VIAJANDO NAS ONDAS DO AMPARO SERENO E FRATERNO II

(Ou Como a Luz Rosa do Coração Ajudou um Espírito Suicida)

Madrugada do dia 27 de dezembro de 2004.

Estou de férias com alguns amigos no sítio de uma amiga em Jundiaí, cidade próxima a São Paulo.

Na sala onde estou hospedado, estão deitadas neste momento a minha namorada e a minha filha Maria Luz (minha caçula, de 10 anos).

Como deitamos cedo ontem, coisa que não é meu hábito, acordo no meio da madrugada e perco o sono. Levanto-me e pego uma revista para distrair a mente, mas estou sem muita vontade de ler. Então, resolvo fazer um trabalho energético com os meus chacras para passar o tempo e ver se pinta alguma coisa boa na tela mental.

Sento-me num pequeno sofá no canto da sala, fecho os olhos e vou percorrendo mentalmente cada um dos chacras, sentindo-os, de baixo para cima, um a um, como em uma prospecção mental silenciosa.

Para cada um deles, dou cerca de um minuto de atenção e carinho, como se fossem entidades vivas (na verdade, são pequenos portais conscienciais maravilhosos, verdadeiros sóis vivos em nós), e visualizo-os como fulcros energéticos pulsantes e serenos, com a cor da luz solar. No entanto, muitas vezes, eles assumem cores específicas, dependendo do momento e das condições psicofísicas da pessoa.

Verifico, contente, que a aura e o sistema energético estão limpos e tranqüilos.

O ambiente na sala está sereno, limpo; tudo na calma da madrugada.

Daí, resolvo ver se pego no sono. Deito-me e procuro soltar a mente... Cochilo um pouco, mas o sono profundo não chega. Estou tranqüilo, mas o corpo não quer adormecer mesmo.

* * *

Levanto-me novamente e pego outra revista, mas continuo sem saco para ler. Porém, sinto, intuitivamente, que há algo diferente rolando neste momento. Sento-me no sofá e fecho os olhos para ver o que está rolando em outros níveis conscienciais.

Elevo os pensamentos e sentimentos ao Grande Arquiteto Do Universo e busco a inspiração, de coração aberto para tudo o que é positivo e relativo ao bem de todos os seres, com a consciência permeada pela vontade de ser útil interdimensionalmente.

Então, uma coluna de luz desce sobre minha cabeça como um poderoso jorro de energia clarinha e morna. Sou interpenetrado por sentimentos elevados e torno-me veículo de celestes numes, canalizando espiritualmente a compaixão incondicional pelos meus chacras e mãos na calada da madrugada.

Enquanto as energias passam pelos meus chacras e são propagadas interdimensionalmente para o mundo, sob o comando de consciências espirituais elevadas e anônimas, sinto-me um privilegiado de estar no meio de um processo desses e começo a rir quietinho em meio a essa luz toda. Posso dizer que saboreio as sensações bioenergéticas viajando pela aura e pelos chacras, numa espécie de eletrificação benigna e gostosa.

Em dado instante, pelas vias telepáticas, um dos amparadores extrafísicos (1) sugere que eu me concentre especificamente na assistência extrafísica direcionada para os espíritos desencarnados enfermos, foco do trabalho deles nesse momento, em algum outro nível consciencial. E mais: que eu amplie o raio de sentimentos, de forma universalista e incondicional. Ou seja, mais do que energia, projetar fraternismo e compreensão a favor de espíritos endurecidos nas trevas conscienciais há tempos.

Faço o melhor que posso e irradio sentimentos no invisível à minha frente, pensando em tudo de melhor na intenção de quem for preciso, seja onde for, seja quem for, em qualquer condição... PAZ, LUZ, AMOR, ALEGRIA, CURA, FELICIDADE, ASCENSÃO, SAÚDE, ELEVAÇÃO, HARMONIA, LIBERDADE, CONTENTAMENTO...

Os minutos se passam e lentamente o fluxo de energias e sentimentos vai-se amainando. Sinto que o lance da assistência espiritual foi realizado a contento.

A coluna de luz se dilui gradativamente e parece agora uma névoa tênue pairando sobre a minha cabeça. O ar em volta é pura serenidade e contentamento suave. Mesmo no escuro, sinto que os meus olhos são como dois pequenos sóis agradecidos ao AMOR MAIOR QUE GERA A VIDA!

Fico quietinho, agradecido pelo privilégio de participar deste trabalho de ajuda espiritual silenciosa e invisível. Respiro o contentamento secreto...

Então, para minha surpresa, o mesmo amparador anônimo de antes se comunica telepaticamente e me passa uma orientação particular em relação a determinada postura de trabalho espiritual. Antes, ele educadamente me pergunta se eu quero assumir mesmo a condição espiritual que ele me apresentou, e que tudo tem a ver com meu próprio desenvolvimento consciencial.

Dou uma risadinha e penso: "Espertinho, como se ele já não soubesse a minha resposta."

E finalizando a sua orientação, ele disse-me:

"Ainda há uma tarefa a ser cumprida nesse trabalho assistencial. Será trazido um irmão espiritual muito doente, que ficará ligado ao seu campo mediúnico, para que você o ajude e, ao mesmo tempo, grafe suas impressões psíquicas como forma de testemunho, para estudos espiritualistas e conscienciais ulteriores e, também, como forma de alerta a outros em situação semelhante.

Você está bem preparado para ancorar as vibrações trevosas dele. Permaneça atento e ligado nele, mas sem se envolver psiquicamente. Você tem a experiência necessária e sabe como fazer a sua parte. E novamente lhe digo: mais do que energia, emane amor incondicional."

Fico quietinho sentado no sofá e medito. Pondero bem o lance todo, as orientações dele, o compromisso assumido espiritualmente e penso na responsabilidade...

Finalmente, o sono dá o ar de sua graça. Deito-me tranqüilo ao lado da namorada e da filha, que dormem profundamente, e adormeço também.

* * *

Desperto com o dia amanhecendo e uma fome danada. Ninguém despertou ainda na casa. Pego a mesma revista da madrugada e agora leio a matéria que queria, com gosto.

Enquanto espero o pessoal acordar, sento-me em frente à piscina do sítio e fecho os olhos, curtindo o ar puro e a calma do lugar. Estou tranqüilo e descansado, no clima de férias mesmo, de short, chinelo e camiseta, largado, na boa...

Então, abruptamente uma massa de energia escura circunda minha cabeça, por trás, na altura da nuca. Imediatamente sou invadido por ondas de pensamentos e emoções pesadíssimas, oriundas daquela massa enegrecida.

Rapidamente reajo e emano energias pelos chacras da cabeça, de forma automática, sem nem pensar, transformando a cabeça toda numa bola de luz irradiante. No entanto, logo vejo que não se trata de um ataque psíquico de uma entidade, mas sim de um agregado de formas-pensamento densas que estacionou perto do meu clima mental. Imediatamente lembrei-me da advertência do amparador de horas antes.

Ou seja: eu estou ligado mediunicamente, à distância, a um espírito enfermo, de quem está vindo essa massa densa. Contudo, diferentemente de outras vezes em que estive ligado em lances mediúnicos desse porte, eu sinto as suas emanações, mas não o sinto psiquicamente. De alguma forma, estou isolado energeticamente, para não ser afetado por ele, mas ligado em espírito, para poder senti-lo e captar apenas o necessário à tarefa a ser executada.

Lentamente vou me acostumando com as suas emanações trevosas e começo a percebê-lo melhor, mesmo sem vê-lo. Seus pensamentos reverberam interdimensionalmente dentro do meu chacra coronário e ecoam mediunicamente em minha mente. Percebo claramente que só chega até o meu campo mental apenas aquilo que os amparadores permitem, dentro do limite que posso suportar sem ser afetado.

Se esse lance fosse direto, sem a intermediação deles, com certeza intoxicaria energeticamente os meus chacras da cabeça (frontal e coronário) e as glândulas endócrinas da área (pineal e hipófise).

À medida em que o lance rola, percebo tratar-se de um cara que se suicidou há tempos e que está revoltado demais. Os amparadores estão tratando dele e precisam ancorá-lo a alguém encarnado para equilibrar suas energias. Como estou de férias e à toa em frente à piscina, dancei!

Mesmo sem vê-lo, sou bombardeado pelos seus pensamentos, que vêm com aquela massa escura em torno. Continuo esperto e sem dar mole no clima mental. Posso perceber tudo o que ele pensa, mas como um observador, não como participante ativo. Só assim posso separar o clima mental dele do meu e grafar suas impressões psíquicas (benditos anos de experiências anímico-mediúnicas nos trabalhos de desobsessão e ralação na assistência espiritual me prepararam para uma coisa dessas!).

Observo e retenho em minha mente só a atmosfera mental dele, não a sua revolta nem o teor de suas idéias. Mas não deixo de notar (sem julgamento, só constatação mesmo) que ele é um tipo de intelectual arrogante, frustrado, ácido em demasia, cheio de filosofia materialista e sofismas rebuscados, além de abominar qualquer espiritualidade, coisa que ele acha inferior e desprovida de lógica. Ele se acha uma sumidade intelectual e tem teorias negativistas para qualquer coisa.

Entretanto, o que chama a atenção nele, e que eu nunca vi antes em tal grau em espírito doente algum, é a revolta contra a existência e sua Causa Geradora. O cara odeia Deus e a vida!

Já vi muitos espíritos cristalizados em seus monoideísmos (2) estúpidos e enredados em fantasias psíquicas as mais variadas, mas esse cara bate todos os recordes de dureza consciencial! (3)

Lembro-me dos toques do amparador e fico firme e atento, para não entrar no clima mental doentio dele.

Na seqüência, as idéias dele descem da massa escura e finalmente chegam ao meu cérebro físico (acho que o amparador liberou o "download mediúnico" no outro nível).

E é essa a minha tarefa neste instante: grafar os seus pensamentos, como forma de alerta aos homens da Terra quanto às conseqüências do suicídio e do vazio consciencial.

OBS.: Peço aos leitores que apenas leiam isso como informação, mas sem entrar no clima. O objetivo é apenas o de alertar e esclarecer, como foi pedido pelo amparador amigo.

Segue-se abaixo o que pude registrar com clareza do íntimo desse espírito atormentado.

* * *

"O inferno é o pensamento. Ele queima sem parar, dentro de sua própria mente.

O aniquilamento total da consciência seria o meu grande prêmio.

Mas o maldito Deus não deixou. Sim, mil vezes maldito!

Com todo o seu poder, Ele não poderia ter dado o livre-arbítrio para quem não quer mais fazer parte dessa doença chamada de vida?

Onde está o Seu tão propalado Amor Supremo?

Ele não passa de um Ditador Universal, que não respeita o desejo de seus filhos.

O meu maior desejo é o de não existir, e Ele me nega isso!

Suicidei-me com veneno, mas descobri que não posso deixar de existir, mesmo sem corpo. Minha mente maldita continua a existir... e a pensar, pensar, pensar...

E mergulho nas trevas de meu pensar contínuo.

Tudo o que eu quero é deixar de existir! Respeitem minha vontade!

Não quero entrar na Luz, não quero voar com os malditos anjos, não quero céu algum, só quero que me aniquilem! Só quero o meu direito de não existir.

Não desejo vida, nem quero sol algum, quero o apagamento total.

O meu desejo é simples: não quero existir, em condição alguma.

E para o Supremo Ditador deve ser fácil me eliminar; basta Ele pensar nisso por apenas um segundo e me suprimir totalmente. Não dizem que Ele pode tudo?

Mas Ele é um maldito! E malditos são todos os que O cultuam!

E também são malditos esses espíritos de luz que insistem em querer me ajudar.

Se querem mesmo me ajudar, então que vão lá rezar para o Ditador me exterminar logo.

Bando de lacaios sem inteligência! Pensam o quê, seus pulhas?

Prefiro mergulhar na minha treva mental do que prestar atenção em vocês.

Aniquilamento! Obliteração total! Niilismo agora, total e irrestrito!"

* * *

Após registrar o clima mental do cara, desligo-me do lance e vou tomar café. Chega de ficar ligado a ele. Agora, o lance é só com os amparadores, do "lado de lá".

A manhã passa, mas ainda sinto-o de longe, sem, no entanto, estar mais ligado como antes. Engraçado. Conheço a mente do cara, mas não vi sua cara nem sei como ele é, ou de onde veio, ou como foi sua vida e morte.

Vou ao supermercado com o pessoal. Na volta, leio um pouco, almoço, converso, brinco com os amigos, minha filha e as outras crianças, e o dia segue o seu curso normal de férias... No fim da tarde, o sol finalmente dá o ar da graça. Coloco um CD de rock progressivo (4) para tocar e entro na piscina, onde as crianças já estão se divertindo há tempos, mesmo antes do sol chegar.

Fico submerso de corpo num cantinho da piscina, só a cabeça para fora, escutando música de olhos fechados e curtindo o sol do fim de tarde.

Então, surpresa!

Pela clarividência, vejo a boca de trás do meu chacra cardíaco ativar-se sozinha, bem no meio das costas, correspondendo ao ponto raiz na parte interna da coluna (por onde passa o canal central (5) dos nádis). Surge ali uma luz rosa brilhante, como um sol rosado belíssimo.

E dentro do raio de ação da luz rosada (como se imersa em luz rosa líquida, banhando-se em essências curativas e amorosas), a alguns centímetros de distância de minhas costas, vejo uma cabeça de homem flutuando. Imediatamente reconheço nele o suicida de horas atrás. Mesmo sem tê-lo visto antes, eu sei que é ele.

Não há a plasmagem de seu corpo espiritual (6), somente a representação da cabeça. Também pudera: o cara é só pensamento de aniquilação!

Não dá para ver direito o seu rosto, mas percebo os seus olhos tristes e suas feições meio deformadas e avermelhadas. E, da parte posterior de sua cabeça, projetam-se pequenos tentáculos deformados. Ele aparenta estar semiconsciente, em aparente tratamento na luz rosa (7).

A essa altura, sinto que não é hora de pensar em coisa alguma, mas sim de ajudá-lo de alguma maneira. Deixo-o ali, em "banho-maria espiritual", sem me preocupar, sob a cura da luz rosada. Não deixo de pensar em uma coisa: pela manhã ele estava ligado na área da cabeça, mesmo à distância; agora ele está na área do chacra cardíaco. Tomara que ele melhore logo aí, antes que seja necessário ligá-lo nos chacras de baixo, por causa de processos anímico-mediúnicos (8) de ectoplasmia (quero namorar, deixem as energias aí, estou de férias... hehehehe).

Fico na água mais um tempo e deixo de percebê-lo. Converso com os meus amigos, conto-lhes o que está rolando, brinco com a minha filha e, finalmente, saio para um banho quente de chuveiro. Estou tranqüilo e ainda sentindo a luz rosa fluir pelo chacra, mas não sinto o cara.

Faço um pequeno lanche e fico sozinho na sala onde estou hospedado. Fecho os olhos para verificar a quantas anda o lance com o cara. A coisa mudou um pouco: ele está mais para baixo, perto da boca posterior do chacra umbilical, mas ainda recebendo a luz rosada do cardíaco, que desce até ele (parece coisa de doido, não é mesmo? Mas é isso mesmo, sem tirar nem por detalhe algum!). No entanto, ele está mais consciente, e até parece mais calmo e receptivo a algum toque legal.

Coloco um CD de música New Age (9) maravilhoso para tocar e começo a conversar mentalmente com ele, pela primeira vez diretamente. Lembro-me dos toques espirituais do amparador e deixo fluir as palavras diretamente da luz rosa do coração na intenção da melhoria dele:


"Cara, não tenho como oferecer redenção para você.

Sou apenas um ser em evolução, igual a você mesmo.

Não tenho poderes a oferecer, nem milagres a fazer.

Não sou mestre de ninguém, nem discípulo iluminado.

Contudo, brilha uma luz rosa aqui no coração.

Se quiser, ela é sua.

Não é um sol de amor, ainda, mas é terna.

Ela não fala, só acaricia incondicionalmente.

Se quiser, pode ficar quietinho com ela.

Ela nada teme. Ela só aquece o espírito.

Não possui malícia, nada julga, só ama quietinha.

É igual criança e ri à toa.

Ela nada sabe das teorias da mente e seus esquemas.

Para ela, basta apenas existir para sentir-se feliz!

Sabe, você chegou furioso, e eu me segurei espiritualmente.

Mas, agora, sob a ternura dessa luz rosa do coração, algo mudou.

E foi ela que me pediu: ´me ofereça a esse irmão dolorido´.

E assim, aqui estamos nós, horas depois, ainda ligados, em espírito.

Então, faça o seguinte: abra a consciência e escute esta música.

Venha viajar junto nesta melodia, e se entregue, em espírito.

Essa luz rosa quer abraçar você... Aceite-a.

Essa luz rosa, que apenas me pediu: ´me ofereça a ele!´

Por favor, aceite-a."

Então, surge um clarão no ambiente e eu sinto a presença de uma amparadora maravilhosa, que eu não vejo o rosto, mas que está aqui para ajudá-lo. Ela toma aquela cabeça em seus braços, como uma mãe pega um filho com carinho, numa cena de rara beleza. Imagine, uma mulher de luz envolvendo aquela cabeça atormentada com todo amor, sem julgamento algum, só amor. E ainda tem gente que tem medo de espíritos amparadores! Ô cegueira consciencial!

Fico ali, quieto, escutando o resto do CD, enquanto ela, com ele colado em seu peito, acena em meio à luz, como que agradecendo algo, quando eu é que deveria estar agradecendo a ela por me deixar participar de sua luz.

* * *

Após tudo isso, fico pensando se o lance era só de assistência extrafísica rotineira. Estou desconfiado de que esse cara estava num processo de assistência para reencarnar e por isso equilibraram as suas energias com alguém encarnado, no caso eu, para ancorar a coisa. E se for isso, penso que ele surgirá daqui a alguns meses na Terra como uma criança especial, autista. Penso isso por causa de assistências anteriores, ao longo dos anos, em que o processo foi assim.

Bom, de todo jeito, nada mal para um dia de férias, e ainda salvei os chacras de baixo da doação energética!

Agora é hora de uma outra assistência (com mantra especial):

OM NAMORAR OM!

Depois de, literalmente "segurar a cabeça alheia", agora é hora de botar a minha no lugar!
 

Paz e Luz.

- Wagner Borges - Espiritualista com qualidades e defeitos, neófito da vida, cheio de alegria e garra no Dharma (10), e feliz da vida com as caronas espirituais que os amparadores lhe dão na jornada humana e consciencial (11).

(Jundiaí, 27 de dezembro de 2004.)

- Notas:
O primeiro texto está postado na seção de textos periódicos de nosso site: www.ippb.org.br - É o texto 490 (foi postado em janeiro de 2003).
1. Amparadores extrafísicos: São as consciências extrafísicas sadias que orientam e protegem espiritualmente; Guias espirituais, Mentores extrafísicos, Benfeitores astrais, Protetores extrafísicos, Amigos espirituais.
2. Monoideísmo: Padrão de idéias fixas e repetitivas.
3. Há casos de obsessão espiritual em que o clima mental deletério do espírito causa alterações profundas na personalidade da pessoa à qual está ligado psiquicamente. Já vi muitos casos assim, e com um sério agravante: a pessoa afetada é a mais propensa a não se achar sob tal influência obsessiva. Como mecanismo de fuga da verdade, admite as explicações mais cômodas ao seu entendimento distorcido e elabora teorias diversas sobre o problema, menos aquela que é a real no seu caso: tem alguém extrafísico denso na sua área.
Obviamente não estou falando aqui de pessoas fanáticas espiritualmente, que acham que tudo é obsessão extrafísica, e que prescindem de outras explicações mais apropriadas a cada caso em particular (psicológicas, bioenergéticas, físicas e outras possíveis).
4. O CD é um trabalho antigo da banda inglesa Marillion: "Holiday In Eden" (Lançamento nacional - 1992). Embora não seja um dos grandes álbuns da banda, com aqueles climas progressivos viajantes da era do vocalista Fish (período de 1982-1988), esse disco apresenta algumas baladas de que gosto muito.
5. Nádis (do sânscrito): São os condutos sutis de transporte energético pelo sistema. Há milhares deles espalhados pelo corpo energético. Há dez nádis que são considerados os principais do sistema. Desses, três se destacam por sua ação direta na coluna vertebral: são os nádis Ida (à esquerda da coluna), Píngala (à direita da coluna) e Sushumna (na parte central da coluna).

O estudo dos nádis é muito importante para os sensitivos, médiuns, curadores variados, e pesquisadores dos processos bioenergéticos (prana, chacras, kundalini).
Por isso, sugiro como leitura fundamental nesse tema, o excelente livro do pesquisador japonês Hiroshi Motoyama: "Teoria dos Chacras" - Editora Pensamento.
6. Corpo espiritual (Cristianismo - Cor. I, cap. 15, vers. 44).
Sinonímias: "Corpo astral" (do Latim "Astrum": "Estrelado" - Expressão usada pelo grande iniciado alquimista Paracelso, no séc. 16, na Europa, e por diversos ocultistas e teosofistas posteriormente) - "Perispírito" (Espiritismo - Allan Kardec, séc. 19, na França) - "Corpo de luz" (Ocultismo), "Psicossoma" (do Grego: "Psique": "Alma"; e "Soma": "Corpo" - Significa literalmente "corpo da alma" - Expressão usada inicialmente pelo espírito André Luiz nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier e por Waldo Vieira, nas décadas de 1950-1960, que atualmente é mais usada pelos estudantes de Projeciologia).
7. O corpo extrafísico é dotado de alta capacidade de plasmagem de formas psicossomáticas, refletindo psiquicamente tudo aquilo que a pessoa pensa sobre si mesma.
Por isso, muitos espíritos em condições lastimáveis após o descarte do corpo denso, vêem-se plasmados extrafisicamente com aparência deformada.
Também é verdade que, de maneira oposta, quando o espírito está muito bem, o seu corpo astral toma uma aparência leve, diáfana, vibrátil, como um corpo de luz multicolorido e irradiante de energias agradáveis. Há casos em que o espírito mais parece um foco consciente de luz irradiante.
No caso desse suicida, como ele quer deletar a sua expressão espiritual, o seu psicossoma não plasmou a forma antropomórfica usual e condicionada do ser humano da Terra. Mas, como ele não consegue eliminar a mente e os pensamentos, e como os mesmos estão condicionados na cabeça, é só essa que parece na sua manifestação visual extrafísica. Aqui, não custa lembrar-se de um velho ensinamento espiritual: CADA UM É O QUE PENSA!
Certa vez, quando eu morava no Rio de Janeiro, em fins da década de 1980, e ainda tinha tempo para atender diversos casos, fui até uma casa grande que estava sendo assombrada por um espírito sem cabeça. Diversos médiuns já tinham visto o tal espírito no ambiente, e alguns deles ainda correram quando viram o cara. Inclusive, uma grande amiga minha, médium experiente de desobsessão, também não agüentou o tranco e caiu fora, deixando-me sozinho naquele astral pesado e cheio de entidades doentes.
Sentei-me no chão da imensa sala da casa e comecei a fazer um trabalho de irradiação de energias, acoplado com um amparador chinês, que, por sua vez, estava acoplado com outros amparadores em outros planos, dando cobertura espiritual ao lance.
Em meio ao trabalho (que não vem ao caso descrever aqui), surgiu à minha frente o tal espírito sem cabeça. Era um homem negro, alto e forte, vestido em andrajos. Estava em pé à minha frente, realmente sem a cabeça, que ele simplesmente segurava na mão direita.
Era uma visão esquisita mesmo, mas, é aí que entra o estudo e o preparo espiritual para dar o suporte necessário ao entendimento dos fatos. Era óbvio que ele havia sido assassinado há tempos e que sua cabeça havia sido degolada (não sei se antes ou depois da morte do corpo). Como a sua mente registrou traumaticamente o momento, o seu psicossoma plasmou a aparência sem a cabeça, que era como ele achava que estava.
Comecei a conversar mentalmente com ele e lhe expliquei o que estava acontecendo, enquanto continuava projetando energias sadias e sentimentos legais em sua intenção. E, incrivelmente, a sua paracabeça (cabeça extrafísica) sumiu de sua mão direita e surgiu, segundos depois, em cima do seu pescoço, encaixando-se ali naturalmente.
Ou seja, o cara não estava sem cabeça, pois o corpo de luz não depende da forma do corpo para existir, apenas a reflete psiquicamente. Ele não precisa respirar, comer ou defecar, por exemplo, muito menos precisa de cabeça ou mãos. No entanto, plasma automaticamente a condição à qual a pessoa se identifica no momento.
O cara pensava e sentia normalmente, apenas não havia plasmado o corpo espiritual de forma completa e condicionada, devido a se imaginar espiritualmente sem a cabeça.
Bom, resumindo o lance, o espírito foi melhorado e levado pelos amparadores para algum lugar de tratamento extrafísico apropriado.
Aqui, cabe um alerta importante: não adianta só boa vontade para se realizar um bom trabalho espiritual. É necessário saber bem o que está fazendo e reconhecer os próprios limites. É vital estudar (mas sem ficar bitolado no que estuda e sem se achar esperto demais) os mecanismos parapsíquicos e espirituais, sempre de forma aberta e inteligente, com alegria nisso e muitos sentimentos legais.
Trabalhos de desobsessão (desassédio extrafísico), como esses aqui narrados, não são brincadeira. Exigem experiência de anos e dedicação complexa. Não são fáceis de lidar e exigem grande grau de sacrifício e disciplina.
Sobre as conseqüências extrafísicas do suicídio, sugiro a leitura desses três livros: "Memórias de Um Suicida" - Yvonne A. Pereira - Edição da Federação Espírita Brasileira (FEB) - "O Martírio dos Suicidas" - Almerindo Martins de Castro - Edição da Federação Espírita Brasileira (FEB) - "A Transição Chamada Morte" - Charles Hampton - Editora Pensamento.
8. Ectoplasmia: São os fenômenos parapsíquicos causados pela ação do ectoplasma (do grego: "Ecto": "por fora" - "Plasma": "Substância", "Molde"), que se caracterizam por efeitos psicofísicos diversos. Em processos de grande doação de energia por parte de um médium para a assistência extrafísica, muitas vezes há uma grande exteriorização de ectoplasma de seu sistema, principalmente quando a energia está sendo direcionada para entidades muito densificadas energeticamente. É por isso que dá uma fome danada depois, pois o corpo quer recuperar-se do desgaste sofrido e pede logo a reposição das forças vitais despendidas.
Como sugestão de leitura adicional nesse tema, sugiro o ótimo livro de Ramatís: "Elucidações do Além" - Recebido espiritualmente por Hercílio Maes - Editora do Conhecimento.
9. Trata-se do mais recente lançamento do tecladista americano Robin Miler: "The Heart of Love" (2004). Recentemente, ele perdeu um filho pequeno, e esse CD é todo em homenagem ao garoto que partiu. E ele foi muito feliz na confecção desse trabalho.
Conseguiu inserir nas peças de piano e sintetizadores um clima espiritual mágico e emocionante, alto astral mesmo. Logrou um clima de luz e amor na homenagem ao filho, tocando peças que elevam o coração às alturas espirituais, e que fazem pensar na eternidade da vida em todos os planos de manifestação. E o seu disco acabou sendo a trilha sonora ideal para o lance com o suicida, pois, escutando-o, inspirei-me muito e viajei no som enquanto conversava com o cara.
A vida é uma maravilha mesmo. Um brilhante músico lá nos E.U.A. faz um trabalho lindo de homenagem ao seu filho desencarnado e enche as notas musicais de fé e esperança na Luz. Aqui no Brasil, sua música viaja e enche de vida um suicida.
Tomara que o Robin Miler um dia saiba disso, e fique contente de saber que sua música é de cura e de esperança na Luz, e que homenageia, não somente o seu filho, mas todos os homens sensíveis aos valores mais elevados da consciência.
Além desse trabalho recente, ele tem dois outros CDs fantásticos, ambos de teclados e no mesmo nível de qualidade deste atual: "In The Company of Angels" (1998) e "Transcendence" (1998).
O problema para adquirir esses CDs é o preço, pois são importados dos E.U.A., mas, para quem gosta de música inspirada, vale a pena e lava a alma.
Dica de site onde esses CDs podem ser adquiridos: www.cdpoint.com.br
10. Dharma (do sânscrito): Dever, Trabalho, Mérito, Programação Existencial, Ação Sadia, Meta Consciencial.
11. Concluindo esses escritos, lembro-me da sabedoria de Sry Aurobindo, um dos gigantes do pensamento hindu. O texto inspirado dele cai como uma luva no fechamento desses nossos escritos.
Segue-se abaixo o texto.
 

CERTEZAS

Nas profundezas existe uma profundeza maior, nas alturas, uma altura maior. Mais rapidamente chegará o homem às fronteiras do espaço ilimitado, do que à plenitude de seu próprio ser. Porque esse ser é ilimitado, é Deus.

Aspiro pela força infinita, pelo conhecimento infinito, pela ventura infinita. Posso eu alcançá-los? Sim, mas a natureza do ilimitado é não ter fim. Não digas, portanto, que o posso atingir. Torno-me ele...

Só assim pode o homem alcançar Deus, tornando-se Deus...

Mas antes, é possível relacionar-se com Ele. Entrar em relação com Deus, é Yoga, o Supremo objeto e o interesse mais nobre. Dentro do âmbito da humanidade, há relações que desenvolvemos. São chamadas prece, culto, adoração, pensamento, fé, ciência, filosofia. Há outras relações além de nossa capacidade desenvolvida, mas dentro do âmbito da humanidade, que ainda temos que desenvolver. Essas são relações alcançadas pelas várias práticas do que realmente chamamos Yoga.

Podemos não O conhecer como Deus, podemos O conhecer como Natureza, nosso Eu Superior, Infinito, algum Alvo inefável. Foi assim que Buda aproximou-se Dele; assim aproximou-se Dele o rígido Adwaitin, Ele é acessível mesmo ao Ateu. Para o materialista, Ele se disfarça em matéria. Para o nihilista, Ele aguarda, à espreita, no seio da Aniquilação...


- Sry Aurobindo –

(Texto extraído do excelente livro "Sabedoria de Sry Aurobindo" - Editora Shakti - 1998.)

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