1293 - NO REGAÇO DA MÃE DIVINA - II
Ó Mãe Divina!
Tu que estás no regato suave - e também no centro do furacão...
Vem dançar comigo nas pistas espirituais do meu coração.
Só de pensar no Teu Nome, vejo passar um carrilhão de estrelas à minha frente...
Sim, na esteira do samadhi*.
Ó Divina Consorte de Brahman!
Respiro agora o Teu Sopro Vital, no pranayama** do Amor...
E flutuo para além das luzes ilusórias do mundo.
Tu és a essência do sândalo – e também o turbilhão sideral.
Tu estás no grande – e também no pequeno.
O tecido vivo do universo é Tua Pele Divina.
Ah, Mãe Querida!
Eu viajo espiritualmente em Teu Abraço.
Quando estou cansado, é no Teu Regaço que eu me recolho.
É em Ti que eu me regenero.
Ó Mãe da Luz!
O que seria de mim sem o Teu Amparo Secreto?
Como eu poderia estar na senda espiritual sem o Teu Apoio Incondicional?
O que seria do meu coração sem a Inspiração de Tua Presença?
Ah, Mãe dos iogues e viajantes espirituais!
Qualquer coisa boa em mim, na verdade, vêm de Ti!
Quando os meus olhos brilham, é porque o Teu Olhar Amoroso está neles.
E minhas mãos só são de Luz quando Tuas Mãos Divinas estão nelas.
Ó Mãe, Respiração Sutil de tudo que respira!
Só Tu sabes o que está no coração de cada Ser.
Só Tu conheces os pensamentos mais secretos de alguém.
Só Tu podes aferir o real valor daqueles que trilham a senda espiritual.
Ó Mãe da Águas Etéreas que Curam!
A Tua Risada ecoa de estrela em estrela...
E eu sei que é a mesma risada que ecoa nas dobras secretas do meu coração.
(Ah, o que seria de mim se não fizesse essa canção em Tua Homenagem?)
P.S.:
Sim, é no Regaço da Mãe Divina que eu descanso, em Espírito e Verdade.
O mesmo Regaço onde Ramakrishna*** descansava e vivenciava muitos samadhis.
A mesma Fonte Imanente que, um dia, fez ele me dizer:
“Sem Amor, ninguém segue...”
Então, que esse Amor faça essa canção seguir, por todos os planos...
Até outros corações, na esteira da consciência cósmica.
E que assim seja – Om!****
(Dedicado a Paramahamsa Ramakrishna – e também aos meus queridos companheiros de jornada, Wladimir Jr., Márcio Harada, Elaine Vitoriano, Vítor Hugo França, Luis Medeiros, Marisa Oliveira, Leonardo Dolfini, Leandro Dolfini, Nair Cortijos, Fernando Cortijos, Juan Donoso, Luis Fernando Mingrone, Rebeca Arakaki, Ana e Fiore.
- Wagner Borges – pequena folha espiritualista impulsionada pelos Ventos Espirituais da Mãe Divina...
São Paulo, 22 de outubro de 2013.
- Notas:
* Samadhi – do sânscrito – estado de consciência cósmica; expansão da consciência.
** Pranayama – do sânscrito – é o controle do prana (sopro vital) por meio das práticas respiratórias. Trata-se do quarto passo dos aforismas iogues expostos no Yoga Sutras, do mestre Patanjali.
*** Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.
**** Om – do sânscrito – o Verbo Divino; a Vibração do Todo em tudo!
É o principal mantra da tradição hinduísta.
Obs.: Deixo na sequência a primeira parte desse texto, pois sua leitura poderá acrescentar muito a essa canção de hoje.
NO REGAÇO DA MÃE DIVINA
Amigo de minha alma,
Escuta o canto sutil
Da Mãe Divina
Em teu espaço.
Sorve os goles de luz
Que as amparadoras vertem no ar
Em prol da Bem-Aventurança
Que te guia na jornada do Darma*.
Segue o canto...
Lembra-te de Surya!**
Um Sol de Amor...
Em teu coração.
Reparte o pão da alma
Entre aqueles que a vida te trouxe
Nas reuniões espirituais.
Esse é o desejo da Mãe Divina.
Quem te protege no Darma,
Veste o teu ser de pura Luz,
Na coroa do sol da cabeça.
Om Suryaya Namah!
Sorve os goles de Luz,
Enche o teu peito de Amor,
E propague a mensagem espiritual.
Esse é o desejo da Mãe Divina.
Naquelas alturas que te inspiram,
Por onde o teu espírito viaja
E o teu coração sonha,
Reside a força que te move.
Medita nessas alturas!
Lembra-te de tua casa real.
Sorve os goles de Luz
E viaja no canto...
Mais alto que o céu,
Além do sol e da lua,
No âmago das estrelas,
A Mãe te espera, após a senda.
Ela se apresenta de muitas formas,
Mas não tem forma.
É Luz e Amor dançando
Dentro do peito que é justo.
São muitos os seus nomes,
No Oriente e no Ocidente,
Mas ela é o Amor Que Ama Sem Nome...
E afaga as estrelas em Seu Regaço.
Iemanjá, Maria, Kuan-Yin, Mátaji,
Lakshmi, Sarasvati, Parvati, Ísis,
Kali, Jagadamba, Uma, Devi, Durga,
Ou apenas Mãe...
O seu Amor jamais será contido por nomes
Ou por convenções humanas,
Pois Ela é todas Elas... E mais todos os seres.
Só Ela é que sabe o que É!
Ela é que decide de que jeito aparece,
Pois está em todos os jeitos.
É com Ela que tu sonhas.
Nela, tu viajas além...
Escuta o canto, alma amiga.
Sente a energia das presenças espirituais
Que trabalham por Ela no mundo.
Sorve os goles de Luz.
O Sol no centro do teu peito,
A Luz na coroa de tua cabeça,
As tuas mãos em doação amistosa,
E tua alma em prece.
Canta com o teu coração
A canção que a Mãe te ensinou.
Lembra-te das estrelas que Ela te deu,
E compartilhe o brilho delas com os homens.
Para a Mãe, tu és eterna criança.
Tu não percebes a presença Dela,
Mas Ela te guia todo o tempo,
Mesmo quando tu estás inconsciente.
Ela sabe dos teus gostos e inclinações,
Antes mesmo que tu penses em algo.
Ela ri por isso - e jamais te julga,
Só te ampara na jornada.
Por Ela, os sábios cantaram a glória,
Os poetas se inspiraram, os Ghandarvas*** tocaram,
E, assim, o mundo veio a existir
Em seu sonho de Luz, numa eterna canção.
Escuta a canção em teu peito, alma amiga.
Ela fala do amor incondicional e de pacificação.
É a canção que os mestres escutam e se inspiram.
Ela vem das alturas em teus centros vitais.
Alma amiga, cumpre o teu Darma!
Ajuda os teus companheiros no cumprimento do deles.
Compartilha com eles o suprimento divino
Que a Mãe te deu para a jornada.
Do alto da cabeça aos pés,
Do coração à cabeça,
Do Alto em tua alma,
É a Mãe Divina que te guia!
Que a Mãe Divina abençoe o Darma de cada um, na Terra ou no Espaço.
Om Shakti Namah!****
- As Servas da Mãe -
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 30 de junho de 2004.)
- Nota de Wagner Borges:
As Servas da Mãe são um grupo de amparadoras hindus que trabalha sob os auspícios das vibrações da Mãe Divina. São entidades muito amorosas e costumam agir em silêncio, nos bastidores espirituais, sempre amando, quietinhas, e vertendo as luzes da compaixão em todos os corações.
Esse texto foi direcionado originalmente para os 120 participantes do grupo de estudos e assistência espiritual do IPPB. Estou disponibilizando-o em aberto, para todos, devido aos sentimentos sublimes embutidos em suas linhas e, também, porque estão inseridos alguns toques e sugestões de práticas energéticas com os chacras em alguns trechos.
Sugiro ao leitor que leia com atenção (e coração), e capte o que essas amparadoras inseriram espiritualmente nas palavras. Há recursos secretos e amorosos nesse texto, mas é preciso “ver com os olhos do espírito e com as luzes do coração”.
Como ensinavam os antigos sábios hermetistas no antigo Egito: “O INEFÁVEL É INVISÍVEL AOS OLHOS DA CARNE, MAS É VISÍVEL À INTELIGÊNCIA E AO CORAÇÃO!”
- Notas do Texto:
* Darma – do sânscrito “Dharma” – dever, missão, programação existencial, mérito, bênção, ação virtuosa, meta elevada, conduta sadia, atitude correta, motivação para o que for positivo e de acordo com o bem comum.
** Surya - do sânscrito - Sol. É designado por numerosos epítetos, tais como: “Dina-kara” (Criador do dia), “Arha-pati” (Senhor do dia), “Loka-chakchus” (Olho do mundo), “Karma-Sakchî” (Testemunha dos atos dos homens), “Sahasra-Kirana” (Provido de mil raios), e “Graha-râja” (Rei das constelações).
Ou seja, é o sol espiritual evocado no mantra Om Suryaya Namah!
*** Gandharvas – do sânscrito - cantores celestes; devas (divindades) da música; anjos da música. Nos Vedas, essas divindades revelam aos mortais os arcanos espirituais do Céu e da Terra.
**** Om Shakti Namah – do sânscrito - é um dos mantras de evocação da Mãe Divina no contexto hinduísta.
Texto <1293><30/10/2013>
