1329 - A RELATIVIDADE DOS OPOSTOS
Muito do que chamamos de “bem” e de “mal” tem muito a ver com os condicionamentos religiosos vigentes no local onde nascemos e somos educados.
Na verdade, somos hipnotizados culturalmente pela sociedade onde vivemos.
Dependendo do país onde a pessoa vive, ela ganha condicionamentos locais de acordo com o pacotão cultural vigente. Daí, tantas religiões e países com conotações de bem e mal tão diferentes.
A Natureza nunca é boa ou má, é apenas a Natureza. O uso que fazemos de seus elementos é que caracteriza a qualidade de alguma coisa.
Yang e Yin são os aspectos complementares de todas as coisas, já que são polaridades do Chi*(força vital). É o eterno jogo das polaridades (branco e preto, macho e fêmea, alto e baixo, quente e frio, claridade e escuridão...), que dita o ritmo do Universo interdimensional.
Os ciclos da vida são absolutamente naturais.
O que é bom ou ruim depende do enfoque de cada um.
Os altos e baixos fazem parte do jogo.
Onde alguém vê algo como bruxaria, outro com mais esclarecimento perceberá apenas a manipulação das energias da natureza para fins específicos sob o comando da vontade do operador (se a operação energética é criativa ou não, aí depende de cada caso).
Onde uma pessoa reprimida vê em um ato sexual o pecado, outra mais esclarecida verá apenas um relacionamento natural entre duas pessoas.
Toda questão reside nisso: o enfoque que cada um dá em cima de cada questão.
Os mestres taoístas tentaram mostrar isso de várias maneiras. O Yin e o Yang são apenas os movimentos vitais do Chi. É o claro e o escuro, lados da mesma moeda da Natureza, repercussões naturais do misterioso príncipio causal: o Tao!**
Porém, uma coisa é óbvia: deve-se tomar muito cuidado para não confundir o jogo de opostos da Natureza com as nossas contradições internas. Não confundir a escuridão natural, contraponto da luz, com as trevas do nosso ego. Não confundir a lua e a escuridão da noite, contraponto da luz do sol, com a escuridão de nossos anseios egoísticos ou os aspectos sombrios ocultos em nós mesmos.
Luz é energia. A energia é a base da existência. Logo, tudo é expressão dessa mesma luz em graus variados de densidade.
A sabedoria consiste em mergulharmos nas águas mais turvas e profundas e vermos nelas a mais brilhante expressão da luz. Em outras palavras: luz é aquilo que dissolve a treva do ego e leva o ser na direção da evolução.
A luz do alvorecer e a noite estrelada são apenas a Natureza, nada tendo a ver com qualidades morais de qualquer coisa.
A criança que nasce e o velho que morre são apenas ciclos da Natureza (Yin e Yang manifestando-se).
Atividade e passividade, meros aspectos complementares dos ciclos vitais.
Bem e mal são relativos, mas em nós, bom senso, discernimento e amor manifestados são fantásticos e trazem pura plenitude.
Já as trevas do nosso ego, não são as trevas da Natureza, são apenas a nossa “meleca interior”.
Os mestres taoístas ensinaram a sabedoria de conviver com os opostos, mas nunca se viu um deles prejudicando alguém.
Como alguém em equilíbrio poderia prejudicar a outro? Tudo é o Tao!
Agir ou não-agir (wu-wei) são questões determinadas pelas circunstâncias.
Os sábios taoístas sabiam o momento de cada coisa, por isso não se submetiam à ação da ansiedade.
Eram puro equilíbrio e serenidade viajando em um mar dinâmico de Chi.
Não eram bons ou maus, eram sábios!
Mas, uma coisa é certa: eles não carregavam trevas na consciência!
O Tao não é bom ou mal, é apenas o Tao.
É a misteriosa urdidura do príncipio vital.
Paz e Luz.
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
- Notas:
* Chi - do chinês - força vital, energia.
Dentro dos ensinamentos taoístas, a força vital é polarizada na natureza das coisas em dois aspectos fenomênicos: o Yin e o Yang, as alternâncias do Chi, as polaridades da energia.
** Tao - do chinês - O Caminho; a Essência de tudo; O Todo.
Na verdade, o Tao não pode ser descrito ou explicado por palavras humanas. Por isso, deixo a cargo do sábio Lao-Tzé uma explicação mais apropriada:
"Há algo natural e perfeito, existente antes de Céu e Terra.
Imóvel e insondável, permanece só e sem modificação.
Está em toda parte e nunca se esgota.
Pode-se considerá-lo a Mãe de tudo.
Não conhecendo seu nome, chamo-o Tao.
Obrigado a dar-lhe um nome, o chamaria Transcendente."
- Lao Tzé - in "Tao Te Ching" – China; Século VI a.C.
Obs.: Enquanto eu passava essas linhas a limpo, lembrei-me de outro texto com atmosfera taoísta, onde falo de um encontro extrafísico com o sábio Lie-Tao. Então, para enriquecimento do texto atual, posto esses escritos anteriores na sequência.
O TAO DA LEMBRANÇA VITAL – II
(Lendo o Tao Te Ching do Coração)
Foi durante uma experiência fora do corpo* que eu o encontrei.
Levado pelo meu coração, eu encontrei o coração dele.
Num templo taoísta extrafísico, por cima da montanha Kun Lung, nós conversamos, de espírito a espírito.
E Lie-Tao**, o velho sábio chinês, a quem eu tanto admiro, riu e me disse mentalmente:
“Tudo o que existe nos nove mundos siderais é por obra e graça do Tao.
Mas o que os homens e os espíritos fazem é por conta deles mesmos.
Quem procura confusão, acha! E quem procura serenidade, também acha.
Tudo é questão de foco mental e de onde a consciência se liga em pensamento.
Ligações sombrias adoecem o Chi *** da pessoa.
Ligações sadias enchem o coração de alegria e renovam o Chi. Bom humor cura!
E, assim como o Tao nada julga, os sábios também não julgam - e a todos compreendem.
Existe um Tao Te Ching**** do coração. Foi dele que Lao-Tzé tirou sua sabedoria e exteriorizou-a em seus célebres escritos.
Na verdade, ele apenas revelou ao mundo parte da sabedoria perene ensinada, antes dele mesmo, por várias gerações de sábios.
E o que eles ensinavam?
Ah, meu rapaz, tudo se resume numa só coisa: equilíbrio!
A harmonia do Chi pessoal com o Chi da natureza e do universo.
A serenidade das emoções e dos pensamentos, harmonizados pela reflexão e pelo trabalho justo.
Os voos da consciência para fora do seu corpo humano, para estudos e trabalhos nos nove mundos siderais.
O contentamento com as coisas simples da vida.
A alegria de se sentir conectado ao Tao.*****
Vários sábios ensinavam isso porque liam o Tao Te Ching em seus próprios corações... Então, faça a mesma coisa! Leia em seu coração.
Harmonize-se consigo mesmo.
Alegre-se com as coisas simples da vida, e você perceberá o Tao em tudo!
Agora, retorne ao seu corpo físico e lembre-se de tudo isso.
Venha aqui quando quiser.
As portas dos templos de sabedoria estão sempre abertas para quem quer aprender verdadeiramente.
E, quando você tomar chá, feche os olhos e agradeça e brinde ao Tao, a Eterna Urdidura do Princípio Vital.
Meu rapaz, voe feliz.”
P.S.:
Com o sábio Lie-Tao aprendi a ler o Tao Te Ching do coração.
Agora, fecho os olhos e tomo o chá.
E agradeço ao Tao, por tudo.
E fico feliz, só por isso.
Mesmo nas coisas simples da vida, o Tao está.
Ele é a Grandeza das grandezas.
O Tao está em tudo!
Paz e Luz.
- Wagner Borges – lendo o Tao Te Ching e tomando um chá...
- Notas:
* Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
** Lie-Tao – mestre taoísta extrafísico.
*** Chi - do chinês - força vital, energia.
Dentro dos ensinamentos taoístas, a força vital é polarizada na natureza das coisas em dois aspectos fenomênicos: o Yin e o Yang, as alternâncias do Chi, as polaridades da energia.
**** Tao Te Ching – o grande livro da sabedoria taoísta clássica da China antiga, de autoria do sábio Lao-Tzé – em 600 a.C.
***** Tao - do chinês - "O Caminho"; "a essência de tudo"; "O Todo".
Na verdade, o Tao não pode ser descrito ou explicado por palavras humanas. Por isso, deixo a cargo do sábio Lao-Tzé uma explicação mais apropriada:
“Há algo natural e perfeito, existente antes de Céu e Terra.
Imóvel e insondável, permanece só e sem modificação.
Está em toda parte e nunca se esgota.
Pode-se considerá-lo a Mãe de tudo.
Não conhecendo seu nome, chamo-o Tao.
Obrigado a dar-lhe um nome, o chamaria Transcendente.”
- Lao Tzé - in "Tao Te Ching" – China; Século VI a.C.
Obs.: Para enriquecimento e melhor compreensão dos leitores, sugiro a leitura da primeira parte desse texto (contendo ponderações importantes sobre as experiências fora do corpo e algumas sugestões de exercícios pertinentes), postada pelo site do IPPB em setembro de 2007, no seguinte endereço específico do site: https://ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=5331
Texto <1329><11/04/2014>
