1065 - VIAGEM ASTRAL À VRINDAVAN
Há dois amparadores comigo, mas eles não querem se identificar. Percebo os seus vultos luminosos ao meu lado e respeito seus motivos extrafísicos (3).
Telepaticamente, eles me sugerem que eu vá até um antigo templo nas cercanias da cidade, junto à orla da floresta. Plenamente consciente, deslizo pelo ar até o local.
Noto uma certa expansão de energia branca no centro do meu chacra frontal, acompanhada de um aumento das percepções extrafísicas (4).
Atravesso uma das paredes do templo e me surpreendo.
Dentro do ambiente, no duplo extrafísico do salão principal, há centenas de projetores de vários lugares do mundo. Seus corpos estão repousando em outros países, mas suas almas estão projetadas ali em um templo da Índia.
Apesar de também estar ali projetado, não sou percebido por nenhum deles. O motivo disso é simples: eles estão semiconscientes, entorpecidos, transitando extrafisicamente pelo local, tal qual zumbis extrafísicos.
Motivados por automatismos extrafísicos variados, foram projetados até ali em busca das bênçãos do menino Krishna. Conseguiram chegar, mas estão entorpecidos!
Alguns estão flutuando à deriva pelo salão, enquanto outros estão ajoelhados rezando automaticamente.
Valendo-me da magnitude das percepções extrafísicas (e com o intuito de aprender pela observação consciente), faço uma varredura energética no ambiente e nos projetores, e observo o seguinte:
- Os que estão ajoelhados estão cegos de devoção. Estão inchados de intolerância, pois amam a Krishna, mas não amam o mundo. Esqueceram-se do óbvio: não se chega a
Krishna com fé cega! Falta-lhes o mais importante: discernimento e simplicidade.
- Os que flutuam pelo ar estão cheios de conhecimento. Leram muito sobre o menino Krishna. Contudo, também estão semiconscientes. A arrogância do saber drenou-lhes a
capacidade de compreender os outros. Falta-lhes o essencial: compaixão e abertura consciencial. E não se chega a Krishna pelas vias do orgulho!
Observando aquelas pessoas projetadas, vítimas do condicionamento e da rigidez consciencial, dei-me conta de como é bom ter a mente aberta e ser bem-humorado.
Exteriorizei energias na intenção de todos e saí volitando (5) por sobre a floresta ao lado. Em dado instante, percebi o som de um rio que cortava a densa vegetação lá embaixo (6). Desci e pairei sobre a superfície das águas.
Repentinamente, um delicioso aroma interpenetrou-me por inteiro (a sensação era exatamente essa!). Não sei precisar qual era o perfume, e nem sei explicar direito a sensação, mas, por intuição direta, sei que era o perfume do menino Krishna.
A lucidez ampliou-se e perante minha visão extrafísica, as águas do rio transformaram-se em ouro líquido. Isto é, um rio dourado cortava naquele instante a densa vegetação. Então, uma onda de Amor incondicional entrou em mim (e também no rio e na floresta inteira). Tudo estava tomado pelas vibrações sutis de Govinda, o "Senhor dos Olhos de Lótus".
No centro do meu chacra cardíaco (7), surgiu uma luz dourada. Então, fui possuído espiritualmente por esse Amor incomensurável e minha consciência se expandiu.
Envolvido em tal enlevo, percebi que era hora de voltar para o corpo físico e preenchê-lo com esse amor. Logo a seguir, senti um desconforto na área da nuca extrafísica - sintoma característico do chamado vibratório do cordão de prata (8).
Em instantes, fui tracionado vigorosamente para dentro do vaso carnal. Ato contínuo, abri os olhos do corpo físico.
Para minha alegria, continuava a perceber o rio dourado pela clarividência (9). Nisso, tomei consciência de uma situação inusitada; embora percebesse o rio dourado lá em Vrindavan, ao mesmo tempo eu o percebia correndo dentro do meu coração. E aquele amor ainda me possuía por inteiro.
P.S.:
Por sugestão dos dois amparadores sutis, sugiro aos candidatos a projetores conscientes a seguinte prática:
- Deitado, com a mente e o corpo irmanados no mesmo objetivo de evoluir e fazer o Bem, visualize poderosamente que o seu corpo se transforma em um rio dourado.
Isto é, transforme-se em uma massa de ouro líquido por inteiro. Tente imaginar o som da água correndo dentro de você (tanto faz que ela corra de cima para baixo ou de baixo para cima). Dissolva-se na energia dourada!
Se quiser ampliar a concentração, vibre mentalmente no chacra frontal (à guisa
de mantra) o nome "VRINDAVAN", ou então o nome de "KRISHNA".
Faça isso todas as noites e fique muito bem!
- Wagner Borges –
(Texto extraído do livro "Viagem Espiritual – Vol. 3" – Editora Universalista – 1993.)
- Notas:
1. Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
2. Gopala (ou Govinda) - epíteto de Krishna, considerado como o "Pastorzinho divino", que tangencia os seres na direção da Bem-Aventurança (ananda), e da consciência cósmica (o samadhi, a expansão da consciência, muitas vezes associada ao despontar da aurora dissolvendo as trevas – o ego - e fazendo a atmosfera dançar na luz).
Gopala também é considerado como um mantra de dissolução de climas psicofísicos densos. Irradia alegria e espanta as confusões e equívocos.
3. Amparador extrafísico – entidade extrafísica e positiva que ajuda o projetor nas suas experiências extracorpóreas; mentor extrafísico; mestre extrafísico; companheiro espiritual; protetor astral; auxiliar invisível; guardião astral; guia espiritual; benfeitor espiritual.
4. Credito à essa energia branca a excepcional lucidez desta projeção.
Obs.: o Chacra Frontal é o centro de força situado na área da glabela, no espaço espiritual interno da testa. Está ligado à glândula hipófise – pituitária - e tem relação direta com os diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas. É o chacra da aprendizagem e do conhecimento. Em sânscrito ele é conhecido como "Ajna", o centro de comando.
(Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi -, do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico. Suas características básicas são as seguintes:
5. Volitando: voando.
6. Trata-se de um rio extrafísico.
7. Chacra Cardíaco - é o centro de força responsável pela energização do sistema cardiorrespiratório. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos. Por isso é o chacra mais afetado pelo desequilíbrio emocional. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual. Está ligado à glândula timo. O seu nome em sânscrito é "Anahata", o inviolável, o invicto, o som sutil do espírito imperecível.
8. Cordão de prata – Conduto energético que liga o corpo espiritual ao corpo físico; cordão astral, cordão fluídico; cabo astral, cordão de luz; laço vital; fio de prata; cordão perispirítico.
9. Clarividência – do latim, clarus - claro; videre, ver – é a faculdade perceptiva que permite ao indivíduo adquirir informações acerca de objetos, eventos psíquicos, cenas e coisas, físicas ou extrafísicas, através da percepção parapsíquica de imagens ou quadros mentais.
Texto <1065><21/01/2011>
