1290 - CRIANÇAS E RELIGIÃO - CRIANÇAS DE OXALÁ

- Por Frank -
 
Sinto vontade, não necessidade - e vou orar...
Diante do meu altar, vejo a imagem de Jesus - e minha consciência sobe escadas, voa alto em direção às estrelas; e, na velocidade da sintonia, ela chega ao Amor Inicial, esse mar de compaixão que o meu amigo e professor Wagner Borges chama de “Primeiro Amor”. Um Amor que toca não só o meu intelecto, mas também, cada célula do corpo que visto; sorrio! Estou nesse momento na frequência de Cristo e medito...
Medito na Causa Inicial e o quanto precisamos de avatares*, deuses em imagens, e madeiras para nos conectarmos com essa Energia Divina Criadora que não tem rosto e  nem tem forma, pois tem a cara do Amor.
Vejo essa imagem de Jesus na minha frente e percebo o quanto preciso dela; pois a minha consciência é gotinha dentro desse Oceano que é o Grande Criador; e mesmo sendo desse tantinho assim, percebo que o Criador manda o seu Amor e não se esquece de mim. E sei que, se um dia eu esquecer novamente que Ele está aqui dentro do meu peito, Ele ficará bem quietinho, pacientemente esperando o momento do meu despertar.
Se eu dormir, Oxalá que não demore muito para eu acordar...
Penso em meus irmãos de todos os credos pelo mundo, nos diversos nomes que usamos para a manifestação desse Amor (Jesus, Krishna, Buda, Xangô, Jah, Jeová, e outros), e de como O revestimos com as imagens dos nossos avatares - como se não existisse algo além.
Medito no nosso apego pela forma e nas palavras que utilizamos para construir símiles do Divino em nossas mentes; e em como isso nos aprisiona num nível infantil do entendimento da Divindade e da nossa Espiritualidade.
Daí, recordo-me de Ramakrishna em busca da Mãe Divina em todas as religiões e encontrando-A em cada uma delas...
O Sábio Santo sabia que a Manifestação Divina estava por trás de cada uma das faces que ele via, e também sabia que todas elas eram faces da Grande Mãe (para que todos nós, mesmo ainda crianças em entendimento da nossa origem divinal, pudéssemos nos aproximar, perceber e nos ligar na sintonia do Amor Inicial). 
Sentindo esse sentimento puro entrando pelo topo da minha cabeça** e descendo por todo o meu corpo, abro as mãos, como se elas fossem cachoeiras, e deixo que o Amor flua para o mundo inteiro...
Não tenho a menor ideia se isso é apenas coisa da minha cabeça, mas alguma parte sorri dentro de mim, só em imaginar esse Amor irradiando e alcançando o peito de quem nem conheço, e o fazendo-o sorrir também.
Sentindo que chegou o momento, vou terminando a oração e abro os olhos.
“Obrigado, Jesus!” – digo à imagem na minha frente, que, provavelmente, é bem diferente da fisionomia daquele Jesus que um dia pisou na Terra; mas isso pouco importa.
O importante é o significado que dou a ela - e no poder que lhe dou para que exerça esse link com o Amor em mim.
 
São Paulo, 11 de outubro de 2013.
 
- Nota de Wagner Borges: Frank é o pseudônimo do nosso amigo Francisco de Oliveira, participante do grupo de estudos do IPPB e da lista Voadores. Depois de vários anos morando em Londres, ele voltou a residir em São Paulo, em fevereiro de 2005.
Ele escreve textos muito inspirados e nos autorizou a postagem desses escritos.
Há diversos textos dele postados em sua coluna da revista online de nosso site e em nossa seção de textos periódicos, em meio aos diversos textos já enviados anteriormente. www.ippb.org.br - Outros textos podem ser acessados diretamente em seu blog na Internet:  http://cronicasdofrank.blogspot.com 
 
- Notas do Texto:
* Avatares – do sânscrito - emissários celestes; canais da divindade.
** Topo da cabeça – área de ação do chacra coronário, por onde entram às energias superiores e as grandes inspirações espirituais.

Texto <1290><17/10/2013>