1226 - SENDEIRO CONSCIENCIAL - III

Tu, que andas pelas provas do caminho e sentes algo mais em teu coração...
Tu, que dás testemunho do Eterno em teus passos...
Tu, que ousas carregar a chama espiritual por entre as trevas do mundo...
Tu, que oras pelos infelizes de todos os lugares e condições...
Tu, que sentes o coração fremir de Amor, só de ouvir o nome do Senhor...
Tu, que, mesmo sob o escárnio dos que te cercam, mantém tua fé e prossegues trabalhando em prol dos Magnos Valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade...
Tu, que confias na Luz - com teus propósitos sinceros, justos e equânimes...
Tu, que novamente estagias na carne - mas que não esqueces tua natureza eterna, porque sabes que vieste das estrelas e estás na Terra temporariamente...
Tu, que jamais traíste a ti mesmo - e nem renegas o Espírito em teu Ser...
Tu, que tanto lutas em meio às armadilhas e seduções do ego do mundo...
Tu, que estudas as obras da Espiritualidade e os ensinamentos perenes dos hierofantes (1) de todas as eras – para o esclarecimento de tua consciência...
Tu, que aproveitas as horas de sono do teu corpo físico para aprender e trabalhar nos planos extrafísicos – nas asas da viagem espiritual (2).
Tu, que sempre agradeces ao Grande Arquiteto Do Universo – e aos mentores espirituais que sustentam tua jornada...
Tu, que trilhas a senda espiritual e te sentes honrado por isso...
Tu, que consideras toda a humanidade como tua irmã e parceira de evolução...
Tu, que sabes que a vida continua para além do veículo físico...
Tu, que honras aos teus ancestrais fazendo o Bem sem olhar a quem...
Tu, que, mesmo sob o peso da labuta diária e do cansaço, ainda ergues os teus pensamentos ao Eterno – e agradeces a bênção do dia valorizado...
Tu, que respeita os mais velhos e também amparas aos pequenos do caminho...
Tu, que choras em silêncio diante da dor do mundo – e que oras com admiração...
Tu, que te sentes uno com as Almas Livres e Serenas – que amparam a todos...
Tu, que sentes o abraço secreto de Jesus no mundo...
Tu, que sentes a Ananda (3) de Krishna  em teu coração...
Tu, que sentes a firmeza de Rama em tuas escolhas e atos...
Tu, que sentes o toque sutil do Buda em teu Ser...
Tu, que sentes a Luz de Hórus iluminando os que tateiam nas trevas...
Tu, que sentes a Deusa Maat (4) aplainando os teus caminhos...
Tu, que sentes a Mãe Ísis (5) guiando-te na senda da Espiritualidade...
Tu, que lês essas linhas e medita no Eterno...
Tu, que te consideras neófito do Todo (6)...
Tu, que sabes que esses apontamentos são para a reflexão do teu coração...
Tu, que, aqui e agora, és saudado como iniciado espiritual – em fazer o Bem...
 
P.S.:
Tu... O Espírito – a centelha vital do Todo.
Tu... Que és Brahman (7) na carne!
Tu... Que sentes aquela Paz que não é desse mundo.
Tu... Irmão de senda.
Tu... Irmã de Darma (8).
Tu... Iniciado em fazer o Bem sem olhar a quem.
Tu... Alma Amiga, a quem desejamos o melhor na jornada...
 
Paz e Luz.
 
- Os Iniciados e Sanat Khum Maat (9) -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 06 de dezembro de 2012.)
 
- Nota de Wagner Borges:
Esse texto foi feito momentos antes do início de uma aula com a turma do curso “Om Sattva” (fase 63 – sobre temas orientais), realizado no IPPB. Então, tomo a liberdade de dedicá-lo aos 40 alunos que estavam presentes, no seio de uma egrégora (10) maravilhosa e cheia de Amor e Lucidez.
E não posso deixar de dizer que me sinto muito honrado pela chance de participar de mais um lindo trabalho com os amparadores extrafísicos – caras legais e que suportam nossas tolices e equívocos, sempre operando invisivelmente a favor do progresso de todos os seres, em Espírito e Verdade.
Graças a Deus, não estamos entorpecidos consciencialmente – e, mesmo com tantas deficiências, já brilha uma pequena Luz em nossos corações.
E, aqui, eu me lembro do sábio hindu Shankara (11), que, certa vez, homenageando as Almas Livres, ensinou o seguinte:
“Há uma Luz que brilha mais do que bilhões de sóis juntos.
É a essência da alma.
Essa é a Luz que brilha no coração.”
Ah, Shankara!
Você estava certo, sim.
Vamos adiante, até alcançarmos a meta...
Pois é só o Amor que nos leva.
Obs.: Os textos “Sendeiro Consciencial – I e II” podem ser acessados no site do IPPB, nos seguintes endereços específicos:
Parte I -
Parte II –
 
- Notas do Texto:
1. Hierofante - dentro do contexto das iniciações esotéricas da antiguidade, era o mestre que testava os neófitos (calouros) nas provas iniciáticas.
2. Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
3. Ananda – do sânscrito - bem-aventurança; êxtase espiritual.
4. Maat – na cosmogonia egípcia clássica é a deusa da justiça; por metáfora, muitas vezes ela é representada por um par de asas (ou apenas uma pena de ave), simbolizando que Ela paira acima do mundo, atenta a todas as coisas que os homens pensam, sentem e fazem em suas vidas.
Obs.: Ver o excelente texto “Antigo Egito (De Hoje)”, de autoria de minha amiga Monica Allan – postado no site do IPPB, no seguinte endereço específico:
5. Ísis - a Grande Mãe na cosmogonia egípcia antiga, esposa de Osíris e Mãe de Hórus. Era considerada a madrinha dos iniciados nos grandes arcanos espirituais. E sobre isso escrevi um texto há alguns anos - “No Fogo do Espírito, Face a Face com o Invisível” -, que pode ser acessado no site do IPPB, no seguinte endereço específico:
6. O Todo - expressão hermética para designar o Poder Absoluto que está em tudo. O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
7. Brahman – do sânscrito - O Supremo; O Grande Arquiteto Do Universo; Deus; O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência, além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
8. Darma – do sânscrito “Dharma” – dever, missão, programação existencial, mérito, bênção, ação virtuosa, meta elevada, conduta sadia, atitude correta, motivação para o que for positivo e de acordo com o bem comum.
9. Os Iniciados - grupo extrafísico de espíritos orientais que opera nos planos invisíveis do Ocidente, passando as informações espirituais oriundas da sabedoria antiga, adaptadas aos tempos modernos e direcionadas aos estudantes espirituais do presente.
Composto por amparadores hindus, chineses, egípcios, tibetanos, japoneses e alguns gregos, eles têm o compromisso de ventilar os antigos valores espirituais do Oriente nos modernos caminhos do Ocidente, fazendo disso uma síntese universalista. Estão ligados aos espíritos da Fraternidade da Cruz e do Triângulo. Segundo eles, são “iniciados” em fazer o bem, sem olhar a quem.
Sobre o mestre extrafísico Sanat Khum Maat, favor ver o texto 139 - postado pelo site do IPPB no ano de 1999, onde revelo alguns detalhes sobre sua presença espiritual -, no seguinte endereço específico:
Há outros textos dele postados na seção de textos periódicos do site enviados semanalmente - www.ippb.org.br - Devido à profundidade de seus apontamentos, é um dos mentores mais queridos dos leitores, que, frequentemente, enviam e-mails pedindo mais textos de sua autoria espiritual.
(A coletânea de textos espirituais de Sanat Khum Maat está publicada em meu oitavo livro: "Ensinamentos Extrafísicos e Projetivos", lançado pela Editora Madras, em 2005 - o livro pode ser encontrado nas livrarias e também pode ser adquirido diretamente no IPPB, ou por telefone, e ser enviado pelo correio).
10. Egrégora - do grego “Egregorien”, que significa “velar”, “cuidar” - é a atmosfera coletiva plasmada espiritualmente num certo ambiente, decorrente do somatório dos pensamentos, sentimentos e energias de um grupo de pessoas voltado para a produção de climas virtuosos no mundo.
É a atmosfera psíquica resultante da reunião de grupos voltados para trabalhos e estudos baseados na LUZ. Pode-se dizer que toda reunião de pessoas para a prática do Bem e da Virtude - independentemente de linha espiritual - forma uma egrégora específica, uma verdadeira entidade coletiva luminosa, à qual se agregam várias outras consciências extrafísicas alinhadas com aquela sintonia espiritual para um trabalho interconsciencial.
Provavelmente foi por isso que Jesus ensinou: "Onde houver dois ou mais em meu nome, aí eu estarei."
Muitos dizem que não se deve misturar egrégoras de trabalhos diferentes, porém, quando o Amor se manifesta, desaparece qualquer ideologia doutrinária, e só fica o que interessa: a LUZ.
No dia em que os homens despertarem para climas mais universalistas e cosmoéticos, com certeza esse mundo será melhor de viver.
Viva a LUZ, pouco importa o nome, o grupo ou a doutrina que fale dela. E viva os mentores espirituais que ajudam a todos, independentemente de credo, raça ou cultura esposada.
11. Shankara - sábio hindu do século 9 d.C., autor do clássico hinduísta “Viveka Chuda Mani”.
Obs.: Também é um dos epítetos do deus Shiva, um dos aspectos da trimurti hinduísta (Brahma – O Criador, Vishnu – O Preservador, e Shiva – O Transformador).
A tradução literal de Shankara é “Aquele que dispensa bênçãos” (“dispensador de bênçãos”; ou seja, Shiva e, por extensão, os seus avatares).
Logo, Shankara é considerado como um dos avatares de Shiva.
Obs.: Finalizando esses escritos de hoje, deixo na sequência um texto antigo, com aquele perfume sutil das coisas do espírito. E quem compreende, em seu coração, realmente o compreende...
 
 
SERMÕES EM VERSO
 
- Por Swami Vivekananda* -
 
Deixai que se ofusque o olhar.
Deixai que o coração desfaleça.
Deixai falhar a amizade, o amor atraiçoar...
E que do Destino um cento de horror apareça.
 
Que a escuridão coagulada bloqueie tua senda...
E ponha cara zangada a inteira natureza.
Deixai que tudo esteja para destruir-te. E pensa.
E sabe, entretanto, minha alma, com certeza...
 
Que Tu és Divina. Marcha, pois! Adiante!
Sem para esquerda ou direita desviar,
Para frente, buscando a meta alcançar!
 
Aquele que a miséria atreve-se amar,
E a forma tétrica da morte pode abraçar,
Dançando, na destruição, a dança bela
A ele, a Mãe se revela.
 
Se do sol a nuvem esconde apenas a fração.
E o firmamento triste está.
Mantém-te firme, no entanto, bravo coração,
A vitória certamente chegará.
 
Não vem depois do inverno, o cálido verão?
Cada vazio despede gigantesca vaga,
E misturam-se ambos em luz e escuridão.
Sê firme, pois, e deixa a mágoa.
 
Os deveres da vida amargos são...
E seu prazer fugaz e pobre.
A meta, coberta está de escuridão.
Prossegue até ela, alma nobre.
 
Caminha com força, com sofreguidão.
Sê ousada! Une-te a ela.
Que passe a momentânea e rápida visão.
Ou, se não, sonha sonhos de maior talho,
Sonhos de Amor Eterno e Livre Trabalho.
 
Quebra teus grilhões! Os laços opressores rompem,
De brilhante ouro ou de minério impuro,
Amor e ódio – bem e mal – toda a corte dual.
Sabe, escravo é escravo, sempre, amado ou de destino duro
E cadeias, de ouro embora, prendem igual.
 
Diz: A todos, paz.
De mim nenhum perigo a toda criatura,
Menor que seja.
A Verdade jamais deve ser esperada...
Ali onde a luxúria, a fama
E a avidez de ganho tem sua morada.
 
Esvaia-se tua vã submissão ao Conhecimento.
Diluam-se tuas preces e oferendas,
E tua capaz firmeza, num momento.
Pois só o Amor inegoísta é refúgio e senda,
Ó inseto, ensina, abraçando a chama.
 
Fórmulas de adoração, controle do alento,
Ciência, sistemas vários, Filosofia,
Requinte de gosto e tudo e ouro...
São ilusões fatais da mente, tão vazia.
Amor, Amor – é só a força, o único tesouro.
 
(Texto extraído do livro “Assim Falou Vivekananda” – Editora Vedanta.)
 
- Nota:
* Swami Vivekananda (1863-1902): discípulo de Paramahamsa Ramakrishna.
 

Texto <1226><23/01/2013>