TRÊS RELATOS PROJETIVOS

- Por Wagner Borges -

UMA VIAGEM ESPIRITUAL AO CENTRO ESPÍRITA
(Relato Projetivo 1)

Costumo deitar-me em decúbito dorsal, mas essa noite deitei-me sobre o lado direito. Despertei cataléptico (1). Fiquei calmo para não perder a oportunidade projetiva. Logo me veio a idéia de sair do corpo rolando, e antes mesmo que essa idéia se completasse em minha mente, rolei automaticamente pelo lado esquerdo e, numa fração de segundo, me encontrei flutuando em pé no meio do quarto. Estava de frente para a parede e de costas para a minha cama. Meu primeiro pensamento foi o de virar-me para ver o corpo físico na cama, mas não pude, pois não conseguia manter-me equilibrado no ar, oscilava de um lado para o outro. Senti a pressão do cordão de prata (2) na minha nuca, tal como se fosse uma força que ali estivesse me empurrando para frente e para cima.
Após algum tempo, a força do cordão astral diminuiu e eu consegui virar-me de frente para a cama. Embora estivesse bem consciente, minha visão não era boa, pois não conseguia divisar as coisas do quarto com clareza. Não conseguia ver nem mesmo o meu corpo, via apenas uma sombra deitada na cama. Também não consegui ver o cordão, muito embora sentisse suas pulsações na minha nuca.
Lembrei-me da assistência extrafísica e elevei os pensamentos aos amparadores extrafísicos. No mesmo instante, senti a presença segura de dois benfeitores espirituais perto de mim. Veio em minha mente a lembrança da Fraternidade André Luiz (3) e senti um forte impulso de ir até lá. No mesmo momento senti duas mãos me segurarem pelos cotovelos e me erguerem com grande facilidade.
Impulsionado pelos dois benfeitores espirituais, os quais eu não via, tive uma decolagem rápida e em poucos momentos de volitação chegamos na Fraternidade. Minha visão melhorara (4) e eu podia ver com clareza. Flutuávamos em frente ao centro e os dois benfeitores continuavam me sustentando, um de cada lado, como se eu nada pesasse.
Mesmo estando do lado de fora, eu conseguia ver o interior do centro. Era como se a parede fosse transparente. Passamos através dela e nos dirigimos até um homem, do qual não me lembro a aparência, que estava sentado numa cadeira escrevendo. Sabia eu que estava diante de um benfeitor e sentia um grande respeito por ele. Francamente, como só os espíritos evoluídos são, apontou-me certos erros que eu vinha cometendo, erros esses tão claros que eu baixei os olhos (ou melhor dizendo, paraolhos) com vergonha de mim mesmo. Embora seu tom fosse autoritário não havia condenação pelos meus erros, e sim compreensão.
Deu-me algumas orientações e em seguida saímos volitando. Daí em diante minha lucidez diminuiu e tenho poucas lembranças, mas sei que volitamos por diversos lugares.
Ao despertar pela manhã, o físico continuava deitado do lado direito. Após alguns momentos vieram as recordações. Anotei tudo e o resultado é este relato.


- Wagner Borges -
Rio de Janeiro, 01 de março de 1982.

- Notas:
1. Cataléptico: Paralisado.
Obs. Catalepsia projetiva: Esse fenômeno causa medo em muitas pessoas, mas é muito mais comum do que se pensa. A pessoa acorda no meio da noite (ou mesmo numa soneca durante o dia) e descobre que não consegue se mexer. Parece que uma paralisia tomou conta do corpo. Ela não consegue mexer um dedo sequer.
Tenta gritar para chamar alguém, mas não sai voz nenhuma. A pessoa luta tenazmente para sair desse estado, mas parece que uma força invisível tolheu-lhe os movimentos. Inclusive, pode ter alguém deitado do lado e não perceber nada do que está acontecendo. Dominada por aquela paralisia, a pessoa grita mentalmente: "Eu tenho que acordar! Isso deve ser um pesadelo!"
Mas ela já está acordada, só não consegue se mover. Devido ao pânico que a pessoa sente, seus batimentos cardíacos se aceleram. A adrenalina se espalha pela circulação e estimula o corpo. O resultado disso é que a pessoa recupera os movimentos abruptamente, normalmente com um solavanco físico (espasmo muscular). Em poucos momentos, seu cérebro racionaliza o fato e dá a única resposta possível: "Foi um pesadelo!" Algumas pessoas mais impressionáveis podem fantasiar algo e jogam a culpa da paralisia em demônios ou seres espirituais. Na verdade, a pessoa acordou no meio de um processo vibratório decorrente da mudança do padrão de vibrações do corpo espiritual em relação ao corpo físico. Ela acordou em um estado transicional dos corpos. Simplesmente, ela despertou para uma situação que ocorre todas as noites quando ela dorme. Antes, ocorria com ela adormecida, e naquela situação ela acordou bem no meio da transição. Se a pessoa ficar quieta e não tentar se mover, sentirá uma sensação de flutuação por sobre o corpo.
Ocorrerá um desprendimento espiritual consciente! E então ela poderá comprovar na prática de que aquilo é realmente uma saída do corpo.
Verificará por ela mesma de que não se trata de doença ou coisa do demônio.
Se ela não quiser tentar a experiência, é só tentar mover o dedo indicador de uma das mãos ou uma das pálpebras, assim ela recupera o movimento tranqüilamente.
2. Cordão de prata: Conduto energético que interliga o corpo sutil ao corpo físico.
Sinonímias: Cordão astral, Corda de prata, Cordão prateado, Cordão espiritual, Fio de prata, Teia de prata, Fio prateado, Cordão prânico.
Sobre a expressão cordão de prata, ver o Eclesiastes cap. 12, vers. 6, onde o pregador (que se supõe ser o sábio Salomão) fala do desgaste do corpo na velhice, e que na hora da morte rompe-se o cordão de prata, e o espírito sobe aos céus e o corpo desce à Terra.
Para se ter um bom entendimento desse trecho, sugiro ao leitor que leia o capítulo 12 todo, desde o início, pois muitos pesquisadores somente comentam o trecho em questão, e aí sobram diversas interpretações diferentes (desde explicações energéticas sobre kundalini, até mesmo interpretações simbólicas sobre a roda reencarnatória – chamada pelos budistas de Samsara – a escada de Jacó e as vértebras da coluna, talvez por causa de algumas traduções da Bíblia onde a expressão cordão de prata foi substituída pela expressão cadeia de prata), justamente por causa da discussão em cima de um só trecho.
Baseado no conteúdo do que disse o pregador, e levando em conta de que a abordagem é em cima da velhice e do momento da morte, quando o espírito abandona o corpo definitivamente (ou melhor dizendo, faz a projeção final da encarnação atual), fica evidente que trata-se do momento em que rompe-se a ligação energética entre espírito e corpo.
3. Fraternidade André Luiz: Centro espírita no Rio de Janeiro (no bairro da Penha) onde participei como médium e palestrante por vários anos, e onde aprendi muito sobre a mediunidade e a desobsessão. Foi nesse centro que Waldo Vieira e eu fizemos várias palestras sobre a projeção da consciência entre os anos de 1981-1984, muito antes da formação de institutos de Projeciologia, quando o tema ainda não tinha a abertura que tem hoje.
Diga-se de passagem, a Fraternidade André Luiz sempre foi universalista, pois ali se comunicavam pretos velhos, índios e ciganas, além de árabes, hindus e chineses. Um dos mentores da casa era o Ramatís, e foi ali que o vi pela primeira vez, em 1982.
Devido a postura universalista e democrática da casa, nunca houve preocupação do grupo em submeter-se às regras de alguma federação criada pelos homens aqui da Terra. No entanto, devido ao trabalho de assistência espiritual realizado, posso dizer que a Fraternidade era registrada na “Federação dos Espíritos”, no Astral, e essa é amplamente universalista, pois tem espíritos amparadores de todas as linhas que trabalham a favor do progresso da humanidade.
4. Às vezes, a paravisão pode não estar funcionando adequadamente numa determinada projeção. Isso se deve a dois fatores, dependendo das circunstâncias:
- O corpo espiritual pode estar bastante condensado energeticamente (ou mesmo o cordão de prata, que muitas vezes fica saturado de ectoplasma que flui do interior do corpo para o astral projetado, aumentando assim o seu lastro energético), e isso pode acarretar dificuldades para manter a lucidez fora do corpo, além de dificultar as parapercepções do projetor.
Se o projetor exterioriza energias nesse momento (ou os seus amparadores o fazem nos processos de assistência extrafísica), ou mesmo eleva os pensamentos para uma sintonia espiritual mais alta, isso muda o seu padrão vibracional, e rapidamente a paravisão e a lucidez se ampliam.
- O outro motivo é psicológico mesmo: trata-se de puro condicionamento. Acostumamos na vigília a nos utilizarmos dos olhos físicos para captarmos as imagens refletidas pela luz, e para isso mantemos os olhos abertos. Ocorre que durante a projeção muitos projetores tentam abrir os paraolhos para enxergar, mas em tal situação a condição é outra e os mecanismos de percepção funcionam adaptados para outro plano de manifestação. Daí, devido ao automatismo do subconsciente, a mente associa que para ver tem que abrir os olhos, e como os olhos físicos estão fechados nesse momento do sono, isso causa uma certa confusão sensorial logo no início de uma projeção, principalmente quando o psicossoma está projetado dentro da faixa de atividade do cordão de parta, que se estende por cerca de quatro metros em torno do corpo físico durante uma projeção.
Muitos projetores passam por isso, e pode-se dizer que é um mecanismo natural do ser humano adaptando-se a outras condições vibracionais ou mentais. Praticamente todos os projetores que conheço passam ocasionalmente por essa defasagem nas parapercepções. A solução é exteriorizar energias na hora, ou simplesmente dar auto-sugestões de que irá ver tudo normalmente em instantes, e ficar bem tranqüilo e lentamente ir se adaptando ao lance, até ver tudo claramente. Alguns projetores como William Buhllman (autor do excelente livro “Aventuras Além do Corpo” – Ed. Ediouro) concentram-se mentalmente em alguma palavra ou mantra para ativar a lucidez e a paravisão. No caso dele, a palavra em que ele se concentra é “CLAREZA”. No meu caso em particular, penso na palavra “LUZ” vibrando mentalmente no centro da testa. Um amigo meu usa o mantra “OM”.
 

PROJEÇÃO EM RODOPIO
(Relato Projetivo 2)

Despertei cataléptico e permaneci imóvel, pensando em flutuar.
Comecei a sair pelos pés e a sensação era como se eu estivesse “escorregando” por eles. Vi-me flutuando acima do corpo físico, e a minha posição era a mesma dele (decúbito dorsal). Fiquei oscilando no ar durante algum tempo, até que começou um movimento giratório que me situou em posição contrária a do corpo físico, isto é, meus parapés ficaram na direção da cabeça e minha paracabeça na direção dos pés. Fiquei nessa posição por pouco tempo, pois lentamente o movimento giratório aumentou, e senti que ia perder a consciência. Muito tranqüilo, concentrei o pensamento no sentido de dominar o rodopio, o que logo consegui, pois fui diminuindo de velocidade até ficar novamente em decúbito dorsal na mesma posição acima do corpo físico. Pouco depois o corpo físico puxou-me e houve a interiorização com uma forte repercussão.
Levantei-me em seguida e anotei esse relato.

- Wagner Borges -


PROJEÇÃO ASSISTENCIAL
(Relato Projetivo 3)

Deitei-me às 23h35min. Estava muito casando e logo adormeci.
Despertei fora do corpo físico numa rua que logo reconheci ser a rua M, que fica a uns 15 minutos da minha casa. As luzes da madrugada começavam a nascer. Estava bem lúcido e me sentia muito bem.
Seguia pelo meio da rua, quando surgiu à minha frente o Irineu sorrindo. Cumprimentei-o alegremente, satisfeito por encontrá-lo também projetado fora do corpo físico. Suas condições espirituais eram ótimas e estavam bem lúcido.
Irineu é um dos meus melhores amigos. É um senhor de 70 anos, espiritualista há muito tempo. Gosta muito de estudar projeção astral, é médium passista, trabalha em sessão de desobsessão e pratica Ioga.
Observei que ele estava vestido com uma camisa de mangas compridas amarela e com uma camiseta branca por baixo. Sua calça tergal era amarela e seus sapatos eram pretos. Estava usando óculos.
Disse-lhe:
- Está fora do corpo, né Irineu? Depois ainda diz que não sai. Vamos aproveitar que você está aqui e vamos trabalhar. Quer me ajudar a dar um passe numa pessoa que mora nessa rua?
- Claro, irmãozinho, o negocio é trabalhar. Vamos lá!
Dirigimo-nos até uma das casas, onde mora o meu amigo K., que era a pessoa que iríamos ajudar.
K. é um rapaz de 30 anos, meu amigo desde a infância, que no momento está com um problema sério: está desempregado e tem esposa e três filhos para cuidar. Devido a esse problema, K está muito perturbado e desanimado.
Encontramo-lo em pé na porta da sua casa, também projetado fora do seu corpo físico, no entanto sem aperceber-se disso. Estava pensativo, preocupado com o seu problema. Tentei confortá-lo.
- Não desanima, K., Seu problema vai ser resolvido. Ânimo, rapaz!
- Eu já não estou agüentando mais essa situação, não tenho ânimo para mais nada.
- Nós estamos aqui para ajudar você. Vamos dar um passe e você vai sentir-se melhor.
- Não! Seu passe não vai me arrumar um emprego e eu não acredito nessas coisas.
Dizendo isso, K. afastou-se bastante irritado. Ficamos surpresos com aquela reação inesperada, mas não desistimos. Aproximamo-nos novamente e depois de conversarmos bastante, finalmente consentiu em que lhe déssemos o passe.
Entramos em sua casa e a nosso pedido, ele deitou em decúbito dorsal no sofá que fica na sala. Observei que os objetos que havia na sala (TV, móveis, etc) eram os mesmos que tenho visto quando visito K. fisicamente (1).
Elevamos os pensamentos e iniciamos a aplicação dos passes. Depois de algum tempo, tive a intuição de que deveria concentrar os passes nas costas de K. Virei-o de bruços e notei que havia uma coisa escura no meio de sua coluna. Concentrei os passes bem em cima dessa região, e em pouco tempo, como se minha mão direita fosse um poderoso imã que sugasse energeticamente aquela coisa escura, consegui retirá-la de sua coluna.
Segurei aquilo em minha mão e vi que era uma espécie de bola de energia escura do tamanho de uma laranja. Mostrei aquela coisa asquerosa ao Irineu e disse-lhe:
- Isso é um agregado de energias pesadas que estava agarrado na coluna dele fazendo-o sentir-se cansado e desanimado.
Joguei aquilo fora e terminamos a aplicação dos passes. K. levantou-se e disse que estava sentindo-se muito bem. Despedimo-nos dele e saímos deslizando pela rua. Daí em diante não tenho mais lembranças.
Ao despertar pela manhã lembrava somente de ter estado fora do corpo junto com Irineu e K. No entanto, com o passar das horas as lembranças vieram gradualmente e pude anotar esses detalhes aqui narrados.
No dia seguinte falei com o Irineu, mas ele não lembrava de nada.
Alguns dias depois me encontrei com K., que também de nada lembrava. No entanto, tive uma surpresa agradável, pois o encontrei muito alegre e animado. Tinha arrumado um emprego e estava feliz da vida.

* * *

Há alguns detalhes que precisam ser considerados:
- Por diversas vezes já vi o Irineu vestido fisicamente com a mesma roupa com que estava vestido extrafísicamente. Além disso, ele também usa óculos.
- Irineu e eu moramos no Rio de Janeiro, só que em bairros distantes um do outro. Ele mora em Jacarepaguá e eu em Duque de Caxias. Ele não conhece K. e nem mesmo sabe onde eu moro.
Daí pode-se concluir que para o encarnado projetado fora do corpo a distância não constitui obstáculo. O lance é de sintonia e de concentração.


- Wagner Borges –

- Nota:
1. Naturalmente que estávamos projetados no duplo astral da casa de K., onde todos os objetos que estão no físico são refletidos no astral do ambiente. Porém, nem sempre isso é assim. Muitas vezes o ambiente imediato astral de um lugar pode não refletir o ambiente físico presente, mas sim algum ambiente anterior passado, ou mesmo as formas-pensamento de outros ambientes nos quais a pessoa se sente mais afinizada mentalmente. Em outros momentos, o projetor pode ver paraobjetos que existem somente no duplo do ambiente, principalmente quando há consciências extrafísicas frequentando a sua casa. Se isso é bom ou ruim, depende de quem está freqüentando o ambiente: amparadores ou assediadores extrafísicos?
No caso de pessoas que trabalham com assistência espiritual (sejam médiuns experientes ou bioenergizadores que exteriorizam silenciosmanete energias salutares para o bem da humanidade), é muito comum a percepção de aparelhos extrafísicos acoplados no ambiente pelos amparadores extrafísicos que os amparam em suas tarefas benfeitoras.

 

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