1212 - HÁ ALGO MAIS... UM AMOR. UMA LUZ – XLVIII*

Pai, ainda agora eu me lembrei de você.
Sim, eu era adolescente, e você ouvia suas músicas favoritas.
Rolava no seu som a linda voz do Ataulfo Alves e o vozeirão do Vicente Celestino.
E também as lindas vozes de Francisco Alves, Orlando Silva e Nelson Gonçalves.
Eu não entendia nada, mas percebia que você viajava naquelas canções.
E, para mim, amante do rock, sua música mais parecia coisa antiga e sem viço.
No entanto, o tempo passou, meu velho. E, hoje, homem feito, eu me recordo...
E sei do seu Amor pela música e o quanto você sonhava em também cantar.
Ah, mesmo sendo jovem, eu via como os seus olhos brilhavam.
Sabe?... Nada como o tempo para a gente amadurecer e reciclar o aprendizado.
E, aqui estou eu, lembrando-me de você, com respeito e admiração.
Os caras de que você gostava realmente cantavam muito!
E embalaram toda uma geração de brasileiros da era de ouro do rádio.
E, se me permitir, eu quero, através de você, homenagear todos dessa época.
Sim, todos que têm a mesma saudade que você tem desses grandes cantores...
Todos os que viajaram naquelas canções de um Brasil rico de lindas vozes.
Pai, na era dos celulares e da Internet, eu estou aqui, lembrando-me de você.
E, como médium**, eu lhe digo: aqueles cantores continuam cantando no Astral.
A era de ouro do rádio continua, algures... E as grandes vozes ecoam pelo Céu.
Porque há algo mais... Um Amor. Uma Luz.
 
P.S.:
Ah, Pai! Os caras continuam, sim.
E você estava certo: eles cantam demais!***
E eu lhe garanto: a viagem continua...
E os seus olhos continuarão brilhando com as canções.
Porque as grandes vozes de ouro do Brasil continuam vivas.
Francisco Alves, Silvio Caldas, Mario Reis, Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Orlando Silva, Ataulfo Alves, Augusto Calheiros, Carlos Galhardo e tantos outros...
Sim, eles vivem, eles vivem, eles vivem...
 
(Dedicado ao meu pai, Valdemar Borges, atualmente com 82 anos de “encadernação” – homem honesto, digno e apaixonado pela música popular brasileira -, a Noel Rosa, e também a todos os admiradores das grandes vozes da era de ouro do rádio brasileiro, que sentem saudade da época em que seus corações eram embalados por canções inesquecíveis.)
 
- Wagner Borges – espiritualista com qualidades e defeitos, 51 anos de “encadernação”, carioca radicado em São Paulo, fã de Yes, Genesis, Pink Floyd, Beatles, Rolling Stones, The Who, Jethro Tull, Eloy, Camel, Deep Purple, Led Zepellin, U2, Journey, Kansas, Marillion, IQ, Queen, Big Country, Tangerine Dream, Focus, Le Orme, Banco, Premiata e outras maravilhas – e também das grandes vozes da MPB.
São Paulo, 24 de outubro de 2012.
 
- Notas:
* Esse texto fará parte de um novo livro sobre vida após a morte que publicarei daqui a alguns meses (com diversos textos alusivos à temática da imortalidade da consciência).
** Médium – do latim, intermediário; ponte interplanos.
*** Link do Youtube para uma linda canção de Francisco Alves, do ano de 1952:
- Francisco Alves - Canção da Criança (1952) -
Obs.: Enquanto eu passava a limpo esses escritos, rolava aqui no som a linda canção “Na Linha do Horizonte”, sucesso da banda brasileira Azymuth, no ano de 1975. A letra é simples, mas sua melodia é fantástica, e o trabalho de teclados é primoroso.
Então, deixo na sequência a letra dessa bela canção logo abaixo (e o seu endereço específico no site do Youtube), e fico aqui pensando no Poder Maior que cria os zilhões de sóis na imensidão sideral e faz a maravilha da vida acontecer.
 
NA LINHA DO HORIZONTE
 
- por Azymuth -
 
"É, eu vou pro ar
No azul mais lindo
Eu vou morar.
Eu quero um lugar
Que não tenha dono
Qualquer lugar.
 
Eu quero encontrar a rosa dos ventos e me guiar.
Eu quero virar pássaro de prata e só voar.
É, aqui onde estou
Essa é minha estrada por onde eu vou.
E, quando eu cansar,
Na linha do horizonte eu vou pousar.
Na, na, na, na...
Na, na, na, na..."

Texto <1212><30/10/2012>