mas não ouve;
Fala, mas não explica. Está morto e não sabe.
É escravo, mas pensa que é senhor.
Estuda, mas é tolo.

Vive nas luzes do mundo, mas está perdido nas trevas da ignorância.
Se apaixona facilmente, mas seu coração está ressecado pelo ego.
Que Brahman o ilumine!

- Alguém que vos ama no silêncio da paz imperecível - *
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - São Paulo, 17 de setembro de 1997).

Wagner Borges: O mestre espiritual que me passou esses escritos não deseja nenhuma ostensividade em relação a sua presença invisível no mundo. Ele prefere o anônimato e sempre lembra que o conteúdo é mais importante do que a forma das coisas.
- Notas do sânscrito:
Rishis: Sábios.
Atman: A essência espiritual imortal; A centelha espiritual imortal; O espírito imperecível.
Brahmarandra: Portão de Brahman – Esotericamente significa o orifício situado dentro do chacra da coroa, no meio do alto da cabeça, sede da consciência e das intuições superiores.
Jnana: Conhecimento espiritual.

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