1509 - O RIO E O DESERTO

1509 o rio e o deserto
 
 
O RIO E O DESERTO
 
- Por J. J. Benitez -
Um rio, depois de correr livre e despreocupado entre penhascos nevados, profundos canyons e férteis campinas, chegou ao deserto.
Suas águas, até então ágeis e transparentes, perderam a velocidade e se viram turvadas pela areia.
E aquele rio, em sua agonia, clamou aos céus:
- Que posso fazer para continuar meu caminho?
Uma velha palmeira, ao ouvi-lo, compadeceu-se e sussurrou da ponta de suas folhas:
- Evapora-te e salvarás tua essência.
E aquele velho rio, compreendendo, elevou-se sobre si mesmo, unindo-se às nuvens do céu.
(A morte não é senão a recuperação de nossa primigena e verdadeira identidade.)
 
(Texto extraído do excelente livro “A Outra Margem” – do jornalista, pesquisador e escritor espanhol J. J. Benitez – Editora Mercuryo).
 

Texto <1509><08/07/2016>