85 - REFLEXÃO SOBRE A IMORTALIDADE DA CONSCIÊNCIA


Durante a vida física, relacionamo-nos com as pessoas revestidas de corpos e identificamos cada um pela forma. Aonde o espírito se manifesta mais no corpo? Naturalmente nas áreas que refletem os pensamentos, sentimentos e energias, a saber: - olhos (pelo brilho), coração e aura.

Pensamentos, sentimentos e energias não são visíveis a olho nú, pois são abstratos pelo ponto de vista físico. Mas, manifestam-se através do corpo, veículo físico da consciência. O que vai morar no cemitério é a forma, invólucro temporário do espírito. Aquele corpo tem laços consagüíneos com parentes, pois foi engendrado a partir de seus antecessores. Os laços do espírito são os pensamentos, sentimentos e energias vivenciados no relacionamento de vida com os outros.

O cadáver é transformado (lembre-se das aulas de química do 2o grau, Lavoisier: "Na natureza nada morre, tudo se transforma") em algum tempo em outras formas dentro da terra. Note bem: - É um elemento da terra, sempre foi! Por isso, volta para a terra reciclá-lo. Esse corpo é parente da terra, faz parte dela, veio dela e volta a ela. Qualquer outro corpo também é da terra. Sai dela e volta para ela. Logo, todos os corpos são parentes, irmãos da terra. Todos os espíritos (consciências extrafísicas) pertencem ao infinito. Portanto, são irmãos de existência eterna.

Um corpo só é válido quando tem um espírito manifestando-se através dele. Sem espírito, é apenas um elemento da terra. As pessoas se acostumam com a forma e sentem falta da presença física, o que é natural. Por isso, associam o corpo que jaz no cemitério à pessoa. Contudo, a pessoa não está lá, pois sendo extrafísica em essência, mora no plano extrafísico. Quem merece a reverência e o carinho é o espírito, lindo, brilhante, eterno, imutável e real. O corpo é temporário, só merece a terra de onde saiu e pertence naturalmente.

Quando lembrar-se de alguém que partiu, por favor, pense na pessoa como ser vivente, atuante e vibrante em dimensões extrafísicas. É seu parceiro(a) de consciência infinita. Quando lembrar-se de corpo e cemitério, por favor, lembre-se de Lavoisier e das aulas de Química. Ele só foi seu parceiro(a) por um tempo de vida. Agora, é só um elemento da terra, parente planetário.

Entendo bem o lado psicológico de uma perda e sei que muitas pessoas precisam vivenciar isso emocionalmente. Precisam de uma referência física que expresse sua dor e saudade. O cadáver jungido à gleba de terra do cemitério é a válvula de escape emocional da dor das pessoas. Serve de catalizador de suas saudades. Porém, sendo espiritualista e vivenciando fatos espirituais, sei que a perda é apenas uma ilusão sensorial. É apenas temporária. Administro bem a perda exatamente por saber que ela é irreal. A pessoa que eu conheci manifestava-se pelo corpo, mas não era corpo! Era pensamento, sentimento e energia. E isso não se encontra no cemitério, mas sim na vida infinita e interdimensional.

Conclusão: - A relação humana com corpos e cemitérios está intimamente ligada à falta de espiritualidade das pessoas.

Corpo é parente terrestre, só por um tempo. Espírito é irmão espiritual, para sempre!

Associação óbvia: cadáver: bactérias; espírito: vida, dentro ou fora do corpo, sempre!

Paz e luz!

- Wagner D. Borges -
(São Paulo, 25/09/98)
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Texto <85><07/02/1999>