1117 - INICIAÇÃO NO TEMPLO DO CORAÇÃO – II*
Muitas vezes, o homem chora. E os seus motivos são variados.
Ele pode chorar por uma perda afetiva, pela dor física, por chantagem emocional, pela partida de alguém querido para o mundo espiritual, ou até mesmo por nervosismo – com sua consequente descarga de adrenalina.
Contudo, há momentos em que o homem chora por Deus.
E quando isso acontece, ele não consegue compreender os motivos.
Simplesmente, ele é tocado por um Grande Amor.
Então, a Luz acontece em seu coração.
E ele sente algo, em Espírito e Verdade, e sabe que palavra alguma será capaz de descrever isso.
Ah, o homem também chora pelo Divino... Porque sente que o mesmo Poder que criou as estrelas, é o mesmo Poder que está em seu coração.
Então, ele chora, na Força do Espírito – e suas lágrimas são luminosas.
E, enquanto elas descem pelo seu rosto, também lavam suas emoções antigas e transformam o seu semblante em Sol.
Sim, quando o homem chora sob a inspiração celeste, o seu rosto vira Sol.
E é Sol de Amor. E quem poderá explicar isso?
O que se sente, em Espírito e Verdade, na Luz do coração...
Ah, bendito é o homem que chora por Deus, pois carrega o Sol na cara e o Amor no coração.
Sim, às vezes, o homem chora... E faz valer a pena.
Porque é choro na Força do Espírito.
E isso não se explica, só se sente...
(Dedicado aos meus amigos do Espaço Semeando Luz - e ao povo gaúcho, valoroso e hospitaleiro -, que sempre me recebe muito bem nas minhas andanças pelas terras do Rio Grande do Sul.)
P.S.:
Esses escritos foram feitos um pouco antes do início do curso “Falando de Energias e Práticas Espirituais”, realizado no salão do Espaço Semeando Luz – grupo espiritualista da serra gaúcha.
Paz e Luz.
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
Caxias do Sul, 05 de agosto de 2011.
- Nota:
* Para melhor compreensão desses escritos, posto logo abaixo a sua primeira parte, postada pelo site do IPPB em 2001:
INICIAÇÃO NO TEMPLO DO CORAÇÃO
Era o dia mais importante de sua vida. Finalmente ele chegara às portas do coração espiritual. Era o momento da iniciação no verdadeiro templo, o lar do Eterno.
Ali, sem as máscaras e sem a indumentária arrogante do seu ego, ele seria provado intensamente. Os mestres o esperavam em silêncio. Eram as testemunhas de seu renascimento.
Ele se lembrou do ensinamento-chave que eles lhe haviam ensinado: "O Amor é a base de tudo!”
Em silêncio, ele agradeceu e entrou na câmara secreta do coração, o lar-anahata*.
Imediatamente, vários véus cinzentos foram projetados à sua frente, bloqueando sua passagem. Ele sabia que cada um deles era a expressão de sentimentos pesados e antigos, acalentados com o fervor de maya**.
Sim, eles eram filhos de suas ilusões, o pedágio emocional de seus sentimentos mal resolvidos cobrando-lhe o preço na passagem do coração.
Então, ele lutou da única maneira possível: reconheceu os véus e, com humildade, pediu perdão ao coração. Não havia ego em seu pedido, que era puro e despojado, digno de quem reconhece os erros e procura melhorar.
Na caverna-anahata, o iniciado chorou o pranto dos heróis que não temem a dor do renascimento. Suas lágrimas luminosas, filhas diretas do seu amadurecimento, dissolveram os véus e ele entrou no sol do samadhi***.
Ele agora era um alquimista completo, pois havia transformado o vil metal de suas antigas aspirações egoístas no ouro brilhante da consciência esclarecida e servidora dos bons propósitos. A sua passagem pelo cadinho iniciático do coração encheu seu espírito daquela Paz e contentamento que a maioria dos homens ainda desconhece.
Ele finalmente despertara dentro de si mesmo.
No céu de seu coração, os mestres o abençoaram e voaram com ele na luz da consciência cósmica.
Ele estava em Paz. Ele estava em casa.
Ele sorria, e pensava: o Amor é a base de tudo!
E é nas luzes do templo do coração que o grande contato espiritual acontece.
A grande iniciação é interna e só os fortes de espírito conseguem passar por ela, pois são impulsionados pela disposição de dissolverem os sentimentos obscuros que desequilibram a sua Paz interior.
O mundo não sabe, mas os iniciados choram muito no silêncio do coração.
E o mais legal é que as suas lágrimas são luminosas... E os mestres voam com eles.
(Esses escritos são dedicados ao sábio Toth**** que, um dia, nas terras quentes do antigo Egito, ensinou: "O Inefável é invisível aos olhos da carne, mas é visível à inteligência e ao coração.”)
- Wagner Borges -
São Paulo, 17 de julho de 2001.
- Notas:
* Anahata - do sânscrito- invicto; inviolado. Na tradição hinduísta, o atman - o espírito, a essência divina -, entra no corpo pelo alto da cabeça (Brahmarandra), e se aloja no centro espiritual da câmara secreta do coração por uma vida. Ele é imortal, não nasce nem morre, apenas entra e sai dos corpos perecíveis. A água não pode molhá-lo, o fogo não pode queimá-lo, nada pode causar-lhe dano, pois é a centelha do Eterno fulgurando no coração. É invicto, inviolado na câmara secreta do espírito. Por essa associação com o divino, o chacra cardíaco é chamado em sânscrito de "anahata", o lar do Eterno.
** Maya - do sânscrito - ilusão.
*** Samadhi - do sânscrito - expansão da consciência; estado de consciência cósmica.
**** Toth – no antigo Egito, o escrivão dos deuses; ou seja, por metáfora, o hierofante (mestre) que ensinava a sabedoria celeste aos iniciados espirituais. Posteriormente, ele foi deificado pelos gregos e chamado de Hermes Trismegistro.
Texto <1117><19/08/2011>
