1203 - HÁ ALGO MAIS... UM AMOR. UMA LUZ – XLIV*

Olá, pessoal.
Eu vejo vocês... E fico contente.
Pois sei que a morte não mata ninguém.
E por saber que vocês voam livremente.
 
Sim, eu vejo vocês...
E me emociono ao ver o brilho de seus olhos.
E sei que vocês se emocionam também.
Porque há algo mais... Um Amor. Uma Luz.
 
E eu não vejo vocês com os meus olhos físicos, não.
Eu vejo vocês com o meu coração.
E, ao mesmo tempo, eu sei de um Poder Maior...
Que, por entre os planos, vê a todos nós.
 
Ah, meus amigos, como falar disso aqui na Terra?
Como dizer aos seus entes queridos que eu vejo vocês?
E que saudade não tem idade – nem o que se sente...
E que a casa de vocês é nas estrelas – e não em tumba alguma.
 
Como dizer a eles que vocês não estão embaixo de sete palmos de terra?
Mas, sim, voando por entre os planos – e bem vivos!
Como explicar que vocês torcem por eles nas provas da vida?
E que vocês continuam amando-os – de formas invisíveis e admiráveis...
 
Eu vejo vocês... E fico admirado.
Então, penso na imensidão da vida universal.
Sim, penso em miríades de planos de manifestação...
E sei que tudo isso é no Grande Coração do Todo.
 
Também pondero sobre a percepção limitada dos sentidos físicos.
E sei que a medida do universo não é a medida daquilo que percebo.
Mas, em meu coração, eu compreendo. E, por isso, vejo vocês...
E me admiro, mais ainda – e me emociono.
 
No entanto, eu não tenho o poder de curar a dor de seus entes queridos.
E nem tenho condições de provar para eles que vocês estão bem vivos.
Eu só posso escrever e dizer que vejo vocês...
Porque há algo mais... Um Amor. Uma Luz.
 
Sabe?... Aqui embaixo o dia está nublado e frio.
Contudo, eu olho e vejo um clarão, algures.
E, dentro da claridade, eu vejo vocês...
E algo me diz que esses escritos chegarão às pessoas certas.
 
Porque os sentimentos verdadeiros viajam sob os auspícios do Alto...
E sempre chegam aos corações que amam realmente.
Ah, essas águas do espírito, que lavam secretamente as dores dos homens...
E que desaguam nos corações – na cheia da alegria e da compreensão.
 
Meus amigos, que tarefa difícil vocês me deram!
Como eu posso escrever sobre aquilo que não se explica, só se sente?
Como falar de um Grande Amor que passa por um pequeno coração?
Como falar de uma Grande Luz que não se vê com os olhos da carne?
 
Então, vamos fazer assim: aqui embaixo eu escrevo que vejo vocês...
E, aí em cima, na Casa das Estrelas, vocês vibram aquela energia legal.
E, tanto eu quanto vocês, oramos a Deus, para que Ele guie esses escritos...
Até outros corações, em Espírito e Verdade.
 
Ah, eu vejo vocês...
(E algo mais... Um Amor. Uma Luz.)
 
P.S.:
Às vezes, é muito difícil segurar a onda...
Porque as águas do espírito jorram poderosamente...
E levam os nossos sentimentos a praias cheias de estrelas.
Então, o coração da gente é lavado na Luz de um Grande Amor.
E as palavras somem... E só fica algo mais.
E isso não se explica, só se sente**.
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 14 de setembro de 2012.
 
- Notas:
* Esse texto fará parte de um novo livro sobre vida após a morte que publicarei daqui a alguns meses (com diversos textos alusivos à temática da imortalidade da consciência).
** Enquanto eu escrevia essas linhas, rolava aqui no som a bela canção “For a While” (composição e arranjos do músico inglês Tony Banks - que foi o grande tecladista do Genesis durante toda a carreira da banda), e vocais de Kim Beacon.
Link dessa música no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=T1l6WDay4i0
Obs.: ao passar esses escritos a limpo, lembrei-me de um texto postado numa antiga publicação do IPPB. Então, posto o mesmo na sequência.

 
REGENERAÇÃO*
(Texto Publicado no Boletim “Paz e Luz” – Número 11)
 
- Por Wagner Borges -
 
Houve um tempo em que fomos iniciados nas artes do espírito.
Penetramos nas brumas dos mistérios e levantamos o véu das ilusões.
Ficamos frente a frente com a Luz! E descobrimos o mistério de nós mesmos.
O olho espiritual devassou os Planos Invisíveis e nos mostrou a Luz Perene.
Foi-nos revelada a Sabedoria Arcana - e Ela era puro Amor Sereno.
Em Sua presença solene, nossas posturas equivocadas e nossas emoções enferrujadas morreram... Dissolvidas na Luz.
Despojados de nossa antiga arrogância, renascemos... Dourados de Amor Sereno!
O ferro sujo (o Eu antigo, medroso e tristonho), se dissolveu...
E, em seu lugar, surgiu o Ser Dourado (O Novo Homem), renascido das entranhas de si mesmo e iniciado na Consciência Universal.
Expostos à Luz Suprema, nus, em Espírito e Verdade, juramos seguir os desígnios Superiores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Sim, houve um tempo em que fomos iniciados juntos, em Espírito e Verdade.
Porém, não conseguimos aplicar na vida e em nossas relações com os outros, aquilo que a Luz nos ensinou.
Permitimos que o nosso discernimento fosse engolfado pelas emoções pesadas e por energias mesquinhas.
Gradativamente, sob o domínio das ilusões, fomo-nos enferrujando novamente...
Então, os nossos ideais espirituais foram manchados pelo sangue de nossas espadas. A senda iniciática, que tanto prezávamos, foi inundada de sangue e violentada pelos nossos atos agressivos e sem méritos.
Lentamente, essa Luz foi sumindo dentro de nossas emoções violentas.
Felizmente, a Justiça Cósmica nos prendeu inexoravelmente em sua imensa teia cármica... Sob sua ação depurativa, a dor se fez presente em nossos caminhos.
Acicatados pelos desenganos e posturas equivocadas, lambemos nossas feridas e choramos a dor da queda no abismo profano.
Na verdade, profanamos a nós mesmos e pisamos em cima de nossos ideais, cheios de empáfia e de falsa glória.
Contudo, a Luz não estava morta dentro de nós.
Paciente, Ela nos esperou em segredo.
Ela sabia que em nossa queda estava o embrião de uma grande lição e a possibilidade do recomeço.
Serenamente, Ela viu o tempo e o carma** operarem seu trabalho de regeneração em nós... A Roda da Vida girou, o tempo passou, e estamos juntos novamente.
Os ensinamentos herméticos do Antigo Egito e da Grécia Antiga, a Espiritualidade dos Rishis*** da Velha Índia, a Sabedoria do Tibete e da China imemorável, a honra e a lealdade dos iniciados celtas da Velha Europa, os amores e as dores do passado, tudo isso vive em nós.
Tomara que, dessa vez, nós sejamos dignos dos valores espirituais que esposamos.
Oxalá que a ferrugem se dissolva novamente, e que brilhe em nós aquele Amor Sereno, como antes, naquele tempo bom, em nossos pensamentos, sentimentos e atitudes.
Sim, estamos juntos na Luz, mais uma vez...
 
(Essas linhas são dedicadas ao mestre búlgaro Omraam Mikhael Aivanhov.)
 
P.S.:
Enquanto eu escrevia essas linhas, estava presente no ambiente o sábio mentor espiritual Ramatís, inspirando-me com suas energias sutis e sua postura serena, amorosa e universalista. A esse grande amparador espiritual, a nossa admiração e gratidão.
 
Paz e Luz!
 
- Notas:
* Esse texto foi direcionado originalmente para os 130 participantes do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB.
** Carma - do sânscrito “Karma” - ação; causa – é a lei universal de causa e efeito - Tudo aquilo que pensamos, sentimos e fazemos são movimentações vibracionais nos planos mental, astral e físico, gerando causas que inexoravelmente apresentam seus efeitos correspondentes no universo interdimensional. Logo, obviamente não há efeito sem causa, e os efeitos procuram naturalmente as suas causas correspondentes. A isso os antigos hindus chamaram de carma.
*** Rishis – do sânscrito – sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads.
   

Texto <1203><26/09/2012>