858 - UMA VIAGEM ESPIRITUAL COM SHIVA, O MAHA-DEVA!

Nas asas da meditação, no centro do olho espiritual, surge uma visão.
É um círculo azulado, circundado por uma aura dourada. No centro do azul, uma estrela de cinco pontas, branco-prateada.
Uma força invisível me atrai para dentro da imagem, como se ela fosse uma passagem espiritual. Atravesso a estrela – verdadeiro portal interplanos – e me vejo por cima da imensidão do Himalaia.
Estou lúcido e sereno, incorpóreo, flutuando por cima da cadeia montanhosa.
Há uma fragrância sutil na atmosfera. Reconheço-a. É cheiro de sândalo.
E o mais incrível: vejo zilhões de partículas brilhantes permeando o ar.
Elas pulsam, enchendo a atmosfera de vida. Reconheço-as. São partículas de prana (1), o sopro vital.
Suspenso no meio dessa massa energética aérea, plena de vitalidade, sinto uma presença portentosa. Então, Ele surge à minha frente, montado num touro branco. 
Sua figura gigantesca se destaca em contraste com o azul do céu.
Por obra de Sua graça sutil, estou na frente do Sr. Shiva (2), o Senhor das energias e das transformações, o mentor dos iogues, o Maha-Deva (3).
De forma que não sei descrever, Ele interpenetra minha mente.
Em frações de segundo, sinto que o universo inteiro pulsa dentro de mim.
Estrelas e seres estão em minha consciência, e eu neles, como uma só consciência, a d’Ele!
Ele sabe tudo sobre mim. Dessa e de outras vidas. Conhece os meus pensamentos e sentimentos mais secretos, desde sempre. No entanto, não sinto que Ele condena ou absolve nada. Ele apenas compreende e me respeita.
Sim, Ele me compreende e nada julga. Ele me respeita, assim como respeita a todos os seres, centelhas vivas d’Ele mesmo.
Com carinho, Ele vibra o tridente (4) que carrega na mão direita. Então, três rajadas luminosas se projetam de suas pontas, para baixo, transformando o meu peito em sol.
E uma faixa de “luz viva” interliga o meu chacra cardíaco (5) ao chacra do topo da cabeça (6).
Na verdade, não sei se essa energia vai do peito para cima, ou de cima para o peito, pois me parece uma coisa só, e os dois chacras (7) também, parceiros da mesma expansão da consciência. Ao mesmo tempo, escuto o seu mantra (8) ecoando por dentro de mim:

Om Namah Shivaya, Om Namah Shivaya, Om Namah Shivaya...
O amor me inunda e eu me dissolvo na consciência d’Ele, o Maha-Deva, Senhor de todas as transmutações. Entrego-me à luz, completamente, sem barreiras, pronto para qualquer coisa, nas mãos d’Ele.
Ficar ou partir, voltar ao corpo ou mergulhar no turbilhão estelar, descer ou subir, que seja o que Ele decidir.
Nele, com Ele, por Ele, que seja feita Sua vontade, e não a minha!
No centro da luz, Ele ri e me olha de maneira divertida e profunda. Sinto-me como uma criança diante do Seu olhar.
No centro do meu Ser, Ele me passa alguns toques conscienciais preciosos e me fala de trabalhos a realizar e de luzes e sentimentos espirituais a serem compartilhados entre os homens e os espíritos.
Finalmente, Ele me ordena voltar para o corpo, nas ondas do Dharma (9).
Daí, uma força invisível me puxa abruptamente pelas costas e eu caio de volta dentro da estrela. Passo por ela e me vejo encaixado no centro da testa, de volta ao padrão normal de lucidez.
Abro os olhos e me lembro de tudo, e compreendo...
Olho o relógio e vejo que se passaram duas horas desde que fechei os olhos para meditar. Mexo o corpo e fico surpreso, pelo mesmo não estar dolorido ou estalando, depois desse tempo sentado e imóvel. Pelo contrário, os movimentos estão flexíveis e eu quero andar um pouco.
Ainda sinto a fragrância de sândalo no ar e o amor d’Ele em mim.
E a luz segue viajando aqui dentro, mas continuo não sabendo se é do peito para cima, ou se do peito para baixo, pois é uma coisa só, cheia de amor.
Oxalá, um pouco dessa fragrância d’Ele viaje junto com esses escritos, até outros corações sensíveis às coisas do espírito.
Que as energias d’Ele abençoem a todos os leitores, de hoje e de amanhã, encarnados e desencarnados, terrestres e extraterrestres, na Terra e além, como deve ser.

Om Namah Shivaya! (10)

Paz e Luz.

- Wagner Borges -

Jundiaí, 20 de fevereiro de 2008.

- Notas do sânscrito:
1. Prana – sopro vital; força vital; energia.
2. Shiva - na Cosmogonia hinduísta, o Divino é representado por três aspectos fenomênicos: Brahma - O Criador, Vishnu - O Preservador, e Shiva - O Transformador.
Shiva é o senhor de todas as transmutações na natureza, é o senhor das energias e de todo movimento vital. Em muitas representações simbólicas, Ele é representado como o "Nataraja", O Dançarino Divino que faz o universo vibrar e girar em sua eterna dança cósmica. Por isso algumas imagens O mostram dançando dentro de uma roda (o universo).
3. Maha-Deva – maha: grande, vasto, imenso, grandioso – deva: divindade, ser celestial.  Logo, Mahadeva significa "Grande Divindade", "Grande Ser Celestial", "Grande Deus".
4. Tridente de Shiva - dentro do contexto hinduísta, as energias se manifestam no plano fenomênico da existência em três aspectos vibracionais: Rajas (atividade), Tamas (inércia) e Sattva (equilíbrio ou pureza).
O tridente que Shiva carrega, expressa essas três manifestações vitais (cada uma das pontas do tridente é uma das expressões energéticas). Sendo o Senhor das energias, nada mais natural do que Ele "portar nas mãos" o controle de suas manifestações.
Num contexto ainda mais esotérico, as três pontas do tridente também representariam os três nádis (condutos sutis – Ida, Píngala e Sushumna) que correm ao longo da coluna, e que são muito importantes na circulação da energia pelo corpo energético e nos processos de ascensão da Kundalini.
Inclusive, é muito comum vermos imagens de Shiva com diversas cobras najas penduradas pelo seu corpo. Elas representam a sabedoria, da qual Ele está repleto. Também representam a expansão da consciência (consciência cósmica, samadhi) nos processos ascensionais da Kundalini (Shakti).
Aqui, por e-mail, fica difícil explicar esses mecanismos bioenergéticos tão conhecidos dos iogues de todos os tempos e linhas.
Obs.: Alguns fundamentalistas cristãos associaram o tridente de Shiva e as cobras najas (que são apenas simbolismo iogue) à figura do diabo. E aí nem precisa dizer da confusão que eles fazem com isso, oriunda diretamente da falta de informação (ou, em alguns casos, de má intenção mesmo).
5. Chacra
Texto <858><13/06/2008>