1471 - NOITE OM - SOL DO SAMADHI

NOITE OM – SOL DO SAMADHI
(Nas Ondas da Consciência Cósmica com os Rishis)
É noite.
O sol está aqui.
Meus olhos estão fechados.
Vejo com o coração.
Embaixo, o corpo moído de viver.
Em cima, o carrilhão de estrelas.
Me solto nas correntes espirituais...
O Amor me leva.
Eu vejo o universo se desdobrando em camadas...
Universos dentro de universos.
O infinito do infinito.
Deslizo pelas pistas siderais.
Então, eu vejo os olhos deles, os homens serenos...
Os Rishis, viajantes do Samadhi*.
Sim, eles também estão no carrilhão de estrelas.
E há uma canção, que escuto com meu coração.
Ela ecoa o nome de Brahman**, em tudo!
Surfo num Amor sem fim...
Torno-me a Luz branca que permeia à existência.
* * *
É noite.
Volto ao corpo moído de viver.
O sol ainda está aqui.
O Rama*** também está aqui, encostado em mim.
Abro os olhos e vejo sua alegria.
O infinito ainda está em mim (ou eu nele)...
Agora, o olhar dos Rishis**** está no meu próprio olhar.
Então, eu olho à noite em frente...
Mas só vejo o sol.
Ah, eu vejo isso com meu coração...
Enquanto o infinito cala fundo em mim.
Lá fora, a bruma da noite...
Aqui dentro, eu e o Rama sentados no sofá da sala.
E o sol.
E essa alegria serena.
E esse Amor, que não se explica, só se sente.
E essa canção OM...
Que ecoa o Nome de Brahman!
* * *
Ah, quem sou eu?
Esse que olha o infinito com o olhar de um Rishi?
Ou o Rishi que olha o infinito em forma de homem?
É noite.
Com sol.
E quem compreende isso...
Realmente compreende.
(Ah, o Amor levou o meu coração... e eu não sou mais meu.)
É noite.
E eu sou só silêncio lúcido.
E serenidade consciente.
Lá em cima, o carrilhão de estrelas.
Aqui embaixo, eu e o Rama.
E Brahman, em tudo!
E esse sol.
Que bate na minha cara...
E me faz tão feliz.
(Ah, Ramakrishna estava certo... é só o Amor que nos leva.)
P.S.:
Certo dia, Ramakrishna me disse:
“Sem Amor, ninguém segue...
Medite nessa frase, pois ela é a chave para o Samadhi.
Ah, menino, a Luz das estrelas está em cada Ser, só esperando o momento do despertar da consciência. É pura doçura.
Essa é a Ananda da qual os rishis sempre falaram.
Quando, em seu coração, você sentir isso, abrace o mundo silenciosamente e comungue o Amor com todos os seres. E agradeça a Brahman por tudo.”
Ele me ensinou isso, em Espírito e Verdade. Ele também me disse que os verdadeiros mestres são somente aqueles que já venceram a si mesmos e que se consideram eternos aprendizes de Deus.
Ah, um dia, quando eu vencer a mim mesmo, quero ter a sabedoria e a alegria de Ramakrishna, que sempre foi – e continua sendo - um cara simples e generoso.
Até lá, continuarei honrando a senda espiritual e humana que o Todo me designou, porque, diante do infinito, eu não sei quase nada. Só sei sentir... E escrever.
Oxalá esses escritos carreguem o Fogo que arde sem abrasar e iluminem a outros corações por esse mundão de Deus.
(Dedicado a Paramahamsa Ramakrishna*****, viajante da consciência cósmica e avatar da sabedoria perene dos rishis.)
Paz e Luz.
Gratidão.
OM.
- Wagner Borges - mestre de nada e discípulo de coisa alguma******.
São Paulo, 6 de dezembro de 2015.
- Notas:
* Samadhi – do sânscrito – estado de consciência cósmica; expansão da consciência.
Ver o texto “Expansão da Consciência”, postado no site do IPPB, no seguinte link:
https://ippb.org.br/textos/textos-periodicos/568-expansao-da-consciencia ** Brahman – do sânscrito - O Supremo; O Grande Arquiteto Do Universo; Deus; O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência, além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele/Ela é Pai-Mãe de todos.
*** Rama é um cãozinho da raça Yorkshire Terrier, de cor escura mesclada com tons claros, atualmente com seis anos de idade. O seu nome é uma homenagem a Rama, um dos maiores avatares da tradição hindu.
Ver o texto “Rama – Um Presentinho da Natureza – IV”, postado no site do IPPB, no seguinte link:
Obs.: Rama – na cosmogonia hinduísta, é o sétimo avatar de Vishnu, o Divino Presevador da Vida. Sua história é contada no épico “O Ramayana”. Ao longo dos séculos, muitos iogues e iniciados tomaram o seu nome em homenagem as suas qualidades, como honra, Amor, generosidade, firmeza de caráter e serviço à Luz.
**** Rishis – do sânscrito – sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads.
***** Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século 19 e que é considerado até hoje como um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século 20 se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.
****** Enquanto eu passava essas linhas a limpo, rolava aqui no meu som uma coletânea de músicas do grande guitarrista americano Neal Schoon (da banda de pop/rock Journey). Então, deixo na sequência os links do site do Youtube para quatro de suas lindas músicas.
Neal Schoon:
- “Hero” -
- “Breaking World”-
- “Send Me An Angel” -
- “Big Moon” -
Obs.: Finalizando esses escritos de hoje, deixo logo abaixo um texto antigo (que fala sobre o olhar de um Rishi).
CANTANDO COM O ETERNO NO OLHAR DE UM RISHI – II*
Amigo, o vento da esperança levou meu pensamento para além do mundo.
E eu vi a Luz do seu olhar em meio às estrelas.
No silêncio do espírito, suspenso entre planos, eu me lembrei do meu tempo de criança. Vi o garoto de outrora correndo e brincando pela rua.
Também vi meus pais jovens, meus irmãos pequenos e alguns amigos de infância.
Ah, quantas coisas rolaram ao longo dos anos... sonhos e vidas deslizando pela esteira do tempo, submetidos às imensas engrenagens cármicas** que regulam a vida dos homens no infinito.
Vi os rostos de tantas pessoas conhecidas, que hoje não sei onde estão, nesse lindo planeta azulado, provavelmente vivendo suas vidas por aí...
E outros que já não estão mais neste plano de existência, pois voaram para fora do corpo e foram morar nas estrelas.
Então, percebi que via os rostos e as lembranças refletidas no seu olhar sereno.
Percebi que a Luz e o Amor desse olhar refletiam no meu próprio olhar, fazendo-o brilhar também e emanando lindas energias espirituais para todos eles.
Sabe, pensei em muitos lances da vida, grandes e pequenos, nas emoções pesadas que destroem o equilíbrio e no Amor que constrói ligações espirituais maravilhosas.
Pensei na vida de todos os homens da Terra, com seus encontros e desencontros, seus sucessos e seus fracassos, suas dores e suas luzes, rodando com o planeta em torno do sol e fazendo parte – mesmo sem prestar atenção – da imensidão da vida universal.
Vi miríades de rostos de todas as raças e a imagem da Terra, linda e azulada, também refletida na Luz do seu olhar pacífico.
E senti um grande Amor por eles e por Ela, a Mãe Terra.
Compreendi, meu amigo, que, desde o garoto que fui um dia, até o homem feito que hoje sou, sempre estive dentro do seu olhar.
O tempo passa, mas o Amor fica e faz o brilho da aurora surgir no olhar de alguém.
Ontem, hoje, amanhã e sempre... É o Amor que faz tudo valer a pena!
É ele que atravessa os eons e eons de tempo e brilha perenemente.
O Amor é o que permanece. É a Grandeza das grandezas.
É o que fez o meu pensamento voar até o seu olhar, por entre os planos, no silêncio do espírito, que só o coração compreende.
Meu amigo, muito obrigado por você amar e ajudar invisivelmente a humanidade.
Obrigado por você ter me dado a chance de ver tanto Amor brotando de seu olhar.
Obrigado por ter me olhado desde criança, por me olhar hoje e pelos olhares que virão amanhã e depois, na eternidade da vida, na Terra e além...
Obrigado por você ser essa Luz serena e generosa, trabalhando anonimamente a favor de todos os seres.
Enquanto o mundo turbilhona em seu movimento contínuo pelo espaço e a humanidade se agita dentro dele, presa de emoções estranhas, ver o seu olhar é como encontrar um oásis silencioso em meio aos campos secos e barulhentos dos dramas humanos.
Voar em pensamento e encontrar o seu olhar amoroso é um presente!
Obrigado, querido Rishi***.
P.S.:
Os Rishis trabalham em silêncio em prol dos homens de todos os lugares.
Não pedem nenhuma adoração a eles, pois sabem que o verdadeiro poder vem de Brahman****.
Não se importam com nomes, datas ou lugares, pois veem o Supremo em tudo.
Nada julgam nem falam à mente dos homens.
Sua linguagem é a do coração, de espírito a espírito.
E o olhar deles tem o brilho do Amor incondicional.
Refletidos ali, os homens e a Terra, na mesma Luz.
No silêncio do espírito, por entre os planos, eles olham serenamente...
E abençoam a todos.
(Essas linhas são dedicadas, com admiração profunda, àquelas almas livres, tranquilas e magnânimas, que, como a primavera, fazem bem a todos. Aquelas consciências maiores, anônimas e serenas, que abraçam a humanidade em silêncio, e que inspiram as canções, de alma para alma, abrindo corações e portais luminosos na senda do Amor incondicional. Essas almas livres, que ajudam invisivelmente os homens na longa travessia das existências seriadas na carne fazem isso somente por sua própria natureza bondosa, sem jamais esperar qualquer reconhecimento. Nem exaltação ou devoção de ninguém. O que as move é o Amor. Sim, aquele Amor que não se explica, só se sente, só se sente, só se sente...)
Paz e Luz.
- Wagner Borges - neófito da Vida, sempre admirado...
- Notas:
* A primeira parte desse texto está postada no site do IPPB e pode ser acessada no seguinte link: https://ippb.org.br/textos/textos-periodicos/827-cantando-com-o-eterno-no-olhar-de-um-rishi-
** Cármicas – do sânscrito, karma - ação, causa - toda ação gera uma reação correspondente; toda causa gera o seu efeito correspondente. A esse mecanismo universal os hindus chamaram carma. Suas repercussões na vida dos seres e seus atos podem ser denominados de consequências cármicas.
*** Rishis – do sânscrito – sábios espirituais; mestres da velha Índia; mentores dos Upanishads.
**** Brahman – do sânscrito - O Supremo; O Grande Arquiteto Do Universo; Deus; O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência, além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele/Ela é Pai-Mãe de todos.
Texto <1471><12/02/2016>
