160 - VIDA ALÉM DA VIDA
O espírito é o brilho da estrela que foi embora. O corpo é o revestimento denso que volta para a terra. Isso é fácil de constatar: é que quando o espírito atua no corpo, mesmo que este esteja em péssimas condições, há sempre brilho nos olhos.
Em contrapartida, mesmo que o cadáver esteja bem conservado na aparência, não há brilho algum em seus olhos e nem em sua carne.
Quando o brilho da estrela segue além, só resta ao corpo a dissolução nas entranhas da terra ou nas chamas purificadoras. Isso é lei da natureza: à terra o que é da terra; ao espírito o que é do espírito.
O cadáver é a casca densa que pertence à terra, não é o EU REAL, pois este alçou vôo para outras paragens extrafísicas.
Você que lê estas linhas e que sofre pela perda de alguém querido, medite no seguinte:
Alguém partiu para o plano extrafísico, mas você ficou. Por isso, preste atenção e aproveite as chances de crescimento consciencial, pois em algum momento à frente, você partirá também.
Não deixe que a partida de alguém mate a sua alegria de viver. Lembre-se: você ficou e por isso tem que seguir a vida.
Seu sofrimento não trará a pessoa de volta. Contudo, seu discernimento pode trazer de volta o amor e a alegria à sua vida.
Não há valor de esperança superior à noção da imortalidade espiritual. Ter a consciência esclarecida e saber que todos são imortais é o que dá significado à vida humana.
O motivo de escrever este texto é que constantemente tenho sentido a presença viva das pessoas extrafísicas perto de mim. Os seus familiares e amigos estão tristes, MAS ELES ESTÃO VIVOS! E eles me pedem para escrever e proclamar a todos que a morte não mata o amor e nem a consciência de ninguém.
A morte é só uma mudança de estado de consciência e de plano de manifestação. Sentindo-os aqui junto de mim, momentos antes de seguir para uma palestra, ouço um deles dizer:
"Somos sempre e para sempre! Estamos morando na luz extrafísica. Nossos sentimentos estão interligados com os que ficaram na Terra. Despertem para a REALIDADE MAIOR e continuem trabalhando. Alcem vôo além das cinzas da dor e toquem a vida com bom senso. Tenham certeza: vamos nos encontrar lá na frente. Há um AMOR INFINITO lhes esperando e é nele que moramos agora."
Aos leitores, uma última dica: leiam alguns livros sobre vida após a morte e espiritualismo e ouçam músicas maravilhosas. A leitura sadia e a música de bom nível elevam a consciência ao infinito e mostram que o sofrimento pela perda de alguém pode parecer muito grande, mas é, na verdade, bem pequeno se comparado à luz da imortalidade da alma, ao brilho das estrelas e a grandeza do AMOR DIVINO que permeia a todos os seres.
Concluindo este texto, lembrei de um poema do mestre vedantino Swami Abhaya Chaitanya:
"OM! Teu próprio eu!
Sou sempre e para sempre!
Tua é a força infinita.
Desperta! Levanta e não te detenhas até alcançar a meta.
És Brahman*! És Brahman!
OM! OM! OM!"
- Wagner D. Borges -
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* Brahman (do sânscrito): o Absoluto; Deus; O Grande Arquiteto do Universo; O Todo.
Texto <160><10/10/1999>
