1376 - DIÁLOGOS - III

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DIÁLOGOS - III
 
Fédon de Elis disse ao sábio Sócrates:
- Querido amigo, por favor, esclareça-me a respeito do caminho da sabedoria.
Estou confuso com tantas opiniões diferentes.
Um sábio de Atenas ensinou-me Filosofia e iniciou-me nas artes espirituais. Mostrou-me o valor das coisas simples da vida. Ensinou-me a apreciar a beleza das flores, o canto dos pássaros, o sorriso das pessoas, os sentimentos da música e o estudo inteligente das capacidades humanas. Fez-me ver a importância de viver e lutar pelos bons princípios. Aprendi com ele o valor da ação positiva, a participação sadia nas questões humanas e espirituais.
Porém, conheci um andarilho místico, pessoa de grande encanto e cordialidade, com quem estudei durante algum tempo. Ensinou-me que toda ação é transitória, pois tudo segue o curso da evolução naturalmente. Explicou-me que as ações externas não são muito importantes. Disse-me que a viagem pelo interior de nós mesmos é a mais importante. Aprendi com ele que tudo é relativo e que nossas ações podem ser fruto de nossas ilusões sensoriais.
Caro Sócrates, um mestre estimulou-me a agir no mundo e o outro a desligar-me das coisas externas e seguir um caminho puramente espiritual. Qual dos dois tem razão? Qual é o melhor caminho, o externo ou o interno?
O sábio grego estava sentado ao lado de Apolodoro.
Calado, levantou-se e colheu uma flor de um jardim próximo.
Inspirado, começou a rir e conversar com a flor. Disse-lhe:
“Minha pequena amiga, o que acha da pergunta de Fédon? Ele deve ir para dentro ou para fora? Tenho certeza de que você sabe a resposta. As potências divinas devem ter inserido no desabrochar de suas pétalas a sabedoria da natureza. Ensine-me o que o céu, o sol, a lua, as estrelas, a terra, a chuva e a luz divina lhe ensinaram. Revele-me a sabedoria de sua simplicidade, terna amiga flor.”
Sócrates encostou suavemente a flor em seu peito e fechou os olhos. De alguma maneira por ele conhecida, fez um acoplamento áurico* de seu chacra cardíaco** com a aura da flor. Ficou em sintonia com ela por vários minutos.
Enquanto isso, Fédon e Apolodoro observavam o desenrolar daquela cena inesquecível: o maior sábio da Grécia consultando uma flor.
Quando Sócrates abriu os olhos havia um brilho maravilhoso em seu semblante. Sentou no chão e começou a rir novamente. Chamou os dois discípulos para sentar com ele e disse-lhes:
“Essa flor tem mais sabedoria do que todos os livros de Filosofia do mundo. Disse-me que o sol brilha tanto porque tem uma luz invisível inspirando-o dentro de seu núcleo. Contou-me que cada elemento da natureza lhe serve de referência em seu aprendizado. Aprendeu com a terra, a firmeza; com a luz da lua, a suavidade; com a chuva, a adaptabilidade ao meio; com o céu, a amplitude dos horizontes. Dentro de si mesma aprendeu a meditar, ponderar e fluir com os ciclos da natureza. Dentro de seu equilíbrio interno, seguiu o fluxo de sua própria natureza e desabrochou para o mundo sua beleza, sua cor e seu perfume. Não seguiu caminho algum, de dentro ou de fora. Apenas expandiu-se em sua própria essência. Ela apenas vive e cumpre sua missão na vida: ‘ser uma maravilha da natureza e foco de inspiração de sábios, místicos, poetas, músicos, artistas e pessoas de coração aberto.’
Meus caros Fédon e Apolodoro, o caminho da sabedoria é o caminho da flor. É apenas SER! A luz invisível que ensinou essa flor é a mesma que está dentro e fora de nós. Se viajarmos para dentro encontraremos essa luz em nosso coração. Se viajarmos para fora a encontraremos nos outros corações e no coração da própria vida. Foi isso que a flor me disse: ‘a luz divina está em tudo!’
Caminhos de dentro ou de fora, são apenas caminhos da luz.
Alegrem-se, a sabedoria é um caminho sem fronteiras!
Vivam, meus amigos, e prestem mais atenção nas flores.
Cada uma delas tem beleza, cor, perfume e sabedoria.”
 
Paz e Luz.
 
- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
(Texto extraído do livro “Falando de Espiritualidade” – Editora Pensamento – 2002.)
 
- Notas:
* Acoplamento Áurico – conexão energética entre os seres; mistura de almas.
Obs.: Aura - do latim, sopro de ar – halo energético de distintas cores que envolve o corpo físico e reflete tudo o que o ser pensa, sente e faz na existência; psicosfera; campo energético.
** Chacra Cardíaco - é o centro de força responsável pela energização do sistema cardiorrespiratório. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos. Por isso é o chacra mais afetado pelo desequilíbrio emocional. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual. Está ligado à glândula timo. O seu nome em sânscrito é “Anahata”, o inviolável, o invicto, o som sutil do espírito imperecível.
Obs.: Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e têm como função principal a absorção de energia - prana, chi -, do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico.

Texto <1376><12/11/2014>