O UNIVERSO EM TEU CORPO HUMANO

Teu nariz foi feito para respirar o hálito das flores.
Para inalar o perfume e o alento da vida.
Para sorver o prana (1) que vem da brisa do mar e das montanhas.
Jamais sufoque os bons ares que vêm da alegria.
Nunca perca o fôlego por paixões fugidias.

Teus ouvidos foram feitos para ouvir a canção do Senhor.
Para escutar a voz do silêncio e meditar naquilo que não ouve.
Para auscultar as palavras serenas e até verdades mais duras.
Jamais os tampe com as mãos da indiferença.
Nunca os feche aos apelos dos necessitados.

Tua boca foi feita para cantar a melodia do Universo.
Para degustar o maná dos deuses em Um só.
Para dizer o indizível, para alastrar as boas novas.
Jamais diga o que o teu peito destoa.
Nunca maldiga e nem amaldiçoe a quem quer que seja.

Tuas mãos foram feitas para aninhar as outras.
Para cumprimentar todo o ser com o aceno da paz.
Para estendê-las aos que precisam de amor.
Jamais cruze os dedos para os atos mais puros.
Nem as lave com as águas do descaso e da soberba.

Teu coração foi feito para bater por nós todos.
Para pulsar com os ritmos do coração da Terra.
Para reparti-lo com a humanidade.
Nunca o parta com emoções mais tolas.
Nem o maltrate com a arritmia do ódio e do ressentimento.

Teu sexo foi feito para dar luz ao mundo.
Para juntar o separado, unir o desunido.
Para a mescla de corpos que se amam.
Jamais beba das orgias de uma fonte sádica.
Nem tampouco o vicie com a energia do outro.

Teus pés foram feitos para trilhar os caminhos da sabedoria.
Para andar na retidão e marchar pela paz.
Para fincar suas obras no solo do destino.
Jamais caminhe com os passos violentos.
Nem os descanse nos escalda-pés da ignorância.

Tua alma nasceu para ser livre!
Voa, solta pelo ar a espargir luz pelos tempos.
Ganha corpo. Eleva o espírito e leva a Deus.
Aliás, tua alma não nasceu, porque sempre existiu.
E irá se juntar às estrelas. Para ser orbes e galáxias.
Para ser breve num átimo de cometas.
Para ser sempre e compor o que chamamos de Deus!

- Nota de Wagner Borges: Mauricio Santini é jornalista, escritor, poeta e espiritualista. É meu amigo há muitos anos, e sempre me emociono com os seus textos brilhantes e cheios daquele algo a mais que só os grandes escritores e poetas possuem. Para ver outros textos dele, basta entrar em sua coluna na revista on line de nosso site: www.ippb.org.br


- Nota do texto:
1. Prana (do sânscrito): Sopro Vital; Energia; Força Vital.

Texto <563><26/10/2004>