42 - VIVENDO, MORRENDO E APRENDENDO... (Ou a morte não é de nada!)
Mãe, pode crer, eu era feliz aí com vocês e, se pudesse, ainda estaria morando com você. Só que Deus resolveu me puxar para fora do corpo de uma vez. A princípio relutei e não quis seguir aqueles homens-espíritos-legais que estavam ali na UTI para me ajudar. Mas daí, apareceu meu vô no meio de uma luz bonita e me explicou que meu corpo estava bastante detonado pela doença e que eu não podia mais ficar dentro dele.
O vô me pegou no colo e flutuou comigo por cima da cama onde meu corpo estava. Foi aí que apareceu um túnel de luz à nossa frente e o vô mergulhou dentro dele comigo agarrado. O túnel era radical e eu gostei de seguir dentro dele, pois havia uma "luz viva" nos envolvendo e ela parecia nos acariciar suavemente. A luz era gostosa, mas acabei dormindo no colo do vô.
Quando acordei, estava deitado numa cama super cheirosa e macia. O lençol que me cobria era super branquinho e o mais incrível é que a medida que eu respirava, ele soltava uma luz que me penetrava e me fazia um bem danado. Uma moça vestida de branco entrou no quarto onde eu estava e me disse que eu tinha desencarnado, mas que eu estava bem. Pô, achei isso muito estranho, mas a moça estava falando sério mesmo. Daí, me lembrei do que o vô tinha falado comigo na hora de flutuar e fiquei quieto esperando ele chegar. Quando ele chegou, me deu um abração e logo me botou no seu colo novamente. Nem adiantou dizer para ele que eu já estava grandinho demais para ele me segurar igual criança. Para falar a verdade, eu estava era com vergonha daquela moça me ver no colo dele. Sabe como é, a gente tem de mostrar firmeza.
O vô me levou para um jardim fantástico que tem aqui e me explicou tudo direitinho. Disse-me que eu tinha desencarnado mesmo e que precisava de um tempinho para me adaptar ao fato. Disse-me também que só era para eu ter vivido mesmo na Terra por onze anos. Fiquei super ligado em tudo o que ele me contava. Daí ele me disse que havia a chance de um rapaz sensitivo sintonizar o pensamento comigo e escrever uma carta por mim e entregar para vocês.
Segundo o vô, vocês até que aturaram bem a minha partida, mas parece que sobrou uma ponta de dor quando vocês lembram da minha doença. É por isso que ele arranjou esse rapaz sensitivo para eu escrever através da mente dele. E lá vou eu:
Estou bem!
Vocês fizeram tudo o que podiam por mim. É que a minha hora tinha chegado mesmo.
Amo vocês e sei que continuam me amando.
Não me visitem no cemitério, pois não estou lá!
Não incomodem Jesus com preces lamentosas em minha intenção. Pô! Estou vivo e bem, e não quero nenhuma lamentação vindo em minha direção!
Parem de falar com os outros sobre a minha morte; falem sobre a minha vida. Foi uma vida curtinha, mas foi uma vidinha legal!
Quando o vô olha pra mim, sai luz dos olhos dele.
Olhem, tenho que parar de escrever agora. O vô está me dizendo que o rapaz sensitivo ainda tem de escrever um monte de coisas de outros caras que estão aqui com ele. Quando der eu volto!
Um beijo.
- Vitinho -
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Muitos filhos perdem pais, muitos pais perdem filhos; irmãos perdem irmãos; amigos perdem amigos; e mulheres perdem maridos e vice-versa. Enfim, há gente perdendo gente para a morte a toda hora. Aliás, isso é óbvio: quem está vivo, um dia morre!
É de espantar, então, por que é que as pessoas não sacam que a vida na Terra é por demais transitória. Se a vida é curta, por que as pessoas não aproveitam o tempo que tem para crescer, amadurecer, sorrir mais, enfim, para fazer algo de bom?
Eu não sei dizer qual é a causa que leva as pessoas a serem tão complicadas. Mas de uma coisa eu sei: como diz o ditado popular, "a morte não tem hora para chegar!" E ela chega mesmo. Isso é tão certo quanto a existência do sol, da lua e da gravidade.
- Anônimo -
* * *
Nós sabemos que a maioria das pessoas não gosta de pensar nesses assuntos, mas sabemos também que agora mesmo, em vários cantos do planeta, tem gente perdendo gente querida. E sabemos que amanhã, depois e depois, mais gente vai perder gente amada. Por isso, ainda a pouco, acompanhando o garoto passar a sua mensagem aos pais e amigos, nós da "Companhia do Amor" também resolvemos escrever alguma coisa dedicada a todos aqueles que perderam um ente querido. Contudo, não queremos escrever para consolar ninguém. Nossa intenção é aguçar o pensamento do leitor, para que ele pondere sobre algumas questões ligadas a morte e ao morrer. Com essa intenção, alinhavamos, então, os seguintes conceitos sintéticos para a reflexão do leitor:
Natureza: não é burra!
Morte: passagem para outra dimensão.
Suicídio: a maior babaquice de todas.
Cemitério: lixeira orgânica gigante (bacteriolândia).
Espíritos: gente desencarnada.
Gente: espíritos encarnados.
Dia de finados: o dia mais inútil do ano.
Sonho com ente querido desencarnado: muitas vezes um encontro espiritual fora do corpo.
Cadáver: casa abandonada.
Viver: aprender, aprender, aprender...
Morrer: viver em outra dimensão e também aprender, aprender, aprender...
Vela: quando você acende uma, a primeira coisa que se ilumina é a aura da conta bancária do fabricante de velas.
Vela II: no lugar de vela acesa, acenda seu coração e irradie seu amor para todos.
Criogenia: esqueça! É melhor congelar sua falta de espiritualidade.
Velório: ótima oportunidade para sentar quieto e ler um livro sobre vida após a morte.
- Cia. do Amor -
(A Turma dos Poetas em Flor)
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Certa vez, perguntaram ao mestre Aïvanhov por que, às vezes, gente cruel demora tanto a morrer e tanta gente boa morre logo cedo. Ele sorriu e disse o seguinte: - As pessoas cruéis são como ervas daninhas: difíceis de arrancar do solo. Já as boas pessoas desencarnam cedo, muitas vezes, porque o Senhor fica com saudade delas e chama-as de volta para o paraíso de onde elas vieram.
- Wagner D. Borges -
(Textos recebidos espiritualmente por Wagner D. Borges; Salvador, 28/01/96)
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Texto <42><18/08/1998>
