1268 - HÁ ALGO MAIS... UM AMOR. UMA LUZ. – LX*

(A Maravilha do Tao da Música no Coração do Homem)
 
O Divino também se expressa pela música...
Quem escuta com o coração, sabe.
Sente algo mais... Um Amor. Uma Luz.
Isso é uma maravilha: sentir o Eterno em si mesmo.
Como pode o homem desconsiderar isto?
 
Ah, o poder de cura da música, que alegra o viver...
Que nos faz pensar no infinito e nas estrelas.
Que faz o nosso coração fremir nas ondas de um Grande Amor.
Que faz o nosso corpo espiritual ficar mais luminoso.
Que faz sentirmos as vibrações do Chi...
 
Sim, a música nos faz viajar além da linha do horizonte...
Algures, na imensidão da vida, na Casa do Supremo.
E, maravilha das maravilhas, tudo isso dentro de nós.
Ah, o sábio Lao-Tzé estava certo: há uma joia em cada coração.
E a Eterna Urdidura do Princípio Vital só se revela ali.
 
E como pode isso ser mistério para o homem da Terra?
O Amor Que Gera a Vida criando a música das esferas sutis...
E as estrelas dançando com o Chi** na nossa frente.
Ah, que coisa linda! Quando sentimos o Tao na música...
E só agradecer o dom da vida e a chance de apenas SER.
 
No alto da montanha Kum Lun, os mestres taoístas se maravilham...
Porque eles também vêem as estrelas dançando com o Chi.
Eles vêem a vida acontecendo em todos os planos – e o Tao***em tudo.
Eles escutam aquela música... E ensinam que é preciso rir mais.
Sim, rir mais, principalmente do ridículo de nós mesmos.
 
E, talvez, por isso, o sábio Chuang-Tzú falasse da alegria dos peixes****.
Quem sabe, para alertar a todos de que é preciso rir mais.
Pois, quando a gente ri, o Chi circula melhor e a vida flui com gosto...
Então, nosso coração escuta aquela música e sente o Eterno.
Ah, quando a música fala ao nosso coração, não há mais nada a dizer.
 
P.S.:
O sábio taoísta Lie-Tao ensinou o seguinte:
“Ter não é o mesmo que SER.
SER é muito mais...
É saber sentir a música com o coração.
É ver estrelas dançando na frente.
É dançar junto com o Chi.
É rir de si mesmo.
É agradecer ao Tao...
Pela música; pelo riso; pela vida.
É perceber algo a mais...
Um Amor. Uma Luz.
Maravilha das maravilhas, é apenas SER.
E quem sabe isso, valoriza a lição.
E vê o brilho da joia em seu coração.
E se maravilha mais ainda...
SER... Um Amor. Uma Luz.”
 
(Dedicado aos mestres taoístas Lao-Tzé, Chuang-Tzú e Lie-Tao - e aos meus amigos do grupo extrafísico do Tao-Chi.)
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 12 de junho de 2013.
 
- Notas:
* Esse texto fará parte de um novo livro sobre vida após a morte que publicarei daqui a alguns meses (com diversos textos alusivos à temática da imortalidade da consciência).
** - Chi - do chinês - força vital, energia.
Dentro dos ensinamentos taoístas, a força vital é polarizada na natureza das coisas em dois aspectos fenomênicos: o Yin e o Yang, as alternâncias do Chi, as polaridades da energia.
*** Tao - do chinês - O Caminho; a Essência de tudo; O Todo.
Na verdade, o Tao não pode ser descrito ou explicado por palavras humanas. Por isso, deixo a cargo do sábio Lao-Tzé uma explicação mais apropriada:
"Há algo natural e perfeito, existente antes de Céu e Terra.
Imóvel e insondável, permanece só e sem modificação.
Está em toda parte e nunca se esgota.
Pode-se considerá-lo a Mãe de tudo.
Não conhecendo seu nome, chamo-o Tao.
Obrigado a dar-lhe um nome, o chamaria Transcendente."
- Lao Tzé - in "Tao Te Ching" – China; Século VI a.C.
**** Ver o texto “A Alegria dos Peixes” – do mestre taoísta Chuang-Tzú -, no seguinte endereço específico do site do IPPB:
Obs.:Enquanto eu digitava essas linhas, lembrei-me de um texto do grupo extrafísico do Tao-Chi, que apresenta grandes correspondências com esses escritos de hoje. Então posto o mesmo na sequência.
 
 
VOANDO ESPIRITUALMENTE NAS ONDAS DA SERENIDADE...
(O Chamado dos Sábios Espirituais da Morada do Dragão)
 
Amigo, é hora de voar espiritualmente.
Lá da Montanha sagrada de Kun Lun, lar dos sábios taoístas, ecoa um chamado secreto... O seu eco sutil atravessa as distâncias e evoca o Chi que cura o espírito.
Escute o seu coração, pois ele ouviu o eco além dos ruídos do mundo.
Alguém disse: “Lá da Morada do Dragão, os mestres chamam os viajantes extrafísicos. É hora do encontro, além do corpo, em meio às estrelas, filhas do Tao.”
No silêncio da noite, curve sua cabeça e agradeça a quem lhe concedeu a dança da vida nas ondas do Chi. Aquele Poder, que não pode ser definido pelo homem: o Tao!
Pense no sorriso sereno dos sábios e apenas solte-se na noite, deslizando...
Medite no olhar lúcido e brilhante dos amigos espirituais... E encontre-os!
Enquanto o seu corpo adormece, você atende ao chamado da Morada do Dragão.
Como a música que se propaga pelo ar, você segue os ventos do espírito...
Como os sábios ensinam, monte no dragão de Chi e voe livremente.
Com modéstia, aprenda os ensinamentos daqueles que são serenos e livres.
Pondere sobre o Amor incondicional que eles emanam naturalmente.
E observe a alegria deles, despojados das peias do egoísmo e da arrogância.
Eles riem com o olhar e conhecem profundamente cada viajante espiritual.
Pelos nove mundos siderais, eles viajam ensinando as artes da serenidade.
E são eles que agora chamam, lá das montanhas sagradas de Kun Lun.
É hora de voar, para aprender e trabalhar, em espírito, nas ondas do Chi...
Na Morada do Dragão, todos sabem quem é o Real Poder do Universo: o Tao!
 
P.S.:
Amigo, seja como a música: apenas solte-se pelo ar, serenamente...
No silêncio da noite, aprenda com os sábios as artes da Paz.
E não se esqueça de agradecer a quem lhe concedeu a graça de dançar no Chi.
Os sábios ensinam: “Nos nove mundos siderais, sábio é o Tao, UM de todos.”
 
- Tao-Chi*
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 27 de junho de 2006).
 
- Notas:
* Tao-Chi: Equipe extrafísica de amparadores ligados à atmosfera espiritual do Taoísmo. Originalmente eram duas equipes: a equipe Tao e a equipe Chi. Posteriormente, as duas equipes se fundiram numa só: Tao-Chi.
Esse grupo me passa ensinamentos oriundos do Taoísmo adaptados à realidade ocidental e aos estudos espirituais modernos, notadamente sobre as projeções da consciência – experiências fora do corpo - e os estudos de Bioenergia.
São exímios manipuladores de energia e ajudam a muitos projetores extrafísicos.
Obs.:Enquanto eu passava essas linhas a limpo, pensei em enriquecê-las com algum texto taoísta. Daí fui até o site da Sociedade Taoísta do Brasil e encontrei um ótimo texto do sacerdote taoísta Vitor Nascimento, onde ele fala sobre os aspectos espirituais da Montanha Sagrada de Kun Lun no contexto chinês. Reproduzo o mesmo na sequência.
 
 
RETORNAR AO KUN LUN
 
“Subir a Montanha Sagrada Kun Lun, na China, significa elevar-se espiritualmente.”
 
- Por Vitor Nascimento -
 
Desde os tempos imemoriais, muitas sociedades tradicionais consideravam que a existência humana só era possível graças a uma comunicação permanente com o mundo celestial.
Esta comunicação era garantida pela existência de aberturas (no alto e embaixo), através das quais colunas ou pilares cósmicos sustentavam e ao mesmo tempo faziam a ligação entre o “nosso” mundo, o que estava acima e o que estava abaixo dele.
Aquelas sociedades consideravam que este eixo (axis mundi) que liga e sustenta o Céu e a Terra possuía uma característica importante: ele se situava no centro do mundo.
Mas esse mundo, sagrado por excelência, não era uma mera fantasia, pois para aquelas sociedades, era o sagrado que propiciava o verdadeiro sentido da realidade, isto é, viver o mais próximo possível dos locais das manifestações dos mestres ou divindades, repetir seus gestos, suas palavras, praticar seus ensinamentos; tudo isso fazia com que aquelas pessoas pudessem viver em uma atmosfera impregnada de realidade. Portanto, a manutenção daquela ligação era imprescindível para a existência dos “dez mil seres” (tudo que existe).
Existem algumas imagens que exprimem a ligação com o mundo celestial além da coluna (ou pilar). Entre elas estão a escada, a árvore (ou tronco) e a montanha.
Muitas culturas falam de Montanhas Sagradas que se situam no “centro do mundo”, como o Meru na Índia, o Harabereizati no Irã, o Gerizim na Palestina, o Kun Lun na China, entre tantas outras.
Da mesma forma, muito templos se espelham no simbolismo da Montanha Sagrada, e assim possuem em seus nomes termos que se referem àquela imagem: Templo da Montanha, do Monte ou da Nuvem (que encobre as montanhas), como é o caso do Monastério da Nuvem Branca em Beijing.
Subir a montanha Sagrada significa elevar-se espiritualmente, ao mesmo tempo em que representa também uma viagem ao centro (do mundo). E, se entendermos o centro como origem, então a busca pela Montanha Sagrada significa também o Caminho do Retorno, o retorno à origem, ao Tao.
 
 
O MONTE KUN LUN
 
Kun Lun é uma das Montanhas Sagradas mais importantes da China.
Não se sabe o sentido do termo Kun Lun, que a julgar pelo ideograma é anterior à escrita chinesa. Existe o Kun Lun no nível físico: trata-se de uma cadeia de montanhas na região leste da China e que faz parte do conjunto montanhoso dos Himalaias.
O nome da montanha “física” foi dado em homenagem à Montanha Sagrada. Em relação a esta última, conta a tradição taoísta que, quando as cinco forças criativas do universo revelaram seus conhecimentos, criaram assim a ordem no Universo, e nesse momento ergueu-se de um imenso oceano o Monte Kun Lun, que foi assim descrito:
“Era uma ilha gigantesca e íngreme, cercada por fortíssimas ondas de nove quebras; sustentava um grande tronco no alto do qual havia um continente...”
O Monte Kun Lun inteiro é chamado de “Cidade Inferior do Rei de Jade”, pois representa o mundo material que é governado por ele. O Rei de Jade simboliza a consciência universal.
Ainda segundo a tradição, o Kun Lun é a morada de todos os deuses: “Todos os homens sagrados, imortais do mundo sob o Céu, têm seu governo no alto do Monte Kun Lun, no continente da coluna.”
Dizem que esta coluna seria feita de bronze polido, com um diâmetro de cerca de três mil léguas e sua altura chegaria aos céus. O Monte Kun Lun Sagrado é entendido como sendo uma escada que conduz ao Céu, já que se trata de uma montanha feita de infinitas dimensões. Existe um Monte Kun Lun acima do outro: quando se consegue entrar no primeiro nível da montanha ainda tem o segundo, terceiro, quarto níveis, e assim sucessivamente... Seguindo o caminho do Monte Kun Lun chega-se à mais alta hierarquia espiritual.
Por isso o Kun Lun é considerado pelo taoísmo como o símbolo da Montanha Sagrada que conduz o praticante à realização da grande obra espiritual.
Antigamente havia uma fotografia em nosso templo, na Sociedade Taoísta do Brasil, do Mestre Liu da Ordem da Espada, da Escola da Tradição dos Imortais Kun Lun (Escola Kun Lun). Mestre Liu queria subir o Monte Kun Lun Sagrado, e para isso buscou uma entrada a partir da montanha “física”. Ele foi para lá e em estado de meditação profunda fez três tentativas para entrar. Na primeira e na segunda não obteve sucesso, mas na terceira conseguiu.
Ao entrar, viu-se em uma grande montanha, com uma grande floresta, diferente do lugar em que estava. Lá encontrou seus mestres e o Patriarca de sua Escola lhe esperando. De lá, ele e um dos mestres começaram a subida da montanha, que era muito alta, e assim levaram dias, semanas para subir.
Durante o caminho, o mestre ia explicando a seu discípulo o que era, e o que significava cada lugar, cada planta, animal, rocha, riacho e fonte que encontravam. Havia árvores, animais e toda uma natureza desconhecida da humanidade.
Em um dado momento, chegaram a um lugar em que havia uma árvore frondosa, gigantesca, e sob ela, já envolvido pelo cipó, um velhinho sentado em estado meditativo. Sua barba e cabelos longos cobriam o chão. Nesse momento o mestre de Liu disse-lhe: “Não fique aí parado, feche os olhos, ajoelhe-se e reverencie”.
O mestre depois explicou: “aquele em meditação é o nosso patriarca, o primeiro corpo do nosso patriarca, ou seja, ele saiu do mundo físico e entrou no mundo do Kun Lun espiritual. De lá, meditou de novo, transcendeu de novo, criou outro corpo e foi para o outro Monte Kun Lun, deixando o corpo parado lá, em meditação, há centenas de milhares de anos. Ele não está mais naquele corpo, está em outro nível do Kun Lun, mas tem que reverenciar, pois é o primeiro corpo ascencionado do patriarca da Linhagem Kun Lun.”
Portanto, o Patriraca já havia seguido para o segundo ou terceiro nível do Kun Lun, e o Mestre Liu estava ligado ao primeiro nível.
Conta-se que aos 95 anos de idade, Mestre Liu reuniu algumas pessoas entre discípulos e iniciados e falou: “Vou retornar ao Kun Lun”. Então ele se sentou e simplesmente “desligou-se” - o espírito dele foi pelo menos para o primeiro nível e lá deve estar continuando o seu trabalho espiritual para poder ascender aos outros níveis.
A Tradição Taoísta propicia ao praticante caminhos para a realização espiritual e o Kun Lun representa o estágio mais elevado dessa realização. Sua grande altura, forma íngreme e as fortes ondas, indicam que o acesso não é fácil, mas que, com trabalho, torna-se uma condição possível e segura de se atingir, porém, é preciso “dar a partida” com simplicidade, afetividade e humildade. Se o Caminho começa debaixo dos pés, como diz Lao-Tsé, então vamos começar, ou melhor, vamos “Retornar ao Kun Lun”.
 
(Texto extraído do Jornal Tao do Taoísmo - Número 14 – disponível para leitura no site da Sociedade Taoísta do Brasil, no seguinte endereço específico: http://sociedadetaoista.com.br/blog/sociedade-taoista/jornal-tao-do-taoismo/retornar-ao-kun-lun/)
 
- Nota de Wagner Borges:
Vitor Nascimento, autor desse artigo, é professor e sacerdote Taoísta, além de Geólogo e Geógrafo.
O site da Sociedade Taoísta do Brasil apresenta diversos textos oriundos dos ensinamentos ancestrais dos sábios chineses – www.taosimo.org.br  

Texto <1268><03/07/2013>