VIAJANDO NO OLHAR DE JESUS - V

"Abaixo da iluminação, só há dor!"
- Buda -


Rabi (1), foi nos seus olhos que vi mais estrelas pontilhando.
Desde que você entrou em meu coração, não fui mais a templo algum.
Que adoração eu poderia fazer fora do templo secreto, onde você habita?
Que outro céu buscar, se já o encontrei dentro do próprio coração?

Ah, como me lembro de Ramakrishna, dizendo-me:
"Garoto, é nas praias do coração que os avatares (2) chegam.
Eles vêm como as ondas de Brahman (3) e beijam as praias do Ser.
Eles gostam do céu do coração."

Hoje, alguém me contou que sonhou com você.
E eu disse: "não foi sonho.
Aquela praia não era onírica.
Era Ele mesmo beijando suas areias."

Outrora, apresentaram-me você numa cruz.
Mas, mesmo sendo criança, nunca aceitei desse jeito.
É que eu sempre soube que você ri dentro da gente.
E também sei que você gosta de canções e crianças.

Amigo, em seus olhos não vejo cruz ou pecado algum.
Só vejo miríades de estrelas pontificando.
Elas giram em torno de sua consciência cósmica.
Elas dançam com você no samadhi! (4)

Novamente, lembro-me de Ramakrishna, dizendo-me:
"Garoto, quando Ele chega, o amor se faz!
O coração derrete no deleite de Sua luz.
É o amor do amor, o avatar do coração."

Engraçado. Não fiz salmo algum, mas você veio.
E você não me fez ajoelhar em subserviência alguma.
Pelo contrário, aprendi com você a olhar para a frente...
E a ver o Divino em tudo, mesmo naqueles que nada sabem disso.

Sabe, já tentaram tanto me doutrinar em seu nome.
Mas eu nunca aceitei o que me diziam.
Porque eu não sentia você neles.
E eles não tinham amor nem estrelas cintilando no olhar.

E eu pensei: "sem amor não dá!
E o Jesus que sinto não doutrina ninguém.
Pois o amor jamais impõe o que quer que seja.
O amor tudo compreende, jamais condena."

Rabi, não vi capítulos e versículos em seu olhar.
Mas vi o amor, e isso me bastou.
As estrelas rodopiaram em torno e me levaram junto...
E eu mergulhei no samadhi com você.

E na consciência cósmica você me abraçou!
E tudo se fez amor.
E eu dancei e ri com as estrelas...
Dentro do seu olhar cintilante.

E lembrei-me novamente das palavras de Ramakrishna:
"Ele veio e entrou em mim, e nos tornamos um só.
Nós éramos avatares do mesmo amor.
Garoto, quando ele chega, só há samadhi!"

P.S: Rabi, mais um ano se vai, e os fogos espocam lá fora.
Aqui, eu fico pensando em você.
Não enchi a cara de álcool, mas estou vendo estrelas.
E elas estão dentro do céu do meu coração, com você.
Por tudo, querido amigo, muito obrigado!
Oxalá, eu possa fazer o que você me sugeriu:
"vive, ama, trabalha, aprende, compreende, sorri e segue..."


- Wagner Borges -
Jundiaí, 31 de dezembro de 2003, às 23h57min

- Notas:
1. Rabi: Mestre.
2. Avatares (do sânscrito): Emissários celestes; Canais da divindade.
3. Brahman (do sânscrito): O Absoluto, O Supremo, O TODO, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus.
4. Samadhi (do sânscrito): Expansão da consciência; Consciência cósmica.
5. Para enriquecer esses escritos, posto na seqüência uma de suas partes anteriores (Parte IV - postada pelo site em 03 de junho de 2003 - Texto 434).


VIAJANDO NO OLHAR DE JESUS IV

Rabi **, meu amigo.

Há dias venho sentindo uma grande saudade de você.

Parece que o meu coração conversa com você, sem que eu saiba disso conscientemente.

Quando tenho notícia das tragédias diárias que rolam no mundo, sempre me lembro do seu olhar tão amoroso, e curvo a cabeça em silêncio.

Sei que há processos cármicos coletivos dos quais não tenho noção no momento, mas isso não tira a pressão de sentir a dor da humanidade dentro de mim mesmo.

Há duas grandes fomes grassando no planeta: a fome material, que pega milhões de seres humanos, e a fome espiritual, que pega a grande maioria da humanidade.

No vácuo dessas duas fomes, surgem as guerras, a violência sem par e aquelas ondas de pessimismo que sabotam as melhores qualidades dos homens.

Será que se as pessoas se lembrassem mais de você e de seus ensinamentos, não como ícone religioso, mas como alguém próximo de um amigo incondicional, as coisas seriam diferentes?

Fecho os olhos e lembro-me do seu olhar atravessando os diversos planos e chegando até o centro do meu SER. Então, parte de mim (minha mente) se recolhe em timidez, como se temesse a chegada de sua luz e a onda de amor que vem com ela. Porém, uma outra parte minha (o meu coração), sei lá como, sente esse amor e se alegra com ele, como se já soubesse o caminho...

Entre o questionamento da mente e a alegria do coração, sinto uma luz preenchendo minha aura e um contentamento sereno viajando pelos meus chacras, que parecem pequenos sóis irradiando luz serena e silenciosa.

E sob o influxo dessa onda serena e amorosa, finalmente minha mente se entrega ao coração, e eu não sei mais o que dizer.

Talvez seja a hora do amor silencioso falar... Ou do coração unido à mente cantar a admiração ao Supremo, o Pai-Mãe de todos... Ou mesmo de simplesmente ficar quietinho agradecendo os toques espirituais que chegam nas asas da inspiração.

Rabi, meu amigo, será que é possível repassar a serenidade do amor e o brilho do seu olhar para essas linhas?

Será possível melhorar outras consciências, físicas e extrafísicas, por intermédio desses escritos?

Olho para fora do apartamento e vejo um nevoeiro fino misturado com a poluição baixando por entre os prédios da metrópole fria e cinzenta. Penso que há um nevoeiro psíquico interpenetrando a bruma fina, somatório de muitas mentes e corações poluídos de ressentimento e egoísmo, esquecidos do que você ensinou. Sei que isso é resultado da fome de amor que grassa entre os homens, e também da fome de discernimento espiritual.

Porém, aqui dentro está tudo clarinho, e os chacras são sóis brilhando sob a Luz do seu Sol central de Amor incondicional.

Não sei de que maneira, mas parte de mim sabe que o seu olhar está interpenetrando a muitos nesse momento. Sei que você está ajudando principalmente os pequenos e esquecidos pelo mundo, de uma forma que os olhos não vêem, mas que o coração sabe e a mente pressente.

Parece tolice o que vou dizer, mas posso jurar que os meus chacras são semelhantes a pequenas crianças luminosas nesse instante. Parece-me que eles estão pulsando de alegria por eu ter pensado no seu olhar.

Sei que muitos evocam o seu amor de forma compungida e carregada de drama, mas posso jurar que os meus chacras estão dançando e curtindo o seu olhar.

Jesus, meu querido Rabi, agora compreendo quando você disse:

"Vinde a Mim as criancinhas, pois é delas o Reino dos Céus!"

Percebendo a dança dos chacras-criancinhas, finalmente compreendo, depois de muitas vidas, o que você quis dizer.

É, o Amor faz os chacras dançarem de alegria, e acaba com o nevoeiro sensorial do ego e sacia a fome espiritual.

Meu amigo, não sou cristão nem sigo qualquer linha espiritual em particular, pois prefiro seguir o Amor que vejo em seu olhar, que me faz viajar espiritualmente de forma incondicional e universalista dentro da Espiritualidade.

Firme nesse olhar, que me transforma em "SOL CONSCIENTE", dançando na Luz com os chacras-criancinhas, peço a você que inunde esses escritos com aquela canção espiritual de ananda ***, para que outros no mundo possam ouvir o chamado do Amor ecoando nas dobras secretas de seus corações.

Olho novamente lá para fora do apartamento, com os seus olhos interpenetrados nos meus, e rezo para que o seu Amor possa transformar as dores dos homens em danças luminosas. Para que eles viajem pelos céus do coração rindo como criança, felizes por perceberem que o paraíso é um estado de consciência interior, e que na "casa do Pai há muitas moradas", muitas delas dentro de nós mesmos, no universo daquilo que pensamos, sentimos e fazemos na existência.

Rabi, o seu olhar é pura festa!

Muito obrigado por tudo, querido.


P.S: Esses escritos são dedicados a dois Chicos muito especiais: Francisco de Assis e Francisco Cândido Xavier, ambos meninos de Jesus.


- Wagner Borges -
(Carioca radicado em São Paulo, 41 anos de "encadernação", espiritualista, pai da Heleninha e da Maria Luz, sujeito com qualidades e defeitos, que finalmente compreendeu o significado de "SER CRIANÇA NA LUZ", e que aprendeu que da mesma maneira que os planetas dançam em torno de um sol, os chacras dançam igual a crianças em torno do sol de amor, inspirados por Jesus, mais do que mito, um amigo do peito!)

São Paulo, 30 de maio de 2003.

- Notas:
* Os textos "Viajando No Olhar de Jesus I, II e III" estão em nosso site na seção de textos periódicos (textos Projetivos e Espiritualistas - textos 272, 281 e 287, respectivamente).
** Rabi: Mestre.
*** Ananda (do sânscrito): Bem-Aventurança, Êxtase espiritual.

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