855 - FLAMA ESPIRITUAL – SOL DE AMOR

(Quando a Luz Rosada Toca o Sol no Coração)

Por vezes, em momentos de nossas vidas, nos sentimos vazios e isolados da luz. Parece que perdemos o rumo...
Em lugar de canções alegres, projetamos carradas de reclamações no perímetro de nossas relações.
Ressecamos o solo de nossos corações com a chuva ácida de nossos dramas e confusões.
Não vemos mais o sol brilhando dentro de nós e, em seu lugar, nuvens escuras bloqueiam a beleza da vida em nossos olhos. Parece que perdemos o rumo...
Contudo, além do que pensamos e sentimos, há uma luz maior em cada um de nós.
Quando as amarras do intelecto frio e das emoções desencontradas afrouxam sua pressão, é possível ouvir o chamado dessa luz sutil.
Quando permitimos um momento de quietude interna e mergulhamos espiritualmente no centro de nós mesmos, percebemos, entre os sentimentos verdadeiros, um oásis secreto, cheio de recursos vitais. E, nele, encontramos a flama espiritual.
Ou, melhor dizendo, nos reencontramos.
Então, escutamos a luz cantar a música das esferas. E algo muda em nós!
Sentimos que somos muito mais do que imaginávamos.
Sentimos que somos parte do Todo, pois nada está fora d’Ele. Sentimos a força do Espírito Supremo em nós!
Percebemos um amor incondicional interpenetrando a tudo e a todos.
Redescobrimos que somos estrelas na carne, espíritos imortais expressando-se na natureza terrestre, interligados na mesma rede universal e plugados no coração do infinito.
Tudo muda quando redescobrimos a nós mesmos. Reencontramos o caminho... E um grande amor canta novamente a vida dentro de nós, e nos diz, sutilmente:
“Há uma luz que brilha mais do que bilhões de sóis juntos.
É a essência da alma. Essa é a luz que brilha em nossos corações.”

P.S.:
Quando nós éramos crianças bem pequenas, sentíamos uma grande segurança e confiança quando nossos pais seguravam em nossas mãos. Assim também é com o amor!
Quando percebemos que ele é um estado de consciência, em nós mesmos, nos sentimos seguros.
Por mais dificuldades que se apresentem em nossas jornadas, sabemos que há uma luz maior em nós.
Então, vamos fazer jus a esse amor. Vamos trilhar a senda da existência com ele sendo um sol em nossos corações.
Sejamos esse amor-sol... Sejamos essa trilha luminosa...
E, mesmo que ninguém entenda, sejamos felizes, só por existirmos.
Que essa trilha seja auspiciosa, como deve ser...

- Nota (escrita horas depois): Esses escritos foram feitos momentos antes do início de uma aula sobre as experiências fora do corpo, para uma turma de Curitiba, que estava realizando a 3ª fase do curso. Na seqüência, o texto foi lido para o pessoal, durante uma prática de visualização criativa e bioenergética, num clima psíquico maravilhoso, que deixou a todos os presentes cheios daquela atmosfera espiritual elevada e amorosa.
Na verdade, o lance começou horas antes, enquanto eu ainda estava no apartamento da minha grande amiga Janete, que me hospeda na cidade há muitos anos. Na parte da tarde, senti algumas repercussões energéticas nos chacras (1) – típicas de lances de assistência espiritual em andamento, patrocinadas invisivelmente por amparadores extrafísicos (2).
No entanto, não consegui perceber claramente o que rolava. Continuei trabalhando no computador, pois estava escrevendo um extenso artigo e revisando alguns textos para um novo livro.
Um pouco antes de sair para o lugar onde o curso está sendo realizado, sentei-me na sala do apartamento e coloquei para tocar um belo CD da banda alemã Tangerine Dream (3).
A Janete também estava sentada na sala, num sofá em frente, bordando um cobertor. Enquanto ela terminava seu trabalho, eu fechei os olhos e prestei atenção à música, curtindo aquela maravilha sonora.
Então, repentinamente, eclodiu um intenso clarão de luz rosada na minha tela frontal mental – sede do chacra frontal. Por cima de minha cabeça, formou-se uma larga coluna de luz rosa brilhante, vinda do alto, de algum ponto do espaço. A mesma interpenetrou minha cabeça e jorrou a luz rosa até o centro do meu peito – sede do chacra cardíaco -, onde surgiu uma esfera de luz da mesma cor, como um sol peitoral.
A essa altura, entrei num estado alterado de consciência e me vi dentro de uma onda de amor sereno, da cabeça ao peito. Abri os olhos e vi que toda a sala estava interpenetrada pela mesma luz. Tudo estava cor de rosa, inclusive a Janete, que continuava bordando o cobertor, mas nada notava.
Falei para ela: “Janete, nós sairemos daqui a pouco, pois já está quase na hora. Mas dê um tempinho aí. É que estou sentindo e vendo uma luz rosa tomar conta de tudo aqui, por dentro e por fora, e há um texto chegando, não na mente, mas no coração.
Daí, fechei os olhos e me concentrei no lance interno. Em instantes, o meu chacra frontal se expandiu energeticamente e, pela clarividência, vi uma cena: vários homens chineses rebuscavam pessoas e corpos em meio a muitos escombros e lama. Havia uma grande destruição naquele lugar. Imediatamente lembrei-me do recente terremoto ocorrido na China, que causou muita destruição e mais de sessenta mil mortos, onde ainda há buscas por sobreviventes e resgate de corpos em meio aos escombros da tragédia.
A visão dos escombros era dramática, mas eu estava imerso na luz rosa e muito sereno, percebendo claramente que uma inteligência invisível elevada estava patrocinando a minha percepção e me ligando espiritualmente a algum tipo de assistência sutil em andamento ali.
Foi então que vi um numeroso grupo de espíritos desencarnados flutuando vários metros acima do local. Alguns deles estavam projetando energias benfeitoras para baixo, pelas mãos. Outros estavam com as mãos postas em prece e cantando mantras (4). Eram orientais e, em seus semblantes pacíficos, notava-se uma atmosfera de serenidade e contentamento íntimo em cada um deles.
Tratava-se de um grande grupo de amparadores ligados à atmosfera espiritual do Budismo. Estavam vestidos com mantos alaranjados e eram todos carecas, alguns deles com barbas ou barbichas. Não sei se eram tibetanos ou chineses. Na verdade, isso não é importante. O que vale é que eles estavam ali trabalhando nos bastidores extrafísicos de uma tragédia e procurando ajudar de alguma maneira.
Pareceu-me que eles estavam aguardando o desprendimento espiritual das últimas pessoas vitimadas pelo terremoto, para levá-las a algum lugar extrafísico de amparo.
Em dado momento, vi a figura de um monge-menino, que estava um pouco mais afastado e atrás dos outros. Aparentava ter uns treze anos de idade. Ele me viu e acenou com a cabeça, saudando-me simpaticamente. E, para minha surpresa, era um espírito que eu já havia visto em outras ocasiões. Telepaticamente, ele me falou da assistência que estava rolando e que o Alto havia permitido que eu visse o lance com um objetivo: que eu escrevesse e relatasse aos estudantes espirituais a grandeza do amparo sutil e incondicional em ação. Também me disse que o número de mortos era bem maior do que o noticiado e que o povo estava abalado e com muito medo de novos terremotos.
E tudo isso ele me disse de forma serena e madura, inclusive, afirmando que coisas assim acontecem e fazem parte do carma (5) coletivo, ao qual os homens da Terra estão sujeitos.
Frisou a questão da imortalidade da consciência e de que as pessoas dali tinham sido levadas para locais de repouso no plano extrafísico e que ficariam bem rapidamente.
Ele também me falou algumas coisas de cunho pessoal e me pediu para passar um recado para uma pessoa encarnada conhecida, dele e minha.
Um pouco depois – e tudo isso rolou por cerca de uns quinze minutos, aproximadamente -, ele me acenou em despedida e disse que eles continuariam por ali e que eu não deixasse de escrever tudo o que vira. Além disso, prometeu-me que viria me visitar assim que possível.
Finalmente, abri os olhos novamente e vi que a sala continuava cheia daquela energia rosada. Levantei-me e saí para o local do curso, pensando em escrever o lance mais tarde, após a aula. Porém, acabou dando para fazer isso no próprio ambiente do curso, um pouco antes da aula. E foi muito legal ler o relato para o grupo de alunos presentes e ver que vários deles também pegaram uma carona espiritual na luz rosada e se sentiram abraçados por um poder maior, que não é desse mundo, mas que ajuda a todos, em qualquer lugar ou condição.
Ao finalizar as linhas dessa nota, horas depois, já de madrugada, ainda estou sob o efeito da luz amorosa que desceu aqui. E continuo lembrando-me do menino e de sua atmosfera amistosa e serena. Tomara que ele apareça logo, para conversarmos mais, como de outras vezes em que ele me mostrou coisas e suscitou reflexões conscienciais importantes em minha vida.
Aproveito, também, para sugerir aos leitores uma pequena visualização criativa baseada no lance que descrevi da luz rosada.
Na hora de uma prática meditativa ou iogue, ou de trabalho energético com os chacras, ou mesmo num momento intimista, como na prece ou numa reunião espiritual, elevar os pensamentos e sentimentos ao Alto e visualizar uma larga coluna de luz rosada descendo sobre o topo da cabeça – sede do chacra coronário -, e fluindo até o centro do peito. Ali dentro, visualizar a formação de uma esfera de luz, como um sol peitoral interno. E irradiar serenamente sua luz para fora, transbordando de amor, como um canal lúcido da luz rosada a favor da humanidade.
Não é necessária nenhuma força para isso. Basta pensar e sentir, e tornar-se uno com a luz rosada, que se propaga em todas as direções...  
Bom, é isso. Cumpri minha tarefa de relatar o que vi e tentei passar nos escritos um pouco daquela atmosfera maravilhosa.
De minha parte, só tenho a agradecer ao Alto, pelas oportunidades de abertura espiritual e pelo apoio ao longo de tantos anos de trabalho no esclarecimento e na assistência espiritual.
Quem sabe dos meus propósitos vitais e o que me anima é só o Alto. E, o amor que sinto em meu coração, só outros corações cheios de amor é que saberão, na mesma sintonia e nos mesmos propósitos.
E, quando o coração fala ao coração, não há mais nada a dizer.

Paz e Luz.

- Wagner Borges –
(Sujeito com qualidades e defeitos, 46 anos de “encadernação”, pai de duas estrelinhas, Helena e Maria Luz, espiritualista que não segue nenhuma doutrina criada pelos homens da Terra, discípulo de ninguém e mestre de nada, e que sempre agradece ao Alto, por tudo). 
Curitiba, 28 de maio de 2008.

- Notas do Texto:
1. Chacras - do sânscrito - são os centros de força situados no corpo energético e que têm como função principal a absorção de energia - prana, chi - do meio ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Além disso, servem de ponte energética entre o corpo espiritual e o corpo físico.
  Os principais chacras são sete – que estão conectados com as sete glândulas que compõem o sistema endócrino: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, umbilical, sexual e básico. Suas características básicas são as seguintes:
- Chacra Coronário - é o centro de força situado no topo da cabeça, por onde entram as energias celestes. É o chacra responsável pela expansão da consciência e pela captação das idéias elevadas. É também chamado de chacra da coroa. Em sânscrito, o seu nome é “sahashara”, o lótus das mil pétalas. Está ligado à glândula pineal.
Obs.: a pineal é a glândula mais alta do sistema endócrino, situada bem no centro da cabeça, logo abaixo dos dois hemisférios cerebrais. Essa glândula está ligada ao chacra coronário, que, por sua vez, se abre no topo da cabeça, mas tem a sua raiz energética situada dentro dela. Devido a essa ligação sutil, a pineal - também chamada de “epífise” - é o ponto de ligação das energias superiores no corpo denso e, por extensão, tem muita importância nos fenômenos anímico-mediúnicos, incluindo nisso as projeções da consciência para fora do corpo físico.
- Chacra Frontal - é o centro de força situado na área da glabela, no espaço espiritual interno da testa. Está ligado à glândula hipófise – pituitária - e tem relação direta com os diversos fenômenos de clarividência, intuição e percepções parapsíquicas. É o chacra da aprendizagem e do conhecimento. Em sânscrito, ele é conhecido como “Ajna”, o centro de comando.
- Chacra Laríngeo - é o centro de força situado em frente da garganta. É o responsável pela energização da boca, garganta e órgãos respiratórios. Está ligado à glândula tireóide. Bem desenvolvido, facilita a psicofonia e a clariaudiência. É considerado também como um filtro energético que bloqueia as energias emocionais, para que elas não cheguem até os chacras da cabeça. É o chacra responsável pela expressão criativa – comunicação - do ser humano no mundo. O seu nome em sânscrito é “Vishudda”, o purificador.
- Chacra Cardíaco - é o centro de força responsável pela energização do sistema cardiorrespiratório. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos. Por isso é o chacra mais afetado pelo desequilíbrio emocional. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual. Está ligado à glândula timo. O seu nome em sânscrito é “Anahata”, o inviolável, o invicto, o som sutil do espírito imperecível.
- Chacra Umbilical – é o centro de força abdominal, responsável pela energização do sistema digestório. Está ligado à glândula pâncreas. É considerado o chacra das emoções inferiores. Quando está bloqueado, causa enjôo, medo ou irritação. Bem desenvolvido, facilita a percepção das energias ambientais. É chamado, em sânscrito, de “Manipura”, a cidade das jóias.
- Chacra Sexual - é o centro de força responsável pela energização dos órgãos sexuais. Está ligado às gônadas – glândulas de reprodução – testículos no homem; ovários na mulher. Quando está bloqueado, causa impotência sexual ou desânimo. Quando super-excitado, causa intenso desejo sexual. Bem desenvolvido, estimula o melhor funcionamento dos outros chacras e ajuda no despertar da kundalini. É o chacra da troca sexual e da alegria. O seu nome em sânscrito é “Swadhistana”, a morada do eu – ou morada do sol; ou a morada do prazer.
- Chacra Básico – é o centro de força situado na área da base da coluna. É o responsável pela absorção da energia telúrica e pelo estímulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue. Está ligado às glândulas supra-renais e tem relação direta com os fenômenos bionergéticos e parapsíquicos oriundos da ativação da kundalini. O seu nome em sânscrito é “Muladhara”, a base e fundamento do corpo.
Obs.: Kundalini é um tema complexo para explicar por e-mail. O seu estudo envolve o conhecimento aprofundado dos chacras, dos nádis que correm ao longo da coluna - ida, pingala e sushumna -, e das glândulas endócrinas, bem como um conhecimento básico dos yantras e bijas-mantras específicos para sua ativação.
Kundalini - do sânscrito - significa literalmente "enroscada". Esse nome deve-se ao seu movimento ondulatório que lembra o movimento de uma serpente. Daí a expressão esotérica "fogo serpentino". Ela também é chamada pelos iogues de "Shakti" - do sânscrito - a força divina aninhada na base da coluna.
Kundalini nada tem a ver com o sexo diretamente, muito embora seja a energia que ativa e vitaliza a sexualidade. Devido à prática de exercícios tântricos que envolvem a contenção do orgasmo, quando esse conhecimento chegou ao Ocidente foi logo desvirtuado. Hoje, esse tema surge associado a rituais e posturas sexuais aqui no Ocidente. No entanto, o despertar da kundalini é um processo puramente espiritual e energético em essência. Envolve a ativação dos chacras, principalmente do chacra cardíaco, que equilibra e distribui corretamente o fluxo ascendente da shakti ao longo dos nádis. Não significa acender um foguete esotérico no traseiro e decolar pelos nádis ao longo da coluna, como muita gente imagina. "Acender" não significa necessariamente "ascender".
Particularmente, não gosto do processo de despertar da kundalini que é feito por grupos esotéricos ocidentais. Prefiro o trabalho mais energético e naturalista do Yoga.
Obs.: Aqui não estão relacionados os chacras secundários, incluindo nisso o chacra esplênico, em cima do baço.
2. Amparadores extrafísicos – entidades extrafísicas e positivas que ajudam o projetor nas suas experiências extracorpóreas; mentores extrafísicos; mestres extrafísicos; companheiros espirituais; protetores astrais; auxiliares invisíveis; guardiões astrais; guias espirituais; benfeitores espirituais.
3. O CD do Tangerine Dream (banda alemã inicialmente de rock progressivo, nas décadas de 1970/1980, e que, posteriormente, passaria a fazer um som mais eletrônico e sempre bem viajante) que eu estava ouvindo no momento é o “The Seven Letters From Tibet”, do ano de 2000. As faixas 2 e 3 do CD são maravilhosas.
4. Mantras – do sânscrito – palavra oriunda de Manas: Mente; e Tra: Controle; liberação – Literalmente, significa "Controle ou liberação da mente".
Determinadas palavras evocam uma atmosfera superior que facilita a concentração da mente e a entrada em estados alterados de consciência. Os mantras são palavras dotadas de particular vibração espiritual, sintonizadas com padrões vibracionais elevados. São análogos às palavras-senhas iniciáticas que ligam os iniciados aos planos superiores.
Pode-se dizer que os mantras são as palavras de poder evocativas de energias superiores. Como as palavras são apenas a exteriorização dos pensamentos revestidos de ondas sonoras, pode-se dizer também que os mantras são expressões da própria mente sintonizada em outros planos de manifestação.
5. Carma - do sânscrito “Karma” - ação; causa – é a lei universal de causa e efeito - Tudo aquilo que pensamos, sentimos e fazemos são movimentações vibracionais nos planos mental, astral e físico, gerando causas que inexoravelmente apresentam seus efeitos correspondentes no universo interdimensional. Logo, obviamente não há efeito sem causa, e os efeitos procuram naturalmente as suas causas correspondentes. A isso os antigos hindus chamaram de carma.

Texto <855><03/06/2008>