1165 - DEZEMBRO EM MARÇO

(Carta Para Maria Luz)
 
Hoje não é noite de natal.
No entanto, eu me lembrei de uma noite especial.
Foi no mês de dezembro, quando você chegou.
Era o dia 20, cinco dias antes do natal de 1994.
E você desceu das estrelas no seio da minha vida.
E, hoje, 17 anos depois, eu estou aqui com saudades de você.
E você me dirá: “Pai, hoje nem é meu aniversário!”
Pois é, mas o meu coração nunca ligou para datas nem convenções.
Por isso, eu estou aqui, em março, pensando em você...
Mas, lembrando-me de dezembro – de quando você nasceu.
Você está aí, no frio do Canadá; mas, também está no calor do meu coração.
Você veio e trouxe Luz – porque toda criança é uma estrelinha do Eterno.
E eu agradeci a quem lhe trouxe no colo e me disse, em espírito:
“Você aceita, incondicionalmente, essa estrelinha como sua?”
E eu disse que sim, diante dessa presença espiritual – que se chama Maria.
E como toda estrelinha brilha muito, eu me lembrei da Luz.
É por isso que você se chama Maria Luz (Maria, dela; e Luz, por você mesma).
Ah, hoje não é natal - e nem seu aniversário (e você sabe que não ligo para isso).
Mas eu estou aqui, lembrando-me de dezembro, quando você chegou.
E também lembrando-me de quem trouxe você do Céu até o útero de sua mãe.
No momento, estamos longe, aqui, no plano físico. Mas, ligados, em espírito.
Porque, dentro da Luz, o que importa é a sintonia que interliga os corações.
E eu fico por aqui, pensando em você. Com saudade - e compreensão serena*.
 
Com Amor, seu pai - lembrando que sua mãe também sente a mesma coisa.
(Nessa noite de março, que é dezembro em meu coração.)
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – pai da Helena e da Maria Luz, duas estrelinhas que lhe foram emprestadas pelo Eterno...
São Paulo, 16 de março de 2012.
 
- Nota:
* Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som a música “Soul Meets Body” – da banda pop americana Death Cab For Cutie (uma das preferidas da Maria Luz). O link dela no site do Youtube é o seguinte: http://www.youtube.com/watch?v=uizQVriWp8M&;ob=av2e
Obs.: para enriquecer esses escritos, deixo na sequência um lindo texto que recebi do mentor extrafísico Rama.

 
PAIS E FILHOS, ESTRELAS E ESTRELINHAS
 
Um choro de criança anuncia nova vida que chega.
Brotando da natureza humana, ela suscitará novas emoções, alertando os corações adultos de que ainda há sentimento neles.
Cada criança que nasce é a certeza de que Deus não abandonou seu sonho cósmico de Evolução.
Cada criança é embaixadora desse sonho e os adultos deveriam saber disso.
No projeto da criação, o Criador transforma espíritos em bebês e os manda em uma missão vital: enternecer o mundo com sua graça.
É por isso que, quando uma criança nasce, o próprio Cosmo emociona-se.
Ele sabe que há um sorriso brotando na Terra.
E, muito além do entendimento humano, em planos invisíveis ao olhar físico, há seres espirituais em comunhão, torcendo para que aquela alma reencarnada cumpra seu papel e renove a vida.
Há crianças, crianças e crianças... Mas, para o Criador elas são todas iguais. São estrelinhas divinas, pedacinhos da existência, tentando irradiar Luz na carne.
São os seus filhos, espíritos-estrelas. Ele os disfarçou em corpos de bebês, pois sabe que os adultos esquecem-se fácil da Luz.
Porém, perante aquele ser pequenino, o brilho renasce em seus olhos e o coração acende com novas esperanças.
A cada dia, novas estrelinhas descem à Terra...
Primeiro, elas iluminam o útero da mulher, que torna-se mais bela do que nunca. Em seguida, já disfarçadas de bebês, elas iluminam o olhar de quem as vê.
A partir daí, elas vão crescendo e iluminam o mundo com suas brincadeiras.
Porém, chega um momento em que elas esquecem-se da Grande Estrela que as gerou. Elas se tornam adultas e o mundo as entorpece. Passam a comportar-se como carne e não como estrelinhas de Deus.
Esquecem-se da própria natureza estelar e entranham-se firmemente na carne amortecedora. Cristalizam o próprio pensamento, estratificam o próprio sentimento e choram, sem perspectiva luminosa.
É quando o Criador lhes dá uma mãozinha e manda em socorro o brilho de uma estrela, para relembrá-las da Alegria e do Amor.
E logo elas “aparecem grávidas”.
Assim, saberão da verdade que esqueceram: “um filho é uma estrelinha emprestada por Deus, para renovar, em nome da alegria, o brilho das ex-crianças que, agora, são adultas, e chamam-se pais.”
Pais e filhos, estrelas e estrelinhas, pedacinhos de luz a brilhar, realizando o grande sonho evolutivo: ser criança-adulto-espírito no coração-estrela de Deus.
 
(Que todos os pais saibam disso e recuperem o próprio brilho, amando as estrelinhas-crianças de Deus como estrelas suas também.)
 
- Rama -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – Texto extraído do livro “Viagem Espiritual – Vol. I – Editora Zennex – 1993.)

Texto <1165><13/04/2012>