1219 - MINHA JANELA

- Por Hermógenes -
 
Bem pequena é minha janela.
Mesmo assim, é por ela que passa o solzinho morno do inverno que lava de luz os papéis sobre a mesa.
Mesmo sem adorno neste instante, emoldura encantador pedaço de Deus:
O muro mineral e branco, igual e parado;
A árvore florida pintando o muro de sombras;
Fortuita lagartixa ociosa sobre o muro, olhando o sol e balançando a cabeça como a agradecer o calor.
Exígua é minha janela.
Mas me deixa ver muitas estrelas, quando o luar falta no céu.
Por ela se esgueira meu sonho de visitar e conquistar o cosmo.
Minha janela é do tamanho exato de minha capacidade de me deslumbrar.
 
(Texto extraído do livro “Canção Universal” – Hermógenes – Editora Record).
 
- Nota:
* Hermógenes (José Hermógenes de Andrade Filho; 1921-) – escritor de diversos livros e professor de Ioga.

Texto <1219><28/11/2012>