O MAIOR POEMA DE AMOR

Jesus, Maria e José.
Gautama, Maia e Sudodhana.
Krishna, Yasoda e Vasudeva.
Eu, Mamãe e Papai!
Sou todos eles e eles são todos em mim! Eu, que um dia fui semente, torno-me árvore frondosa. E a minha copa está voltada aos céus! Sou a árvore dos bons frutos, capaz de alimentar meus irmãos de esperança e fé! Eu deito a seiva vital aos que necessitam. Eu sorvo seus pensamentos poluentes e sórdidos e os jogo no fogo da purificação. As minhas folhas verdejantes liberam bálsamos aos que ainda trafegam pelo duro caminho de Samsara (3). A minha sombra serve de remanso aos cansados e aos que passam por mim e aos que ficam por mim. As folhas secas, jazidas no chão, são caídas pelo tempo e o Bom Pastor ara o terreno por mim. Os troncos e os caules são fortes e resistem às tempestades. Eu sou a Árvore da Vida!
Eu me curvo ao Universo. Todos os homens são deuses e eu me curvo a eles, como os súditos se curvam aos reis, como os bambus se curvam ao sopro dos ventos. Porém, curvo-me a mim mesmo e me congratulo a cada dia que renasço. Sou um barco que desliza mansamente por rios de candura e por mares tão bravios.
Posso acreditar eu ser Deus! Assim, posso tornar as ervas amargas em jarras de leite e mel. Posso espalhar-me de amor à humanidade, como as nuvens se espargem pelos céus. Posso ser a Casa do Senhor, que tem as portas e as janelas abertas ao infinito! Posso decorar meu interior com flores do campo e ornamentos do paraíso. Posso salpicar meu teto de estrelas e ainda acender todas as luzes pelas manhãs, e também quando chegam as noites mais lúcidas.
Posso eu ser compaixão, na essência divina de quando eu perdôo. Posso eu ser o Poeta Divino que tece poesias em letras de fogo e as borda pelas mãos do Grande Artesão! Posso ser eu o maior poema de amor que o Universo já escreveu. E assim, Eu Sou! E que assim, Todos Sejam!

P.S.: Texto dedicado a Wagner Borges, que busca resgatar os Cristos, os Budas e os Vishnus que habitam em todos nós.

São Paulo, 11 de junho de 2004.

- Nota de Wagner Borges:

Mauricio Santini é jornalista, escritor, poeta e espiritualista. É meu amigo há muitos anos, e sempre me emociono com os seus textos brilhantes e cheios daquele algo a mais que só os grandes escritores e poetas possuem.
Para ver outros textos dele, basta entrar em sua coluna na revista on line de nosso site (www.ippb.org.br)
OBS. Agradeço ao Mauricio pela dedicatória, e confesso que me emocionei muito ao ler um poema de tal profundidade e cheio do perfume espiritual exalado pelos grandes poetas-iniciados de todos os tempos.
Oxalá, todos nós possamos deixar florescer em nossas vidas esses grandes mestres que habitam secretamente em nossos corações. Que eles e nós sejamos UM!
E que esse UM entoe a canção do TODO que está em tudo.
Nas notas da flauta de Krishna, aquela alegria.
No olhar de Jesus, aquele amor incondicional.
No silêncio do Buda, aquela luz do equilíbrio.
Na senda do eterno, todos nós.
No maior dos poemas de amor, Deus!
E assim a canção eterna segue...
Levando vida a cada canto
Nesse doce encanto
Do canto divino em nós:
OM!
Tudo de Bom!

- Notas do sânscrito:

1. Vishnu: O Divino Preservador da vida e Protetor do Universo na cosmogonia hinduísta. O Senhor do Amor, que se manifesta nos avatares (como Rama e Krishna) que reencarnam na Terra para espalhar a boa nova do espírito entre os homens.

2. Gopis: As pastoras amigas de Krishna.

3. Samsara: A Roda reencarnatória compulsória. A roda da lei que gira o espírito pelas várias vidas, até que ele se liberte da ilusão e vença os ciclos vitais, tornando-se livre e não necessitando mais reencarnar nos mundos densos de forma obrigatória.