1207 - HÁ ALGO MAIS... UM AMOR. UMA LUZ – XLVII*
(Texto Postado Originalmente Numa Lista Particular de E-mails)
Olá, pessoal
Estou postando na sequência a parte XLVII de “Há Algo Mais... Um Amor. Uma Luz.” Acabei de digitá-la e passá-la a limpo, pois havia escrito o original nas páginas de um caderno. Como essa série de textos trata sobre a imortalidade da consciência, fui surpreendido com o conteúdo desse, pois é sobre a visão que tive do desencarne de um gato – e sua chegada no plano extrafísico.
E o que vi e senti emocionou-me muito... Mais do que as palavras podem expressar.
Fiz 51 anos de “encadernação” e não tomo jeito: mesmo com anos de estrada nessa senda das coisas do espírito, ainda me emociono igual criança diante do que vejo.
E que bom que isso é assim, pois os anos não me envelheceram a expressão nem o clima consciencial sadio – e nem me tiraram a capacidade de rir e de abrir o meu coração.
E ter visto o carinho com que o gato foi tratado espiritualmente pelo Ser de Luz que o levou para o seu lar astral, foi um presente que o plano espiritual me deu.
E quando essa série chegar na sua quinquaségima parte (daqui a apenas quatro textos), concluirei esse trabalho que os mentores espirituais me deram.
Então, será publicado um livro com todos eles na sequência, que será disponibilizado gratuitamente na Internet (no site do IPPB e no site da Editora Luz da Serra). O mesmo será diagramado e produzido pelo pessoal da Editora, que encampou esse projeto junto comigo. Será um livro feito com todo profissionalismo, carinho e atenção, com capa, registro e tudo mais, apenas não será materializado em papel impresso e ficará disponibilizado para download gratuito.
Essa foi a tarefa que os amparadores extrafísicos me deram há dois anos e que está chegando ao seu ápice: escrever e publicar gratuitamente uma série de textos falando de imortalidade da consciência, principalmente para ajudar na reflexão daqueles que perderam entes queridos pela morte. E vocês estão lendo tudo antes, à medida em que vou fazendo os textos.
O título será esse mesmo: “Há Algo Mais... Um Amor. Uma Luz”.
Obs.: Postei nas notas de rodapé um texto do sábo Shankara, que aprecio muito e que tem muito a ver com a minha própria jornada. Por favor, leiam o texto dele com atenção, pois os seus toques conscienciais são profundos e verdadeiros.
Que a sinergia desses textos, o meu e o dele, possa levar uma linda atmosfera espiritual até vocês, em Espírito e Verdade.
Ah, tem coisas que dinheiro nenhum do mundo paga...
Assim como a força espiritual que ressoa invisivelmente por trás da limitação das palavras... E um coração que se revela nelas.
E quando o coração fala ao coração, não há mais nada a dizer.
Bom, vamos ao texto
Um abraço a todos vocês.
- Wagner Borges – apenas seu colega de evolução, agora com 51 anos de encadernação, mais menino do que nunca, graças a Deus.
* * *
A PASSAGEM FINAL DO MALHADO – UM GATO ASTRAL
É quase noite na fazenda...
A mãe prepara a janta na casa central.
De súbito, irrompe na sala uma menina chorando...
Ela tem cerca de dez anos de idade e traz um gato nos braços.
Deseperada, ela grita: “Mãe, uma cobra mordeu o Malhado. Ele tá morrendo!”
Então, a mãe pega o bichano e verifica suas condições vitais.
Nisso, o Malhado dá o seu último suspiro e fica imóvel.
A mãe olha para a filha e não sabe o que dizer...
Pouco depois, chega o pai e, desconcertado, chora junto com a filha.
* * *
Agora já é noite na fazenda...
E um clima de tristeza ronda a todos na casa.
O pai enterrou o corpo do gato logo atrás de uma árvore, onde, anos antes, ele enterrara o cadáver de Fito, o seu cachorro querido, que desencarnara de velhice.
Na casa central, a saudade fez sua morada...
* * *
As horas passam...
A menina finalmente adormece nos braços de sua mãe.
Ao mesmo tempo, o pai olha pela janela da sala, pensativo...
Ele pondera sobre a transitoriedade das coisas do mundo.
No entanto, ele sente algo em seu coração...
Algo mais... Um Amor. Uma Luz.
* * *
Enquanto isso, no astral da sala, um Ser de Luz segura o Malhado, em espírito.
E o bichano ronrona tranquilo no colo dele, bem vivo, além do olhar dos homens.
Então, aquele Ser espiritual atravessa a parede da sala e leva o gato com ele...
E eu os vejo entrando num portal luminoso circular, algures.
Em seguida, eles saem num lugar maravilhoso, como um grande fazenda no astral.
E, ali, ele solta o Malhado em meio a milhares de outros gatos extrafísicos.
E o bichano sai correndo, contente, como se já conhecesse o seu novo lar.
Então, daquele lugar cheio de natureza viva e pulsante, O Ser de Luz me olha...
E, em meu coração, eu escuto o seguinte, em Espírito e Verdade:
“Irmão, escreve que também há algo mais para os animais... Um Amor. Uma Luz.”
E eu, aqui na cidade grande, cumpro o seu pedido – grato pela visão espiritual**.
P.S.:
Às vezes, as palavras somem, e só fica a emoção do momento.
E eu não sei mais o que dizer... Porque só sei sentir.
Então, enquanto o Malhado voa lá na fazenda extrafísica, bem vivo, eu vou ficando por aqui, em Espírito e Verdade.
Sim, ficando com algo mais... Um Amor. Uma Luz***.
Paz e Luz.
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 26 de setembro de 2012.
- Notas:
* Esse texto fará parte de um novo livro sobre vida após a morte que publicarei daqui a alguns meses (com diversos textos alusivos à temática da imortalidade da consciência).
** Enquanto eu passava a limpo esses escritos, rolava aqui no som a linda canção “My Time on Earth”, cantada pelo vocalista americano Billy Gillman, na época um garoto de 11 anos (faixa 5 do CD "Dare To Dream”). Inclusive, postei uma tradução da letra para o português - e também a letra original em inglês –, nas notas de rodapé do meu texto “Alquimia do Amor”, postado no site do IPPB no ano de 2002, no seguinte endereço específico: https://ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=5790:872-a-alquimia-do-amor&catid=31:periodicos&Itemid=57.
Obs.: Certa vez, quando toquei essa música no meu programa “Viagem Espiritual, na Rádio Mundial de São Paulo, minha amiga Nadja Pereira, editora do site da “Revista Consciência Desperta” - http://revistaconscienciadesperta.webnode.com -, escutou a mesma e adorou. E, há alguns dias, ela enviou-me um e-mail falando de uma montagem que fez dessa canção (com a tradução da letra e imagens de um filme), e postou no site do Youtube. Ela escreveu-me o seguinte:
“Olá caro Wagner.
Certa vez, ouvi a música My Time on Earth, do Billy Gilman, no seu programa e desde então virei fã dessa canção. Ontem eu montei um vídeo com a tradução da música e cenas do filme “A Árvore da Vida”.
Espero que toque os corações das pessoas como tocou o meu.
Grande Abraço, amigo.”
Então, para quem quiser ver e ouvir a montagem dela na canção, posto na sequência o link específico do site do Youtube:
*** Dias depois, ao finalizar esses escritos, lembrei-me de um texto do sábio hindu Shankara, produzido no século IX. Trata-se de uma poderosa dose de discernimento em poucas linhas. Fala das ilusões e dos véus escuros que rondam o espírito do homem submergido nas provas do mundo. E evidencia a joia suprema que brilha no coração, como um farol de bem-aventurança na jornada do despertar da consciência.
Como eu gosto muito desse texto, deixo-o na sequência para todos os leitores. E, quem sabe, lendo-o, talvez outros corações se iluminem na mesma sintonia espiritual.
Sim, talvez o discernimento de seu conteúdo seja um espécie de remédio consciencial inspirado pelo Senhor Shiva ao sábio Shankara - para erradicação das tolices que todos nós carregamos em nossos egos.
Ah, quem sabe os caminhos que o Alto toma para curar a ignorância e a inércia consciencial da humanidade?...
Quem sabe, algo mais?... Um Amor. Uma Luz.
Ou, como diria Shankara: “Quando a Joia do Supremo Discernimento brilha, desatam-se os nós do coração espiritual. E o que se vê é o Amor Real e a Luz do Senhor em tudo.”
Ah, Shiva-Shankara, valeu pelo remédio!
(Segue-se o texto logo abaixo).
MOHA MUDGARAM - O FIM DA ILUSÃO
- Por Shankara -
Quem é a esposa? Quem é o filho?
Estranhos são os caminhos deste mundo.
Quem és tu? De onde vieste?
Vasta é a ignorância, meu bem-amado.
Medita, pois, sobre essas coisas e adora o Senhor.
Vê a loucura do Homem:
Na infância ocupado com seus brinquedos,
Na juventude seduzido pelo amor,
Na maturidade curvado sob as preocupações -
E sempre negligente com o Senhor!
As horas voam, as estações passam, a vida se escoa,
Mas a brisa da esperança sopra continuamente em seu coração.
O nascimento traz a morte, a morte traz o renascimento:
Esse mal não necessita de prova.
Onde, pois, ó Homem, está a tua felicidade?
Esta vida tremula na balança
Qual orvalho numa folha de lótus -
Não obstante, o sábio pode nos mostrar, num instante,
Como atravessar esse mar de mudanças.
Quando o corpo se cobre de rugas, quando o cabelo encanece,
Quando as gengivas perdem os dentes, e o bordão do ancião
Vacila sob o seu peso como um caniço,
A taça do seu desejo ainda está cheia.
Teu filho pode trazer-te sofrimento,
Tua riqueza não te garante o céu:
Não te vanglories, pois, de tua riqueza,
Nem de tua família, nem de tua juventude -
Todas elas passam, todas hão de mudar.
Sabe isso e sê livre.
Entra na alegria do Senhor.
Não busques a paz nem a discórdia
Com amigos ou parentes.
Ó bem-amado, se queres alcançar a liberdade,
Sê igual em tudo.
(Texto extraído do livro “Viveka Chuda Mani" – A Joia do Supremo Discernimento** - Editora Pensamento.)
- Notas de Wagner Borges:
* Shankara - sábio hindu do século 9 d.C., autor do clássico hinduísta “Viveka Chuda Mani”.
Obs.: Também é um dos epítetos do deus Shiva, um dos aspectos da trimurti hinduísta (Brahma – O Criador, Vishnu – O Preservador, e Shiva – O Transformador).
A tradução literal de Shankara é “Aquele que dispensa bênçãos” (“dispensador de bênçãos”; ou seja, Shiva e, por extensão, os seus avatares).
Logo, Shankara é considerado como um dos avatares de Shiva.
** Viveka Chuda Mani - nome do célebre livro de Shankara.
Sua tradução literal é: Viveka, o discernimento espiritual; Chuda, suprema; e Mani, a joia". Ou seja, “A Suprema Joia do Discernimento”.
E como a palavra Mani também significa a joia oculta no coração (o atman, a essência espiritual imperecível), pode-se traduzir o sentido real da obra de Shankara assim: “O Discernimento Supremo Que Mora na Joia do coração Espiritual”.
Resumindo: na verdade, além do nome do livro, trata-se de um poderoso mantra evocativo da atmosfera espiritual dos rishis (sábios) que inspiraram "Os Upanishads", o trabalho de Shankara e os elevados valores conscienciais do Vedanta.
Texto <1207><11/10/2012>
